Em Dia Internacional do Celíaco…

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Confecionei recentemente esta sobremesa num workshop dedicado a sobremesas sem glúten e sem lactose. Sabia que era uma receita garantida por vários fatores: pelo grau de facilidade, pelo sabor, e por ser apelativa.  Decidi fazê-la com morangos, mas estes podem ser facilmente substituídos por outros frutos, desde que se proceda à correspondência com as respetivas gelatinas. Com frutos do bosque, pêssego e frutos tropicais, como a manga, resulta também muito bem. Se optarem por utilizar kiwi ou ananás terão de dar uma fervura aos frutos com uma colher ou duas de açúcar, e deixá-los arrefecer, antes de os adicionarem ao leite de coco. Se não pretenderem fazer esta sobremesa com o copo inclinado, poderão verter a gelatina para um recipiente refratário quadrado ou retangular, cortá-la em cubos, depois de solidificada, e misturá-a no preparado de mousse de leite de coco, fruta e chia.

Sobremesa de Morango e Gelatina com Leite de Coco e Sementes de Chia

  • 1 pacote de gelatina de morango
  • 1 lata de leite de coco
  • 1 chávena de morangos
  • Morangos para a decoração
  • Aroma de baunilha
  • Mel ou açúcar a gosto
  • 1/4 chávena de sementes de chia
  • Amêndoa aos pedacinhos torrada

 

Faz-se a gelatina de morango de acordo com as instruções da embalagem. Coloca-se em copos que se guardam inclinados no frigorífico até que a gelatina solidifique (num tabuleiro com arroz ou leguminosas secas para que segurem o copo na posição pretendida).

Começam-se por triturar os morangos com o leite de coco. Adoça-se com açúcar ou mel a gosto. Aromatiza-se com aroma de baunilha. Mistura-se as sementes de chia e mexe-se.

Depois de solidificada a gelatina, despejam-se colheradas desta mousse na parte vazia do copo. Leva-se ao frigorífico um mínimo de 4 horas. Decora-se com pedaços de morango na hora de servir e frutos secos torrados e aos pedacinhos.

 

Flognard de amoras silvestres

Flognard de amoras silvestres_foodwithameaning

O mês de setembro é sinónimo de amoras. E já estão tão doces!

A demanda pelas silvas foi da responsabilidade do marido. Eu até gosto de me aventurar pelos campos, mas, desta vez, ele fez tudo pela surdina. Arranhou-se também sozinho nos picos das silvas.

– Resguardaste assim as mãozinhas e a manicure francesa – afirmou ele ao chegar a casa (até agradeci desta vez)

As primeiras amoras foram comidas polvilhadas com açúcar. Uma excelente sobremesa, esta. No entanto, como tínhamos muitas resolvi fazer este flognard que é bastante amigo da saúde, como irão comprovar através da receita. Pouquíssimo açúcar e nada de manteigas ou margarina no interior.


Flognard de amoras silvestres_foodwithameaning
Flognard de amoras silvestres_foodwithameaning

Ingredientes

75 g de farinha

90 g de açúcar

4 ovos

300 ml de leite

400 g de amoras

açúcar em pó para polvilhar

 

Preparação na Bimby

1. Pré-aqueci o forno a 180ºC.
2. Pincelei a tarteira com manteiga derretida .

3. Coloquei os ovos, o açúcar, a farinha e o leite no copo da Bimby e marquei 3 minutos, Vel. 4 para transformar todos os ingredientes numa massa líquida homogénea.

4. Cobri o fundo da tarteira com as amoras e deitei a massa por cima.

5. Levei ao forno a cozer cerca de 35 a 40 minutos, mas poderá ser mais tempo consoante o forno. Convém fazer o teste do palito. Quando este vier seco, a tarte está pronta.

6. Polvilhei com açúcar em pó.

6. Segundo sei, esta sobremesa  deve servir-se quente. Na minha opinião, fria é bem melhor.

Flognard de amoras silvestres_foodwithameaning

Crumble de damascos e nêsperas com nozes

crumble de damascos com nêsperas
foodwithameaning

Este delicioso crumble foi a sobremesa do almoço de domingo. Estava uma delícia (sim, estava, porque acabou num instantinho). Acho que os damascos frescos com as nêsperas concorreram para uma combinação inusitadamente perfeita.

crumble de damascos e nêsperas

O Crumble é um prato doce de origem britânica, feito de compota de frutas picadas cobertas com uma mistura de gordura (geralmente,manteiga), farinha e açúcar, assado até que a cobertura fique crocante. Muitas vezes, é servido com creme, nata ou sorvete, como uma sobremesa substanciosa após uma refeição quente.

As frutas mais empregadas em crumbles incluem maçã, amora, pêssego, ruibarbo, groselha e ameixa. A cobertura pode conter também aveia em flocos, amêndoas ou outras nozes; às vezes leite azedo (por exemplo, vinagre e leite) é adicionado para dar ao crumble um gosto mais exótico. Açúcar mascavo é muitas vezes polvilhado sobre a cobertura do crumble, de modo a formar um pouco de caramelo depois de assado. Em algumas receitas a cobertura é feita com biscoitos quebrados (cookies ou bolachas) ou mesmo cereais matinais, mas isso não é tradicional.

Os crumbles surgiram na Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial. Devido ao racionamento, não havia ingredientes para as tortas tradicionais, que exigiam muita farinha, gordura e açúcar para a massa. Usavam uma simples mistura de farinha, margarina e açúcar para cobrir a torta. O prato também tornou-se popular devido à sua simplicidade, uma vez que deixava às mulheres mais tempo para fazer outras tarefas.”

fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Crumble

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crumble de nêsperas e damascos

Vamos então lá à receita!

Ingredientes

8 damascos

8 nêsperas

2 colheres (sopa) de poncha

150 g de farinha

120 g de açúcar mascavado claro

45 g de nozes trituradas

1 colher de sopa rasa de canela em pó

110 g de manteiga gelada aos cubos

3 colheres de sopa de passas

sumo de meio limão

Modo de preparação na Bimby

1. Descasque os damascos e as nêsperas, retire-lhes o caroço e pique-os grosseiramente. Descasque primeiro os damascos e só depois as nêsperas, pois estas têm tendência a oxidar. Salpique com o sumo de limão. Envolva com uma colher e reserve.

2. Misture as passas com a poncha e reserve.

3. No copo da Bimby, triture as nozes, marcando 15 Seg/Vel.6.

4. Misture a farinha com o açúcar, as nozes, a canela e, por último, a manteiga e marque 1Minuto/Vel. 5. Está no ponto quando a massa se encontra solta em farelos grossos.

5. Numa tarteira ou assadeira untada com manteiga, distribua a fruta picada e as passas  embebidas na poncha.

6. Cubra com a massa e asse no forno pré-aquecido até que a fruta fervilhe e a crosta fique ligeiramente tostada.

Se desejar sirva o crumble acompanhado com uma bola de gelado.

Baba de camelo para um almoço falado em inglês

Num almoço em que o convidado principal é cidadão americano, o inglês foi obviamente a língua selecionada. Como sou professora de inglês trabalho diariamente com esta língua, no entanto, falar diretamente com um native-speaker não é algo que aconteça todos os dias, apesar de cá na ilha nos bastar ir à base americana para colocarmos o inglês em dia, se esse for o nosso objetivo.

Todos os anos, a escola onde trabalho faz um intercâmbio com alunos da escola americana da Base das Lajes e os nossos alunos têm a oportunidade de interagirem com alunos americanos no próprio espaço da escola. Assistimos a diferenças muito evidentes em relação ao ensino ministrado em Portugal, no que diz respeito ao currículo, à organização dos horários, ao apetrechamento das salas e à disciplina. É importante também ressalvar que os jovens que frequentam a escola americana aqui na base são filhos de militares, portanto, o fator disciplina está diariamente presente nas vidas deles. Numa dessas visitas ficámos a conhecer alguns professores com os quais costumamos  manter o contato ao longo do ano.

O almoço prolongou-se pela tarde. Como sabia qual a sobremesa portuguesa favorita do convidado, preparei umas taças de “camel spit“, tradução demasiado à letra de baba de camelo, que deu origem a muitos trocadilhos e gargalhadas ao longo da refeição, especialmente quando iam surgindo várias propostas para baba, como drivel, foam and mucus.

Foi um almoço muito interessante, bastante informal e com variados temas de conversa. No fim do repasto, já por volta das seis da tarde, despedimo-nos com a certeza de que pouco ficou “lost in translation”.

Baba de camelo

Ingredientes para 8 pessoas

2 latas de leite condensado cozido

8 ovos

2,5 folhas de gelatina

Modo de Preparação

1. Demolhar numa tacinha de sobremesa a gelatina em água fria (encher a taça com água até meio).

2. Bater as gemas bastante bem até ficarem com uma cor clara.

3. Juntar o leite condensado cozido às gemas e bater muito bem a mistura.

4. Colocar a tacinha com as folhas de gelatina e a água  no micro-ondas durante 5 a 6 segundos certificando-se de que não ferve.

5. Acrescentar a gelatina liquide feita  ao leite condensado e bater muito bem.

6. Bater as claras em castelo bem firme e envolver no preparado anterior.

7.Colocar em taças e decorar com amêndoa picada torrada ou bolacha maria esmagada. (optei por não colocar topping por saber ser essa a preferência do convidado)

8. Guardar no frigorífico até a sobremesa estar bem fresca. (fiz a receita de véspera)

Enjoy!

Leite Creme Light (sem darmos por isso)

Esta é a sobremesa do “desconsolo de uma coisa doce”. Caseira e pronta em 12 minutos. Nada mais fácil!
A receita que vos deixo é um clássico da Bimby e consta do livro básico. No entanto, apresento-a numa versão mais light, mas igualmente deliciosa, garanto-vos. Recorri, porém, a uns pequenos truques na sua confeção. Substituí a maizena por custard powder, as 6 gemas por dois ovos inteiros e também reduzi no açúcar. A receita original oferecia 200 g, mas utilizei apenas 120 g.

Leite creme

1 litro de leite (usei magro)
2 ovos inteiros
120 g de açúcar
40 g de custard powder (farinha de custard)
Casca de meio limão, só a parte amarela
1 pau de canela
Açúcar mascavado para polvilhar

Juntam-se todos os ingredientes, pela ordem indicada, exceto a casca de limão e o pau de canela. Programa-se 15 segundos, velocidade 3 1/2.

Adicionam-se os restantes ingredientes e programa-se 12 minutos, 90 graus, velocidade 2. Retira-se a casca do limão, o pau de canela e coloca-se de imediato numa travessa ou em taças individuais.

A farinha de custard confere uma cor amarelinha e um sabor abaunilhado à sobremesa.

Utilizo os ovos inteiros, mas não ficam vestígios de clara. Esta dilui-se no creme (é mais saudável do que a gema)

Não costumo queimar a superfície do leite creme, apesar de fazer parte da tradição fazê-lo. (mas esta receita também foge à regra porque é light, logo estou perdoada)

Gosto de deixar a casca do limão na minha tacinha para conferir um sabor ainda mais alimonado. E no fim, e por que não, também se come a casquinha! Vitamina C, não é?

Patrícia

Bolo de Bolacha, para agradar ao pai e ao sogro

Esta sobremesa foi apreciada cá em casa num dos jantares da época natalícia. Dificilmente consigo juntar à mesa os meus pais e os meus sogros. Este facto nada tem a ver com questões de personalidade (como poderão estar a pensar) mas sim com razões geográficas. Quem mandou um transmontano escolher uma açoriana e os Açores para viver? Pois, ele ficou por cá, nas ilhas, no meio do mar, como diz a minha sogra, que ficou feliz quando saímos da ilha onde o chão fervia e deitava fumo (S.Miguel) e nos mudámos para a Terceira. Assim os netos já não falariam tão açoriano, como se o modo de falar micaelense fosse detentor de toda a açorianidade. Pensamentos de quem acha que se houver uma calamidade não temos estradas por onde fugir. Percebo-a, mas também quando vou a Trás-os-Montes chego a sentir a prisão das colinas. Mas apazigua-me o facto da minha sogra morar mesmo em frente ao rio e de ter uma varanda em toda a frente da casa de onde se veem os juncos onde se escondem as cobras, os peixes a mergulhar ocasionalmente, as rãs a coaxar, os patos e as galinhas da aldeia a depenicarem e a bebericarem sem regra, o rebanho de ovelhas do tio Chibarras e da tia Manca a passar ampliando o tilintar dos guizos à medida que se aproxima. A água a atravessar a aldeia, a génese da vida. A calma. As cigarras.
O mar e o rio. O pai e o sogro. E a sobremesa preferida de ambos.

Bolo de Bolacha

Ingredientes

3 pacotes de bolacha tipo Maria
300 g de açúcar
2 pacotes de natas
café solúvel
café expresso

Preparação

Coloquei no copo 20 g de bolacha e pulverizei 10 seg/Vel.9. Retirei e reservei.
Deitei no copo o açúcar e pulverizei 30 seg/vel 9. Com a ajuda da espátula baixei o que ficou nas paredes do copo.Reservei.
Coloquei a borboleta e as natas (previamente refrigeradas) no copo. Programei Vel. 3 e 1/2. Fui espreitando através do copo para evitar que se transformassem em manteiga (o que neste caso não seria problema uma vez que a receita original leva manteiga e não natas). Assim que se encontravam praticamente batidas fui adicionando o açúcar em pó e colheres de chá de café solúvel até atribuir às natas a cor moka. Reservei.
Preparei café expresso. Demolhei as bolachas ligeiramente no café preparado.
Num prato de bolo, fiz camadas alternadas com o creme reservado.
Finalizei com o creme.
Polvilhei com a bolacha ralada reservada. Levei ao frigorífico.

Obs. O pai e o sogro adoraram a sobremesa. Foi a primeira vez que experimentaram este bolo de bolacha com natas e ambos concordaram que ficou mais leve no sabor.

O café pode ser substituído por chocolate amargo.

Boa semana!

Patrícia

Esta receita foi adaptada do livro A Bimby, Massas e Doces, página 154