90 anos com o coração entre a terra e o mar

Bolo de fécula e limão

Este fim de semana, a minha avó materna completou noventa anos de idade. A mãe tinha vivido até aos noventa e cinco, a irmã aos noventa e dois e o pai aos cento e um. Gente de durar. Nasceu e foi criada na ilha do Pico. Sentiu a dureza do trabalho do campo. Casou nova. Por amor, diz-se. Coisa rara naquele tempo em que todos os casamentos eram definidos pelos pais. Viu tios e primos a emigrarem para as Américas, muitos deles para o Brasil. Teve uma filha, a minha mãe, a quem nunca nada faltou mas que sabia que só se comia carne em dias de festa. Tinha a agricultura e o gado, pouco, à sua conta nos dias em que o marido passava no mar. Era caçador de baleias. Pertenceu à última geração destes lobos do mar. Isabel, como se chama, passava os dias com o coração entre o mar e a terra. Nunca foi dada a rendas e bordados. Apenas se instruiu nas camisolas e meias de lã que fazia para o marido levar para o mar. Sentia em terra o silêncio tenebroso do frio do mar e a dura espera. Para que a filha conseguisse prosseguir estudos, envia-a, aos doze anos, para um colégio interno na ilha do Faial, onde completa o sétimo ano (atual 11º ano) e conclui o curso do magistério primário. Vem para a ilha Terceira com o marido onde este acaba por falecer em pouco tempo de insuficiência renal, apenas com cinquenta e poucos anos. Vive com os meus pais desde então mas sempre com o pensamento nas memórias que ficaram  na terra e no mar da ilha do Pico.

Este bolo foi feito para celebrar em família esta data muito especial. Afinal, não são muitos os que chegam aos 90 anos.

 

Bolo de fécula e limão

Bolo de fécula e limão

Ingredientes 

8 ovos

250 g de manteiga amolecida

600 g de açúcar

300 g de fécula de batata

300 g de farinha (usei Branca de Neve)

1 colher de sopa rasa de fermento para bolos

raspa e sumo de dois limões médios

 

Preparação dos bolos

1. Bater as gemas com o açúcar e a manteiga durante quinze minutos.

2. Adicionar o sumo e a raspa de limão. Voltar a bater mais um minuto.

3. Misturar a farinha, a fécula e o fermento numa tigela e peneirar estes ingredientes secos para dentro da tigela com o preparado anterior.

4. Bater as claras em castelo e adicioná-las aos poucos, com uma espátula, à massa do bolo.

5. Untar com manteiga uma forma redonda de fundo amovível. Enfarinhar.

6. Verter apenas metade do preparado. Levar a cozer em forno pré-aquecido a 200ºC. (Ligo o forno quando começo a fazer o bolo). Coze em 30 minutos. Deixar arrefecer durante 15 minutos antes de desenformar.

7. Verter a restante metade do preparado para uma forma igual, também untada e enfarinhada. Repetir o passo 6 para o segundo bolo.

8. Quando os bolos estiverem frios, cortar ao meio e rechear as diferentes camadas ( 4 de bolo e 3 de recheio respetivamente)

Ingredientes para o recheio

2 latas de leite condensado cozido (usei Nestlé)

1 pacote de amêndoa aos pedacinhos ( mesmo assim, ainda a triturei mais um pouco na picadora, evitando, no entanto, que a amêndoa se transforme em farinha).

leite q.b.

Preparação do recheio

1. Torrar a amêndoa ligeiramente para que liberte os óleos, sem queimar.

2. Juntá-la mesmo quente ao leite condensado e misturar com uma colher.

3. Adicionar leite aos poucos até que fique com uma consistência fácil de barrar.

4. Rechear as diferentes camadas.

 

Ingredientes para a cobertura

200 g de queijo creme

800 g de açúcar confeiteiro

sumo de 1 limão (vá adicionando e vendo a consistência e o sabor)

 

Preparação da cobertura

Bata o queijo creme com uma vara de arames ou com a batedeira e misture o açúcar  e o sumo de limão aos poucos até obter a consistência desejada.

Barre o bolo. Alise-o molhando a espátula em água as vezes que forem necessárias.

Bolo de fécula e limão

A toalha da foto foi feita pela Teté, a irmã da minha avó, que faleceu há dez meses. Das mãos dela saíram muitas toalhas de renda e outras tantas bordadas em vários pontos. Era jeitosa de mãos, como se diz por aqui.

Bolo de fécula e limão

Este bolo ficou com um interior muito saboroso. Deixo-vos a tradicional foto da fatia.
Bolo de fécula e limão

Aventuras na praia e um incidente final

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Há dias, eu falava da minha vontade de chamar o verão. A primeira tentativa materializou-se numa sardinhada que apanhou chuva. A segunda e a terceira tiveram ambas lugar na praia. Acho que é o silêncio, o vazio e a imensidão deste local que me atrai no inverno. De verão prefiro as zonas balneares de rocha.

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Gosto especialmente dos passeios nas praias sem gente ou com pouca gente, como foi o caso de há três dias atrás. As personagens desta odisseia foram: eu, a herdeira mais nova e o Max, o fiel Labrador preto. Na tarde de terça-feira de Carnaval, enquanto metade da população descansava das noitadas de folia e a outra metade se preparava para queimar os últimos cartuchos do Entrudo, estacionei o carro junto à praia da cidade onde vivo, coloquei a trela no Max, ajudei a pequenita a retirar os apetrechos de praia e descemos a longa escadaria até ao areal. Eram três da tarde. O sol ainda ia alto mas nada abrasador. Sentia-se uma brisa quente e um cheiro a maresia inigualável. Na praia estavamos nós, um casalinho de namorados, que deitados partilhavam uma toalha, e dois mergulhadores, que acabavam de chegar à areia com alguns polvos pequenos presos à cintura. Desta vez não trouxe um livro comigo. Era necessário ter atenção a dobrar. E assim dei ordens a um olho que vigiasse a criancinha e ao outro que controlasse as matreirices do canídeo. O Max sentiu uma atração imediata pelos pombos que se passeavam na praia. E era vê-lo correr feliz atrás deles, sempre com esperança de caçar algum mais distraído. Com o passar do tempo, deixou-se adotar pelo casal de namorados e quando me apercebi corria alegremente atrás deles pela praia, como se a família dele fosse agora aquela.

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Diapositivo7A filhota tentava, junto ao areal molhado, fazer um castelo que, condicionada pela magia própria da idade, rapidamente transformou num bolo de aniversário com uma cereja grande no topo, feita com uma bola de areia, claro.

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A tarde estava perfeita, até eu avistar no cimo da muralha o funcionário dos parquímetros que, ao desbarato, disparava notificações de estacionamento em todas as direções onde houvesse carros sem ticket. Pelos vistos, terça-feira de Entrudo já não é dia de festa. Não houve assim tolerância em dia de “tolerância de ponto”. Assobiei, o Max veio a correr na minha direção, subimos os degraus do paredão até à estrada de calçada. Lá estava ela, a notificação, presa ao pára-brisas e estática porque não havia vento. Por coincidência, do outro lado do caminho encontrava-se a sede da empresa onde se podia proceder ao pagamento da referida multa. Estacionei em frente ao edifício e a minha filha de cinco anos, sem saber o que se passava pergunta-me: Mãe, o que vais fazer à Loja do Mobilidade? O que vais comprar? É o que dá ter uma filhota que no seu último ano de Pré-Escolar já lê tudo o que lhe aparece pela frente – pensei eu. Respondi-lhe: Ficas aqui no carro com o Max que a mãe vai, num instante, aqui a esta loja. Quando regressei ao carro, perguntou-me apreensiva: Só trazes papéis! Só vendem papel nessa loja? Pois é! – respondi-lhe, enquanto guardava o recibo do pagamento e a cópia do documento de reclamação que registei no livro amarelo. Saiu-me caro  o passeio, pensei eu, mas valeu a pena por tudo o resto que antecedeu este incidente.

Sardinhada em fevereiro e as nossas primeiras couves-de-bruxelas

Tem sido um inverno rigoroso. O frio, a chuva e os ventos repentinos têm sido uma constante. Eu que sou adepta fervorosa do verão já me sinto cansada deste tempo demasiado invernoso. Por isso, quando de entre as nuvens desponta um olhinho de sol,  aprecio o jardim e tudo o que emana do contato com a natureza. Aproveito para tirar fotografias a todos os pormenores que de longe passam despercebidos. Retrato um líquen, as árvores de fruto, as flores e as trepadeiras que se expandem pelos muros de pedra. Registo momentos de amizade genuína entre o Max e o Misha (cão e gato). Num destes percursos, passo pela horta e vejo que as couves-de bruxelas já estão a formar os novelos de couve ao longo do caule. Que planta fantástica. Colho os necessários para o acompanhamento do almoço. Apeteceu-me sardinhas na brasa. Recolhemos a lenha necessária para o grelhador de rua. Soube tão bem apreciar as labaredas que sem se aperceberem tornavam o meu dia mais quente. Cheirava a S. João e a noites amenas de convívio de verão. O sol foi contudo de pouca dura. Veio uma chuvada e num ápice tivemos de transferir o grelhador para debaixo do alpendre. O tempo a avisar-me que eu ainda não podia antecipar a minha estação.

Qualquer dia destes conto-vos a minha segunda tentativa de chamar o verão: um passeio de inverno na praia que também não correu bem.

Vamos então à sardinhada!

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Já na mesa!

Sardinhas Assadas na brasa com Batatas Cozidas e Couve-de-bruxelas

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Diretamente da horta cá de casa: as nossas couvinhas! Tão saborosas!
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Ingredientes
1 ou 2 pacotes de sardinha congelada gorda (frescas por aqui é muito difícil de haver).

sal

batata branca

couves-de-bruxelas

azeite

2 dentes de alho

1 cebola

vinagre de vinho tinto

1 pitada de açafroa

1 pitada de colorau/pimentão doce

mistura de cinco pimentas

salsa

Modo de Preparação

1. Lavam-se as sardinhas em água abundante, e removem-se as escamas. Secam-se com papel de cozinha.

2. Temperam-se com sal grosso.

3. Levam-se a assar na brasa ou em grelhador elétrico.

4. Depois de assadas de ambos os lados, retiram-se da grelha e dispõem-se numa travessa.

5. Prepara-se o molho verde. Numa tigela, coloca-se a cebola, o alho  e a salsa picadinhos. Cobrem-se com uma porção de vinagre para três de azeite. Tempera-se com pimenta, açafroa e um pouco de colorau. Verte-se parte do molho por cima do peixe. O restante poderá ir à mesa para ser servido com as batatas cozidas.

6. Previamente cozem-se as batatas e as couves-de-bruxelas que servirão de acompanhamento.

E quando é de amor que se trata…

O dia dos namorados é uma data comemorativa na qual se celebra a união amorosa entre casais. Neste dia, é comum a troca de cartões com mensagens românticas e de presentes, tais como as tradicionais caixas de bombons e as rosas vermelhas. É o que está instituído, como a lista de Dias Nacionais, Mundiais  e Internacionais que resolvi incluir abaixo. No entanto, apesar de compreender que a maioria dos dias estabelecidos são sensibilizações para causas humanas, doenças, tradições profanas e religiosas., lamento terem de existir estes dias para que as pessoas, alertadas pelos meios de comunicação social, sejam mais solidárias e atentas ao que as rodeia. Nestes dias, o amor também se encontra contemplado e são várias as iniciativas que nos fazem lembrar estereótipos do amor, quase todos associados ao consumismo. Distanciando-se desta intenção comercial, a 5ª Edição da Bundtmania, dinamizada pelo blogue As Aventuras de uma mamã, pretendeu celebrar o amor de forma doce e, de preferência, reunindo todos à mesa.  Cozinhar “é um modo de amar os outros”, como afirma Mia Couto. Assim, resolvi mimar os que me são mais próximos com este bolo que se destaca pelos sabores do melaço e da canela.

Bundt Cake de Melaço e Canela

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Ingredientes

250 g de açúcar amarelo

3 ovos

100 g de manteiga

300 g de farinha

1 colher de chá de fermento

1 colher de chá de canela

2 colheres de sopa de melaço

1 colher de sopa de caramelo líquido

2 cálices de vinho moscatel

1 pitada de sal

Modo de Preparação

1. Bater as claras em castelo com uma pitada de sal. Reservar.

2. Numa tigela, bater as gemas, com a manteiga e com o açúcar até obter uma mistura esbranquiçada.

3. Adicionar o melaço, a canela e o caramelo. Bater.

4. Juntar o vinho moscatel. Bater.

5. Ir adicionando a farinha peneirada e o fermento. Bater.

6. Envolver as claras no preparado com uma colher de pau.

7. Untar uma forma de bundt com manteiga e enfarinhar de seguida.

8. Verter a massa para a forma e colocar no forno, pré-aquecido durante 20 minutos a 180 ºC, entre 30 a 40 minutos.

Ingredientes para a cobertura glacê

220 g de açúcar em pó

1 clara de ovo

1 colher de café de sumo de limão

Modo de Preparação da Cobertura

Numa tigela, misturar muito bem com uma colher de pau os ingredientes até ficarem ligados. Barrar de imediato o bolo.

Depois de barrar o bolo com a glace branca, risquei-o com fios de melaço. O contraste do açúcar com o sabor do melaço combinou na perfeição com o interior do bolo.

***

E como é condição essencial deste passatempo a partilha de uma mensagem de amor, escolhi este pensamento profundo de Augustina Bessa-Luís:

“Que é amar senão inventar-se a gente noutros gostos e vontades? Perder o sentimento de existir e ser com delícia a condição de outro, com seus erros que nos convencem mais do que a perfeição?”

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1 de Janeiro – Dia de Ano Novo e Dia Mundial da Paz.

4 de Janeiro – Dia Mundial do Braille.

6 de Janeiro – Dia dos Reis Magos.

23 de Janeiro – Dia Mundial da Liberdade.

27 de Janeiro – Dia do Holocausto/

Último domingo de janeiro – Dia Mundial dos Leprosos

2 de Fevereiro – Dia Mundial das Zonas Húmidas.

11 de Fevereiro – Dia Mundial do Doente.

14 de Fevereiro – Dia dos Namorados.

21 de Fevereiro – Dia Internacional da Língua Materna.

22 de Fevereiro – Dia Europeu da Vítima.

8 de Março – Dia Internacional da Mulher.

11 de Março – Dia Europeu Pelas Vitimas do Terrorismo. .

15 de Março – Dia Mundial dos Direitos do Consumidor.

19 de Março – Dia do Pai.

21 de Março – Dia Mundial da Floresta (dia da árvore).

21 de Março – Dia Mundial do Sono.

21 de Março – Dia Internacional da Eliminação da Discriminação Racial.

21 de Março – Dia Mundial da Poesia.

22 de Março – Dia Mundial da Água. .

23 de Março – Dia Mundial da Meteorologia.

24 de Março – Dia do Estudante.

24 de Março – Dia Mundial da Tuberculose.

26 de Março – Dia do Livro Português.

27 de Março – Dia Mundial do Teatro

27 de Março – Dia Nacional do Dador de Sangue.

28 de Março – Dia Mundial da Juventude.

28 de Março – Dia Nacional dos Centros Históricos.

1 de Abril – Dia dos Enganos.

2 de Abril – Dia Internacional do Livro infantil.

7 de Abril – Dia Mundial da Saúde.

8 de Abril – Dia Mundial da Luta Contra o Cancro.

8 de Abril – Dia Mundial da Astronomia.

12 de Abril – Dia do Cosmonauta.

13 de Abril – Dia Mundial da Imprensa.

13 de Abril – Dia Mundial do Beijo.

14 de Abril – Dia Internacional do Café.

17 de Abril – Dia Internacional da Luta Camponesa.

18 de Abril – Dia Mundial do Radio Amador.

22 de Abril – Dia Mundial da Terra.

23 de Abril – Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor.

23 de Abril – Dia Mundial do Escuteiro.

23 de Abril – Dia Nacional da Educação de Surdos.

25 de Abril – Dia da Liberdade.

26 de Abril – Dia Mundial da Propriedade Intelectual.

28 de Abril – Dia Mundial da Prevenção e Segurança no Trabalho.

29 de Abril – Dia Mundial da Dança.

1º Domingo de Maio – Dia da Mãe.

1 de Maio – Dia do Trabalhador –

3 de Maio – Dia Internacional da Liberdade de Imprensa.

3 de Maio – Dia Internacional do Sol.

4 de Maio – Dia Internacional do Bombeiro.

5 de Maio – Dia Mundial do Trânsito.

6 de Maio – Dia Mundial de Oração pelas Vocações.

8 de Maio – Dia Nacional da Segurança Social.

9 de Maio – Dia da Europa.

10 de Maio – Dia Mundial do Doente de Lúpus.

12 de Maio – Dia Mundial do Enfermeiro.

13 de Maio – Dia Europeu do Melanoma.

15 de Maio – Dia Internacional da Família

15 de Maio – Dia Internacional da Latinidade.

17 de Maio – Dia Mundial das Telecomunicações.

18 de Maio – Dia Internacional dos Museus.

20 de Maio – Dia da Marinha.

21 de Maio – Dia Mundial para o Desenvolvimento Cultural.

22 de Maio – Dia do Autor Português.

22 de Maio – Dia Mundial para a Diversidade Biológica.

24 de Maio – Dia Europeu dos Parques Naturais.

25 de Maio – Dia da África.

27 de Maio – Dia Europeu do Vizinho.

29 de Maio – Dia Mundial da Energia.

29 de Maio – Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz das Nações Unidas.

31 de Maio – Dia do Pescador.

31 de Maio – Dia Mundial Sem Fumo.

1 de Junho – Dia Mundial da Criança.

2 de Junho – Dia da União Europeia.

4 de Junho – Dia Internacional das Crianças vítimas inocentes de agressão.

5 de Junho – Dia Mundial do Ambiente.

8 de Junho – Dia Mundial dos Oceanos.

10 de Junho – Dia de Portugal

13 de Junho – Festa de Santo António.

16 de Junho – Dia da Criança Africana.

17 de Junho – Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca.

20 de Junho – Dia Mundial dos Refugiados.

21 de Junho – Dia Europeu da Musica.

23 de Junho – Dia Olímpico.

24 de Junho – Festa de São João Baptista.

24 de Junho – Dia Nacional dos Ciganos.

26 de Junho – Dia Mundial de Luta Contra a Droga.

26 de Junho – Dia Internacional das Nações Unidas de Apoio às Vítimas de Tortura.

29 de Junho – Festa de São Pedro e São Paulo.

Primeiro Sábado de Julho –Dia Internacional das Cooperativas.

Primeiro Domingo de Julho – Dia Mundial do Salvamento.

1 de Julho – Dia da Biblioteca.

1 de Julho – Dia da Força Aérea.

2 de Julho – Dia da Polícia de Segurança Pública.

11 de Julho – Dia Mundial da População.

12 de Julho – Dia Mundial contra o Trabalho Infantil.

26 de Julho – Dia Mundial dos Avós.

28 de Julho – Dia Nacional da Conservação da Natureza.

9 de Agosto – Dia Internacional as Populações Indígenas.

12 de Agosto – Dia Internacional da Juventude.

15 de Agosto – Assunção de Maria

19 de Agosto – Dia Mundial da Fotografia.

28 de Agosto – Dia Mundial do Software.

31 de Agosto – Dia Internacional da Solidariedade.

3 de Setembro – Dia da Herança Europeia do Concelho da Europa.

8 de Setembro – Dia Mundial da Alfabetização.

Dia da Solidariedade das Cidades Património Mundial
.

16 de Setembro – Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozono.

21 de Setembro – Dia Mundial da Doença de Alzheimer.

22 de Setembro – Dia Europeu sem carros.

26 de Setembro – Dia Europeu das Línguas.

27 de Setembro – Dia Mundial do Turismo.

28 de Setembro – Dia Mundial do Coração.

Última semana de Setembro – Dia Mundial do Mar.

Primeira segunda feira de Outubro – Dia Mundial da Arquitectura.

Primeira segunda feira de Outubro – Dia Mundial do Habitat.

Segunda quarta feira de Outubro – Dia Internacional da Prevenção das Catástrofes Naturais.

1 de Outubro – Dia Mundial dos Idosos.

3 de Outubro – Dia da Infância.

4 de Outubro – Dia Mundial dos Animais.

5 de Outubro – Implantação da República/ Dia Mundial do Professor.

7 de Outubro – Dia Nacional dos Castelos.

9 de Outubro – Dia Mundial dos Correios.

10 de Outubro – Dia Mundial da Saúde Mental.

11 de Outubro – Dia Mundial Contra a Dor.

15 de Outubro – Dia da Bengala Branca.

16 de Outubro – Dia Mundial da Alimentação.

17 de Outubro Dia Mundial Contra a Pobreza e a Exclusão Social.

24 de Outubro – Dia das Nações Unidas.

24 de Outubro – Dia Mundial da Informação sobre o Desenvolvimento.

25 de Outubro – Dia Europeu da Justiça Civil.

31 de Outubro – Dia Mundial da Poupança.

1 de Novembro – Dia de Todos os Santos.

2 de Novembro – Dia de Finados.

6 de Novembro – Dia Internacional para Prevenção da Exploração do Meio Ambiente na Guerra e em Conflitos Armados.

9 de Novembro – Dia Internacional contra o Fascismo e o Anti-Semitismo. Este dia comemorativo foi instituído pelo Parlamento Europeu, no ãmbito da luta contra o racismo e a xenofobia na União Europeia.

10 de Novembro – Dia Mundial da Ciência ao Serviço da Paz e do Desenvolvimento.

11 de Novembro – Dia de São Martinho.

14 de Novembro – Dia Mundial dos Diabetes.

16 de Novembro – Dia Internacional da Tolerância.

17 de Novembro – Dia Mundial do Não Fumador.

20 de Novembro – Dia dos Direitos Internacionais das Crianças.

20 de Novembro – Dia da Industrialização de África.

Terceira Quinta-feira de Novembro – Dia Mundial da Filosofia

21 de Novembro – Dia Mundial da Televisão.

21 de Novembro – Dia Mundial da Saudação.

25 de Novembro – Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher.

29 de Novembro – Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestiniano.

1 de Dezembro – Restauração da Independência.

1 de Dezembro – Dia Mundial de Luta Contra a Sida.

2 de Dezembro – Dia Internacional para a Abolição da Escravatura.

3 de Dezembro – Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.

5 de Dezembro – Dia Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Económico e Social.

7 de Dezembro – Dia Internacional da Aviação Civil.

7 de Dezembro – Dia de Timor-Leste.

8 de Dezembro – Imaculada Conceição.

10 de Dezembro – Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

11 de Dezembro – Dia Internacional das Montanhas.

18 de Dezembro – Dia Internacional dos Migrantes.

25 de Dezembro – Dia de Natal.

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E quando o barro encerra tradição e arte…

Necessitava de comprar outro alguidar de barro para as alcatras que ocasionalmente faço. O primeiro, já velhinho, confirmou a semana passada que os seus dias estavam no fim. Uma fenda quase impercetível,  a torná-lo impróprio para utilização, transformá-lo-á em breve em vaso, perpetuando-se assim a sua existência até que a natureza queira. Decidi então que teria de comprar outro. Como por altura das festas açorianas do Espírito Santo temos a tradição de confecionar a tradicional alcatra, acheo que era melhor prevenir do que ter de remediar e fui comprar outro alguidar. Poderia tê-lo feito nas lojas de produtos regionais, mas resolvi, depois, ir à fonte: à olaria da ilha.

Foram momentos muito bem passados.

Um regresso ao passado com gente criativa do presente.

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Apesar da Olaria Simas constar dos roteiros turísticos da ilha Terceira, muitos dos habitantes locais nunca visitaram 0 espaço, situado na freguesia de São Bento. Ao fazerem-no, poderão ficar a conhecer a génese daquele local, o trabalhar do barro e os produtos finais desta tradição, que se encontram expostos na loja. E, ainda, sairão com a receita da tradicional alcatra terceirense, que o Ricardo amavelmente inclui dentro do alguidar de barro.

O Ricardo recebeu-nos com o mesmo sorriso sincero e luminoso de que me lembro desde que fomos colegas de escola primária. A minha mãe foi nossa professora da primeira à quarta classe. Na altura as questões éticas deste facto não se colocavam, apesar de interiormente e empiricamente perceber que por vezes não era fácil lidar com a dualidade mãe/professora.

O Ricardo decidiu dar continuidade ao negócio do tio: a olaria. Um ato de coragem no âmbito de um negócio que conduz com muito gosto e originalidade, como poderão constatar através das peças expostas.

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Ao regressar a casa,  trouxe no saco o meu novo alguidar para as alcatras. Daqui a duas semanas levantarei a minha frigideira de barro, que se encontra ainda em cura nas prateleiras da olaria. Quero por em prática algumas receitas dos meus antepassados provenientes da ilha do Pico.

Esta alcatra que vos trago hoje foi confecionada em alguidar de barro. Segui a receita da Susana do blogue Belina da Ilha, uma verdadeira perita em alcatras.

Alcatra de Feijão Branco

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Deixo-vos abaixo alguns links para acederem às alcatras da Susana.

Alcatra à Moda da Terceira

Alcatra de Feijão Branco

Alcatra de Borrego

Costeletas mistas à espanhola com conchiglione e o voltar à rotina

Os dias voltaram às rotinas. Voltou-se a preparar mochilas de véspera e lancheiras de manhãzinha. O mais velho já tem os livros e os materiais necessários para este novo ciclo que inicia. Nem acredito que já está no sétimo ano. A mais novita já passeia o trolley novo, das Winx ( no meu tempo não se ouviam falar de mochilas em cima de rodas, muito menos com a Barbie ou as Monster High estampadas. A Tuxa era a rainha das bonecas). As compras de supermercado processam-se novamente ao sabor da lista do que falta para a confeção das ementas da semana. Tudo acontece mais ou menos de acordo com um plano traçado. A minha vida profissional recebe novo desafio com a chegada de turmas diferentes. Fechou-se um ciclo com determinados alunos. Já voaram para o secundário. Alguns destes veem-me ao longe, vêm ter comigo e dizem-me que já estão a sentir saudades minhas e que a professora de inglês deste ano é assim ou assado, mas nada comparado comigo. Ouço-os e amparo-os ali uns segundos durante o intervalo. Seguem mais reconfortados. Outros passam por mim e querem cumprimentar-me mas pensam que já perderam esse direito e não o fazem por receio de não receberam um sorriso ou uma palavra da minha parte. Na adolescência três anos seguidos com as mesmas turmas concorrem para que muitos alunos levem para a vida um pouco de nós. Mas a realidade é que, após quinze anos de profissão, percebo que é tão bom vê-los chegar como vê-los partir. Tal como os seus pais, nós, professores, preparamo-los para o mundo da forma melhor que sabemos. O resto cabe-lhes interpretar. No entanto, a par do melhor da escola, que é a interação com os alunos, estão tarefas burocráticas que emanam dos repetitivos e quase dispensáveis conselhos de turma: horas perdidas a ouvir diretores de turma, a desfiarem rosários, e tempo sem fim a redigir atas, que apenas se alimentam de pormenores ditos essenciais.

Também a cozinha voltou à rotina e dela já começaram a sair os pratos de conforto típicos dos jantares em família.

costeletas mistas à espanhola

costeletas mistas à espanhola

Ingredientes

8 costeletas de porco (4 de lombo e 4 de cachaço)
1 pimento vermelho
4 dentes de alho
1 cebola grande
1 copo de vinho branco
1 copo e meio de água
3 colheres de sopa de azeite
1 lata pequena de tomate triturado
1 baga de piri-piri
pimenta preta
1 folha de louro
manjericão (para interior e decoração)
sal

Preparação

1. Coloquei no fundo de uma caçarola azeite.

2. Piquei a cebola e os alhos miudinhos (em Espanha a cebola é utilizada às rodelas). Coloquei-os na caçarola.

3. Adicionei a folha de louro, a baga de piri-piri (inteira ou desfeita). Deixei refogar um pouco.

4. Adicionei o pimento vermelho cortado aos pedacinhos pequenos. Deixei refogar. Acrescentei mais um pouco de azeite e adicionei o tomate e a pimenta preta.

5. Juntei as costeletas, previamente salpicadas com sal, e deixei que absorvessem os sabores do refogado. Adicionei a água e o vinho, certificando-me de que a carne ficava coberta. Envolvi todos os ingredientes com a colher de pau e tapei a caçarola. Deixei estufar cerca de 40 minutos em lume brando. É preciso ir vigiando para evitar que se agarre ao fundo da caçarola. Costumo sacudir o tacho, com tampa colocada, por duas ou três vezes durante a cozedura da carne.

6. Quase no fim da cozedura, aromatizei a carne com pedaços de folhas de manjericão.

Sobre as costeletas, deitei o molho e servi a carne acompanhada com conchiglione ou búzios grandes, como diz a minha filha. Em Espanha, as batatas cozidas servem de acompanhamento a este prato. Antes de servir, espalhei por cima da carne algumas folhas de manjericão (com salsa ou coentros fica também muito bem).

costeletas mistas à espanhola

Sobre refeições pré-cozinhadas…e este bacalhau

Quando faço bacalhau-à-Brás lembro-me sempre das refeições pré-cozinhadas que comprava nos tempos da faculdade. Durante a semana era cliente habitual da cantina da universidade. Cozinhar em casa era quase impensável. Não sabia o suficiente para isso. Não gostava. Pouco ou nada tentava. Perdia-se tempo a pensar o que se ia fazer e depois nas comprar. Para além disso, era um pouco confuso, pelo menos para mim, ter de partilhar a cozinha com mais três colegas de apartamento. Assim, depois de ter esgotado as marmitas que a mãezinha mandava com a comidinha caseira, a solução dos fins de semana eram as refeições pré-cozinhadas. As pizzas congeladas, as embalagens de diferentes confeções de bacalhau, de lasanhas e de empadas eram visitantes frequentes do meu carrinho de compras.  Passados já estes anos todos, exerço a minha profissão, que nada tem a ver com culinária, e, em casa, viajo entre doces e salgados,  reinvento na cozinha e vou mostrando o que se confeciona por cá. Perco-me a folhear livros e revistas de culinária. Experimento e aprendo, pois em culinária nunca se sabe tudo.

Quando faço o bacalhau-à-Brás, lembro-me, portanto, dos tempos em que consumia refeições pré-cozinhadas sem olhar aos malefícios que este hábito porventura poderia trazer à minha saúde e à minha bolsa, não sendo estas refeições propriamente as mais económicas do mercado.

Hoje, dou muito valor aos sabores genuínos, aos produtos saudáveis e ao dispender tempo para fazer pratos com significado, porque destinados à família e aos amigos.

O bacalhau foi demolhado e cozido com água e leite.
Os ovos são caseiros.
O azeite é de um produtor transmontano de confiança.
As batatinhas foram o meu pequeno pecado. Comprei a batata-palha já pronta a cozinhar. Ninguém é perfeito, não é verdade?

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Ingredientes

4 postas de bacalhau

1 embalagem de batata-palha média

8 ovos (comprados aqui)

2 cebolas médias

2 dentes de alho

1 colher de chá de massa de malagueta

mistura de cinco pimentas

azeitonas  saloias aromatizadas com orégãos

azeite

água e leite para cozer o bacalhau

Preparação

1. Coloca-se o bacalhau a cozer numa panela, coberto com três partes de água por uma de leite, uma cebola partida em quartos e os dentes de alho. Não se adiciona sal.

2. Corta-se a  outra cebola em pedaços pequenos e refoga-se em azeite. Adiciona-se a massa de malagueta. Mexe-se.

3. Junta-se o bacalhau já desfiado, sem peles nem espinhas, ao refogado. Envolve-se com uma colher de pau. Tempera-se com mistura de cinco pimentas. Coloca-se mais um pouco de azeite se necessário.

4. Batem-se os ovos com um batedor de varas ou com um garfo até ficar uma mistura espumosa.

5. Volta-se a ligar o fogão e vai-se adicionando aos poucos a batata palha ao bacalhau e mexendo para humedecer.

6. Juntam-se os ovos batidos aos poucos, mexendo sempre com a colher de pau até terem sido absorvidos e cozinhados.

7. Decora-se com salsa ( ou coentros) e azeitonas a gosto.

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