Taste in Adegas 2017…Take 1

 

Quando pensamos na ilha do Pico, associamos o modo de vida dos picoenses à cultura das adegas. São muitas as famílias que possuem uma adega, quase sempre junto ao mar. A definição convencional de adega, parte de uma casa, geralmente subterrânea, onde se guarda vinho, azeite e outras provisões,  não caracteriza a amplitude do conceito de “adega” picoense. Partilha do facto de ser um armazém, em ponto pequeno, da produção de vinho, aguardentes e licores provenientes de cada família, mas é, sobretudo, uma pequena casa em pedra basáltica, muitas vezes com uma divisão apenas, que alberga os barris e e os garrafões com as produções vitivinícolas de cada família, um espaço rústico de cozinha e algumas zonas de descanso, sempre com uma mesa a meio para receber os amigos. É um espaço onde se conjugam sabiamente os vinhos e as aguardentes com petiscos típicos, como as lapas grelhadas, o caranguejo frito, o caldo de peixe, sempre acompanhados com o tradicional bolo de milho. Visitar a ilha do Pico sem fazer uma viagem enogastronómica a uma adega é deixar algo muito importante para trás, uma vez que as adegas sempre foram a sala de visita do picaroto.

Com o intuito de dar a conhecer uma rota de vinhos e petiscos, a ADELIAÇOR promoveu este ano, a 7, 8 e 9 de julho, e na ilha do Pico, a quinta edição do Taste in Adegas, um dos maiores eventos enogastronómicos dos Açores. Este ano estiveram em prova 15 vinhos de 5 produtores certificados em 4 locais de degustação – Adega a Buraca, Curral Atlantis, Cooperativa Vitivinícola da ilha do Pico e Azores Wine Company. Estiveram à prova vinhos brancos, tintos, rosés e licorosos, produzidos pelos produtores do Pico, nas adegas, vinhas e winehouses aderentes. A edição deste ano contou com a colaboração da Escola de Formação Turística e Hoteleira de Ponta Delgada e foi co-financiada pelo PRORURAL+.

Iniciativas como o Taste in Adegas, para além de serem um roteiro de divulgação dos vinhos do Pico, promovem a importância da cultura da vinha e do seu património, já classificados pela UNESCO como património da humanidade.

Sem querer perder esta oportunidade única de degustação, selecionei, nesta edição duas adegas localizadas no Concelho de Madalena: a Curral Atlantis e a Cooperativa Vitivinícola da ilha do Pico. Hoje dedico a reportagem aos vinhos Curral Atlantis.

Embarquei numa aventura que apelou aos 5 sentidos. Provei os vinhos temperados de maresia e conheci os seus produtores. Momentos inesquecíveis. Venham comigo!

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Waldorf de morango com tártaro de veja e maionese de coentro

acompanhado com um vinho rosé Curral Atlantis

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Atum à Bulhão-Pato com puré de fava fresca e poejo

acompanhado com Verdelho & Arinto dos Açores

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Polvo assado e lula em feijão arroz

acompanhado por Curral Atlantis & Merlot Cabernet

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Pudim de mel com migalhas de toffee e redução de Atlantis

acompanhado com Néctar dos Currais

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E com esta foto de um dia perfeito termino esta reportagem. Amanhã seguiremos outra rota de vinhos e petiscos.

Deixem-se estar por aí!

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Carré de borrego com sabores indianos e com laranja (e algumas confissões fotográficas à mistura)

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Carré de borrego com sabores indianos e laranja

Algumas pessoas que seguem o blogue perguntam-me se os pratos que confeciono são apresentados a pensar na reportagem fotográfica. Claro que são. Mas também lhes explico que as loiças que utilizo nas fotos são de facto as que de seguida vão para a mesa do almoço ou do jantar, conforme seja o caso. Quanto menos loiça se sujar tanto melhor. Confesso que esta atividade de foodblogger fez desenvolver em mim o vício da compra de props,  de todas as cores e feitios, recentes e ou com muitas histórias para contar, como as loiças que compro nas lojas de segunda-mão. Relativamente aos atoalhados, aos talheres e às peças decorativas que utilizo nas fotos, estes nem sempre são manipulados diariamente e encontram-se nos armários com gavetas e prateleiras apenas destinados à composição fotográfica. Para além disso, raramente se tornam práticos à mesa, especialmente quando dela fazem parte um adolescente com dificuldades em gerir o espaço  e uma criança com “bicho-carpinteiro”.

Acho que chegou a hora de desmistificar algumas ideias sobre a composição das fotos:

a) as bases onde fotografo não são as nossas mesas, salvo raras exceções (foram expressamente criadas ou recuperadas para o efeito);

b) não possuo um estúdio de fotografia em casa (apenas utilizo luz natural e tento tirar partido dela durante a exposição dos pratos  à mesma);

c) não possuo uma máquina fotográfica topo de gama (fotografo com uma Canon EOS 700D e com a respetiva lente de 18mm/55mm);

d)  nem todas as receitas que faço dão certo (na minha cozinha acontecem alguns desastres culinários, como em tantas outras, presumo);

e) não faço comida especial e fantástica todos os dias (muitas vezes, nas marmitas encontram-se almondegas com esparguete e salada de atum, o que causa por vezes indignação ao dono da marmita ao lado);

f) nem sempre o pessoal de casa gosta das minhas receitas (gosto de experimentar combinações  e temperos diferentes e nem sempre tenho palatos recetivos à estranheza e à novidade);

g) existem vozes descontentes (especialmente quando acontece algum atraso na sessão fotográfica e se encontram três esfomeados à mesa)

h) 90% das vezes fotografo com a comida já fria (o fumo do calor embacia a lente, a menos que se queira o efeito da fumaça, bastante difícil de se conseguir sem se proceder à utilização de layers). Algumas vezes, preparo previamente o prato para a foto  e o restante já está em cima da mesa, para que seja apreciado quentinho.

i) Não demoro uma eternidade na reportagem fotográfica, mas raramente tiro menos de 15 fotos a cada prato (normalmente, para evitar alguma perda de tempo, costumo, à medida que vou confecionando o prato, ir pensando na forma como o vou apresentar: loiça, talheres, atoalhados, peças decorativas, fundos, bases, flores, ervas aromáticas, etc. Vou compondo mentalmente todo o cenário que pretendo transmitir e, confesso, esta parte de food styling é mesmo o que mais prazer me dá neste hobby de foodblogger que abraço há 6 anos);

j) Não perco quase tempo nenhum com a edição das fotos. Um toque na luminosidade e no contraste acaba por ser o que faço na maior parte das vezes, por falta de tempo (tenho imensa pena que assim seja, já que com tempo e com o Lightroom, ou com outro programa de edição, poderia enriquecer as fotos).

Este carré  de borrego, a receita de hoje, teve de ser submetido a disparos muito rápidos, porque tinha de ser saboreado de imediato, daí eu estar um pouco descontente com as fotos. Contudo, garanto-vos que de sabor estava DELICIOSO!

Confissões e truques de amadora à parte, gostaria ainda de vos dizer que as travessas das fotos acima têm a assinatura DeBORLA e simplesmente não as dispenso porque as acho lindas.

Carré de borrego com sabores indianos e com laranja

Carré de borrego com sabores indianos e com laranja

Ingredientes para o Carré de borrego

  • 1 carré de borrego
  • azeite q.b.
  • 4 dentes de alho
  • 2 colheres de sopa de caril
  • 2 laranjas (sumo)
  • 1 malagueta
  • folhas de hortelã-pimenta
  • paus de canela
  • pimenta rosa
  • sal q.b.

Preparação

  1. Tempere a carne sal, com azeite, os dentes de alho picados, o caril, o sumo das laranjas, a malagueta picada, a pimenta rosa, as folhas de hortelã-pimenta e os paus de canela. Misture bem. Deixe marinar cerca de meia hora.
  2. Sele todos os lados da carne numa frigideira.
  3. Leve a carne ao forno, pré-aquecido a 180 ºC, durante 15 minutos.
  4. Sirva com laranja cortada em gomos ou fatiada.
  5. Acompanhe com as batatas da receita abaixo.

Ingredientes para as Batatas Assadas com Chili e Ervas Aromáticas

  • 1 quilo de batata vermelha (para assar)
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • alho em pó
  • sal
  • manjericão e tomilho fresco
  • flocos de chili

Preparação na Actifry

  1. Lave as batatas muito bem, limpando-as com um esfregão para retirar sujidade da pele.
  2. Corte cada batata no sentido do comprimento por duas vezes até formar 4 partes iguais (ver foto).
  3. Disponha as batatas na cuba da Actifry, tempere com sal, alho em pó, manjericão, tomilho e com flocos de chili.
  4. Marcar 15 minutos.

Servir de imediato.