Bolo de curgette em dia de piquenique

Com a primavera começa o desejo por piqueniques. Com o verão esta ânsia acaba por se concretizar. Sem grande planeamento, e com o contributo de todos os convivas, a mesa do parque foi sendo preenchida com o que cada um trouxe na cesta. Foi um dia sem muito sol mas bastante agradável à sombra das árvores. Escolhemos novamente este ano os Viveiros da Falca, um lugar cuidado por mãos sábias onde a natureza é respeitada em todos os seus cursos.

Viveiros da FalcaViveiros da FalcaViveiros da FalcaViveiros da FalcaViveiros da FalcaViveiros da FalcaViveiros da FalcaViveiros da FalcaViveiros da FalcaViveiros da Falca

Viveiros da Falca

E como não pode haver piquenique sem bolo, eu fiz um bolo muito simples de chocolate e courgette sem cobertura, daqueles que não exigem prato. Corta-se uma fatia e saboreia-se até à última migalha sem que as mãos fiquem sujas de cremes.

Bolo de Chocolate e Courgette

Ingredientes

4 ovos médios

meio pacote de cacau em pó

300 g de courgette raspada às tirinhas

300 g de açúcar

400 g de farinha com fermento

1 colher de chá de fermento

1 colher de café de bicarbonato

1 colher de chá de aroma de baunilha

1 pitada de sal

Bolo de cholocate e courgette

Preparação

1. Batem-se as gemas com o açúcar muito bem.

2. Junta-se a courgette e bate-se até se obter um preparado aveludado.

3. Adiciona-se o cacau e o aroma de baunilha.

4. Peneira-se a farinha, o fermento e o bicarbonato para a tigela com o preparado anterior.

5. Batem-se as claras em castelo  com uma pitada de sal.

6. Unta-se e enfarinha-se uma forma e leva-se a cozer em forno pré-aquecido durante 30 minutos ou até o palito vir seco.

Bolo de cholocate e courgetteBolo de cholocate e courgette

Levem um bolo para o piquenique e sejam felizes ao ar livre!

Patrícia

Aventuras na praia e um incidente final

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Há dias, eu falava da minha vontade de chamar o verão. A primeira tentativa materializou-se numa sardinhada que apanhou chuva. A segunda e a terceira tiveram ambas lugar na praia. Acho que é o silêncio, o vazio e a imensidão deste local que me atrai no inverno. De verão prefiro as zonas balneares de rocha.

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Gosto especialmente dos passeios nas praias sem gente ou com pouca gente, como foi o caso de há três dias atrás. As personagens desta odisseia foram: eu, a herdeira mais nova e o Max, o fiel Labrador preto. Na tarde de terça-feira de Carnaval, enquanto metade da população descansava das noitadas de folia e a outra metade se preparava para queimar os últimos cartuchos do Entrudo, estacionei o carro junto à praia da cidade onde vivo, coloquei a trela no Max, ajudei a pequenita a retirar os apetrechos de praia e descemos a longa escadaria até ao areal. Eram três da tarde. O sol ainda ia alto mas nada abrasador. Sentia-se uma brisa quente e um cheiro a maresia inigualável. Na praia estavamos nós, um casalinho de namorados, que deitados partilhavam uma toalha, e dois mergulhadores, que acabavam de chegar à areia com alguns polvos pequenos presos à cintura. Desta vez não trouxe um livro comigo. Era necessário ter atenção a dobrar. E assim dei ordens a um olho que vigiasse a criancinha e ao outro que controlasse as matreirices do canídeo. O Max sentiu uma atração imediata pelos pombos que se passeavam na praia. E era vê-lo correr feliz atrás deles, sempre com esperança de caçar algum mais distraído. Com o passar do tempo, deixou-se adotar pelo casal de namorados e quando me apercebi corria alegremente atrás deles pela praia, como se a família dele fosse agora aquela.

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Diapositivo7A filhota tentava, junto ao areal molhado, fazer um castelo que, condicionada pela magia própria da idade, rapidamente transformou num bolo de aniversário com uma cereja grande no topo, feita com uma bola de areia, claro.

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A tarde estava perfeita, até eu avistar no cimo da muralha o funcionário dos parquímetros que, ao desbarato, disparava notificações de estacionamento em todas as direções onde houvesse carros sem ticket. Pelos vistos, terça-feira de Entrudo já não é dia de festa. Não houve assim tolerância em dia de “tolerância de ponto”. Assobiei, o Max veio a correr na minha direção, subimos os degraus do paredão até à estrada de calçada. Lá estava ela, a notificação, presa ao pára-brisas e estática porque não havia vento. Por coincidência, do outro lado do caminho encontrava-se a sede da empresa onde se podia proceder ao pagamento da referida multa. Estacionei em frente ao edifício e a minha filha de cinco anos, sem saber o que se passava pergunta-me: Mãe, o que vais fazer à Loja do Mobilidade? O que vais comprar? É o que dá ter uma filhota que no seu último ano de Pré-Escolar já lê tudo o que lhe aparece pela frente – pensei eu. Respondi-lhe: Ficas aqui no carro com o Max que a mãe vai, num instante, aqui a esta loja. Quando regressei ao carro, perguntou-me apreensiva: Só trazes papéis! Só vendem papel nessa loja? Pois é! – respondi-lhe, enquanto guardava o recibo do pagamento e a cópia do documento de reclamação que registei no livro amarelo. Saiu-me caro  o passeio, pensei eu, mas valeu a pena por tudo o resto que antecedeu este incidente.

De volta

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Voltei de uma viagem aos verões da infância e aos lugares de outrora, que me aconchegam sempre. Voltei de dois universos diferentes: da ilha montanha, o Pico, a mais alta em tantas coisas, e da ilha do Faial, um misto de paisagens. Infiltrei-me no azul e no verde, como se eu fosse um elemento intruso e, ao mesmo tempo, uma partícula integrante da mesma natureza. Respirei tanto mar e tanto campo, espaços que elejo e valorizo porque fui habituada desde cedo a eles. Perdi-me no negro da extensão da rocha basáltica até chegar ao mar. E o tempo foi de convívio entre a família distante. Foi de rever amigos, de relembrar histórias e episódios do passado.  Foi de conhecer pessoas novas, que me prenderam pelas suas perspetivas e modos de estar na vida. Foi de ouvir. Foi de conversar. Foi de tirar conclusões. Foi de aprender. Foi de ler muito e muito, sem hora marcada para acabar. Foi de ouvir os cagarros nos serões noturnos. Foi de fotografar aos fins de tarde. Foi de desejar congelar momentos. De querer registar. De fazer tantas coisas sem integrar rotinas. E senti-me tão bem neste descanso quase sem calendário.

As férias recebem o condão de nunca serem em demasia.

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Que lindo o meu Pico visto da nossa casa de verão!

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Antes de visitar a Quinta das Rosas, vejam como da ilha do Pico vi a ilha do Faial com os ilhéus pelo meio.

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Na Baía de Canas

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A única praia de areia da ilha do Pico situa-se em Baía de Canas e carateriza-se por ter areia muito fina e escura. O caminho até lá
chegar tem de ser feito a pé em percurso arenoso ladeado de canavial. Muito agradável e recôndita.

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À conta do mergulhador cá de casa, nunca faltou peixe fresco e lapas em casa.
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A ilha do Pico é também conhecida pelas suas piscinas naturais. Esta localiza-se em S. Roque.

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A ilha do Pico e a do Faial devido à sua proximidade premeiam-nos com agradáveis passeios de barco pelos ilhéus.
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Chegada à ilha do Faial. Um presépio visto do mar.

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Baía do Porto Pimfoodwithameaning

Um cagarro- ave noturna-  quase imóvel porque encadeado pela luz do dia.foodwithameaning

Praia de Porto Pim

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Parque de S. João – Ilha do Pico- zona de piqueniques e lazer

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Piscinas da Furna – ilha do Pico

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Guindaste- Furna – local de nidificação de cagarros e aves marinhas- paisagem protegida

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Quem vai ao Pico tem paragem obrigatória nas adegas.

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São servidos? Eu fui.foodwithameaning

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Arcos do Cachorro- Apontamento decorativo numa janela de uma casa de veraneio junto ao mar.
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Mero- espécie protegida.

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Garoupafoodwithameaning

Vista para o mar das piscinas das Ribeiras

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Passagem de barco pela ilha de S. Jorge.

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Vila das Velas- ilha de S. Jorge

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Para além dos passeios, a pesca de costa fez as delícias das crianças.

Melhor pescaria das férias: 5 canas de pesca+ 1 pescador “profissional”+ 4 pescadores amadores= 123 carapauzinhos numa período de uma hora.

Um dos pontos altos das férias, sem dúvida.

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Enquanto pescávamos, fomos surpreendidos por este garajau curioso. Lindo!

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Aqui estão os carapauzinhos no pau acompanhados com inhame do Pico e curtume de perrexil e servidos em pratos antigos da minha avó.

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Vamos então à receita.

1. Escama-se o peixe e retiram-se as entranhas com os dedos.

2. Lava-se o peixe.

3. Enfileira-se peixes uns a seguir aos outros, espetados em pauzinhos de madeira.

3. Tempera-se com sal e reserva-se durante uma hora.

4. Seca-se o peixe em papel de cozinha antes de envolver em farinha de milho amarela e levar a fritar em óleo.

Obs. Os pauzinhos de espetadas facilitam o virar do peixe durante a fritura.

5. Acompanha-se com inhame cozido e curtume.

E com a minha foto eleita das férias no Pico me despeço. Foi tirada na Quinta das Rosas, num dia perfeito.

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Voltei com pena de não ter subido a montanha do Pico. Fi-lo à vinte anos atrás. Está na lista de intenções voltar a fazê-lo. Fica aqui prometida a reportagem desse feito.

E neste voltar  a casa sinto que estas ilhas são o melhor lugar do mundo, ou melhor, o centro do mundo, como afirma o escritor açoriano  Joel Neto na crónica de 28 de julho.

Agora o lazer fará parte  dos fins de tarde, ainda luminosos, e dos fins de semana.

Voltei  “ao sabor do vento e das vontades”.

Espero que, mesmo assim, continuem por aí.

Patrícia

A criança que existe em nós

Neste dia Mundial da Criança partilho convosco não uma receita mas um poema de Fernando Pessoa. Afinal, tal como o poeta, todos sentimos alguma nostalgia ao recordar os tempos idos da nossa infância.

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A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.

Fernando Pessoa

A festa do pão dado pelo Divino – parte II

Aqui nos Açores celebramos este fim de semana as festas do Espírito Santo. O ano passado escrevi sobre os rituais desta tradição açoriana.

Este ano, trago-vos a reportagem fotográfica para que conheçam pormenores da festa e deixo-vos a receita do alfenim, um doce típico desta época.

Festas do Espírito Santo na ilha Terceira

Festas do Espírito Santo na ilha Terceira

No interior dos impérios o altar é enfeitado com as coroas do Espírito Santo.

Festas do Espírito Santo na ilha Terceira

Estas coroas são utilizadas no final da missa para proceder à coroação dos mordomos da festa, quem fez promessa ao Espírito Santo e quem detém toda a despesa que envolve a festa, na qual se inclui o pão.
Festas do Espírito Santo na ilha Terceira

Algumas janelas dos impérios são engalanadas com toalhas e bandeiras com os símbolos do Espírito Santo. Esta temática encontra-se também expressa através de trabalhos em prata e estanho.Festas do Espírito Santo na ilha Terceira

Para além do império, e em anexo a este, encontra-se a Despensa do Império. Nesta guarda-se o pão que será distribuído na festa, o vinho e algumas brindeiras, pequenos pães de massa doce distribuídos às crianças da coroação.Festas do Espírito Santo na ilha Terceira

Quem visitar a despensa do império poderá experimentar alguns petiscos locais: as favas escoadas, a carne assada, o queijo, a massa sovada… e provar o vinho.

As senhoras que se encontravam por detrás dessa mesa, quando lhes pedi se autorizavam as fotografias disseram-me: E depois das fotos, a menina  faça o favor de gastar! Fazemos questão!

Achei interessante o termos “gastar” pois apesar de noutros contextos implicar despesa, ali significava algo dado com o coração, o que não invalida uma pequena contribuição colocada na coroa se a pessoa assim o entender.

Festas do Espírito Santo na ilha Terceira

O pão para a distribuição à saída da Despensa do Império.

Festas do Espírito Santo na ilha Terceira

As cestas em que o pão é distribuído são muitas vezes revestidas de toalhas brancas com rebordos em renda fina.

Festas do Espírito Santo na ilha Terceira

Festas do Espírito Santo na ilha Terceira

Festas do Espírito Santo na ilha Terceira

Nestes dias de festa, as crianças vestem-se com vestidos brancos para participarem nas coroações. Os sacramentos da Primeira Comunhão e do Crisma são tradicionalmente ministrados nesta altura festiva.Festas do Espírito Santo na ilha Terceira

Algumas freguesias distribuem pão doce e outras o tradicional pão de água.

Festas do Espírito Santo na ilha Terceira

As filarmónicas locais abrilhantam as procissões e o arraial da festa.

Festas do Espírito Santo na ilha Terceira

Nas freguesias das Lajes e da Vila Nova, é tradição a decoração destes carros com colchas e toalhas alvas, raminhos de verdura e fitas de cetim.

No seu interior encontram-se petiscos feitos pelos donos, normalmente oferecidos aos amigos que por ali passam.Festas do Espírito Santo na ilha Terceira

O Alfenim é o doce típico destas festas. A par com os pães de massa sovada, as rosquilhas, também de massa doce, o alfenim é presença obrigatória nos altares dos impérios, fazendo parte depois dos produtos que são arrematados no fim da festa.Festas do Espírito Santo na ilha Terceira

Na próxima semana teremos aqui no blog as tradicionais sopas do Espírito Santo, a célebre alcatra à moda da ilha Terceira e o tradicional arroz doce.

Abaixo, duas fotos de uma menina feita em alfenim, uma oferta que os meus pais fizeram à minha pequenita.

Festas do Espírito Santo na ilha Terceira

Festas do Espírito Santo na ilha Terceira

A arte em alfenim e a receita.

Uma excelente semana para todos. Por cá gozamos de feriado regional.

Passeio e trança colorida para o lanche

Quando há um olhinho de sol, convido as crianças para um suplemento de vitamina D. Vestimos os fatos de treino. Calçamos as sapatilhas e passeamos pelos arredores. Sair de casa sem horários e sem preocupações com a indumentária é das coisas de que mais gosto. Levámos o fiel Max connosco e fomos à aventura. Desta vez, tinha cá em casa a minha mãe e a minha sobrinha. Todo  o grupo feminino alinhou no passeio. Era sábado.  São Pedro achou que merecíamos tréguas no mau tempo e ofereceu-nos uma manhã e uma tarde primaveril. Fomos então caminho abaixo, concedendo às crianças algumas paragens: para apanharem flores, para se admirarem com as vaquinhas e os cavalos nos campos e para beberem água. Fomos também cheias de paciência para o Max, que não perdia a oportunidade de farejar este ou aquele cantinho, marcando o respetivo território. As crianças soltavam risos de tão contentes que estavam. Propus o regresso a casa por outro caminho. E aqui começou a aventura. Adoraram regressar pela mata.

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Admiraram-se por algumas árvores terem caído com o mau tempo, mas depressa sentiram a adrenalina de terem de ultrapassar os obstáculos que iam aparecendo.

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Sentiram o cheiro que emanava das folhas de eucaliptos pisadas.

Começaram a colecionar “botões” de eucalipto, mas depressa se fartavam deles e lançaram-nos ao ar como se fossem confetis.
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Descobriram em troncos de árvores, e entre a ramagem caída no chão, colónias de cogumelos.

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Ao chegarem a casa, o lanche colorido fez com que dois sorrisos se alargassem de orelha a orelha.

Comeram à pressa.

Fugiram para o baloiço na tentativa de ver quem lá chegava primeiro.

-Uma de cada vez. Nada de pressas! – gritei da porta da cozinha, mas fiquei com a convicção de que não prestaram sentido. Queriam aproveitar o sol.

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Ingredientes para três tranças
250 g de leite
100 g de margarina (utilizei manteiga com sal)
120 g de açúcar
1 saqueta de fermento seco
2 ovos
700 g de farinha
1 colher (de chá) de sal(não coloquei)
1 gema de ovo para pincelar
missangas coloridas

Preparação
1. Colocar no copo o leite, a margarina, o açúcar e programar 2 minutos/ 37 graus / velocidade 2.
2. Juntar o femento, os ovos e programar 10 segundos/ velocidade 6.
3. De seguida, adicionar a farinha, o sal e programar 3 minutos/ velocidade espiga.
4. Deixar levedar durante 20 minutos, num local morno.
5. Fazer nove rolos iguais e formar três tranças. Colocá-las no tabuleiro do forno, forrado com papel vegetal.
6. Pincelar com gema de ovo
7. Decorar com missangas coloridas.
8. Levar ao forno pré-aquecido a 50 graus até que dobre de volume.
9. Aumentar a temperatura para 180 graus cerca de 25 minutos.

receita adaptada do livro básico da Bimby

Aproveitam a natureza, o sol e tenham uma Feliz Páscoa!

 

Mais viagens na minha terra

São nove da manhã. Quase impensável estar a esta hora, e num sábado, às compras no mercado municipal. Acresce o facto de ter conseguido ter as crianças acordadas e preparadas para sair num dia devotado ao descanso. Levantar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer. Foi sempre este o meu lema, mesmo nos tempos académicos. Dormir, apesar de necessário, é a perda do tempo que podemos direcionar para atividades dinâmicas e enriquecedoras.

Estaciono o carro numa rua lateral da catedral dos Açores, no centro da cidade de Angra, ainda quase totalmente adormecida. O café Atanásio e os Armazéns Zeferino já têm as portas abertas, mas as boutiques e as sapatarias ainda acumulam silêncio interior. Alguns funcionários dos serviços municipalizados varrem as evidências deixadas pelos atos noturnos da rapaziada, concretizados em beatas e garrafas de cerveja. Um ou outro folheto voa anunciando espetáculos de circo com palhaços divertidos e animais tristes.

Atravessamos a rua da Sé e seguimos rumo à rua do Teatro Angrense. Subimos uma escadaria solitária junto às saídas de emergência do edifício do teatro e deparamo-nos com uma das portas viradas a sul do mercado duque de Bragança. Chegamos à praça, como a este mercado se referem os antigos.

As crianças já vêm despertas com o ar fresco da manhã e prontras para descobertas e compras.

Mercado Duque de Bragança

Correm de imediato para um pequeno chafariz. Pretendem ver os peixes e as rãs que se escondem debaixo das folhas de nenúfar.

Mercado Duque de Bragança
Mercado Duque de Bragança

Sentem curiosidade sobre objetos de outros tempos, expostos em mesas e no chão do exterior de uma das lojas do mercado. Móveis, máquinas de costura, balanças, loiça de barro, de cerâmica e de vidro, objetos em ferro e em madeira, frascos de curtume e de massa de malagueta e fotos antigas contribuem para um imediato regresso ao passado. Entro na loja, avisando a descendência para que apenas visse com os olhos, e deparo-me com um trio de caldeirões de ferro que jaziam no chão de mosaico. Lá ao fundo, encostada a uma parede encontra-se uma lindíssima cama de ferro pintada a branco. Nas prateleiras dos móveis acumulam-se coleções de copos e de chávenas que assistiram ao passar de várias gerações e que dividem o espaço com bibelôs de pássaros e de meninos de ar angélico e plácido.

Mercado Duque de Bragança

Mercado Duque de Bragança

Mercado Duque de Bragança

Mercado Duque de Bragança
Num recanto perdido do mercado, e junto a uma escadaria que dá acesso ao piso superior, a natureza desponta num alguidar de alcatra, protegida das intempérides pelo espaço que antes fora de um contador da água. Um momento alto.

Mercado Duque de Bragança

Mercado Duque de Bragança

As portas da peixaria já se encontram abertas. Entro e, entre os pregões dos homens do mar, encontro o peixe que procurava: um belo exemplar de salmonete do alto, perfeito para a salada de peixe que pretendo fazer.Tive sorte. Nem sempre surge na lota. Dizem os pescadores que aparece pouco nas redes e com mais frequência quando vão à pesca do congro. É um peixe de fundo, portanto.
Os miúdos ouvem com ar atento as explicações do pescador à medida que este amanha o peixe e, junto à banca, queixam-se baixinho do cheiro a peixe e do chão alagado que molha ao de leve as bainhas das calças dos mais distraídos.

Saímos da peixaria.

Começamos a percorrer o corredor central do mercado. Somos de imediato recebidos por um expositor de próteas. Lindas e  de produção local.

Mercado Duque de Bragança
Dirigo-me aos vendedores que conheço desde sempre. Confio neles. Compro-lhes laranjas da ilha do Pico, inhames e leguminosas secas. Nas mãos pesam-me já os sacos, mas não saímos sem antes entrarmos no talho: o melhor da ilha em termos de qualidade, apresentação dos produtos e simpatia.
Mercado Duque de BragançaMercado Duque de BragançaMercado Duque de Bragança
Ao deixarmos as portas do mercado para trás, reparamos que a cidade já se havia transformado. As pessoas dirigiam-se com azáfama de loja em loja e os automóveis, agora mais que muitos, imprimiam outra sonoridade ao ambiente antes quieto.

Avistamos o nosso carro. Estava na hora de regressar a casa.

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Já em casa, arrumo o conteúdo dos sacos e ponho a cozer  uma porção de feijão catarino que tinha deixado a demolhar de véspera.

Este e os inhames  fazem parte desta sopa.

Creme de inhame e feijão catarinoCreme de inhame e feijão catarino

Ingredientes

2 inhames médios cozidos

250 g de feijão catarino cozido (ou outro da vossa escolha)

1 courgette média

3 cenouras

1 pedaço de abóbora

1 cebola

sal

azeite

água (utilizo a água da cozedura do feijão)

1 ramo de cheiros com tomilho-limão

1 pedaço de linguiça

Preparação

1. Opto por já comprar os inhames cozidos. Se assim não fosse teria que cozê-los na panela de pressão. O tempo de cozedura varia consoante a quantidade e o tamanho dos inhames.

2. Cozo o feijão num panela com bastante água sem sal . Utilizo a  água da cozedura para a sopa. Quem preferir comprar o feijão enlatado, poderá utilizar o líquido da lata.

3. Escorro o feijão, depois de cozido, e reservo-o.

4. Corto a cebola em meias-luas, coloco-a numa panela e refogo-a ligeiramente em azeite.

5. Adiciono a esta panela a abóbora, a courgette, a cenoura  e o raminho de cheiros com o tomilho-limão. Cubro os legumes com água da cozedura do feijão. Quando esta não é suficiente, acrescento mais. Insiro na panela o pedaço de linguiça. Tempero com sal.

6. Quase no final da cozedura adiciono o feijão reservado e o inhame aos pedaços. Retiro o pedaço de linguiça e o ramo de cheiros e trituro a sopa com a varinha mágica tranformando-a num creme aveludado.

 

Se em vez da sopa preferirem esta sugestão,
Rissol gigante_ foodwithameaning_receitas ao desafio

encontram-na aqui, no Receitas ao Desafio.

Um ótimo fim de semana.