Anfitriã da ilha Terceira em Échapées Belles… uma aventura em francês

Foi com muito prazer que aceitei o convite para ser anfitriã, aqui na ilha Terceira, da equipa de reportagem do programa Échappées Belles, pertencente ao canal francês France 5. Este é um dos canais culturais da televisão francesa, estando o programa acima referido no ar há mais de dez anos. Tem, por esse motivo, muita audiência em todo o mundo. Já há muito tempo que as nossas ilhas atlânticas estavam na mira da equipa de produção do programa, e em abril passado, durante três semanas, as ilhas de São Miguel, Faial, Pico, São Jorge e Terceira foram as eleitas para a conceção de um programa de hora e meia de duração.  Foi através do blogue que recebi o convite, já que para além das belezas naturais dos locais visitados o programa de viagens gosta de destacar alguns aspetos gastronómicos. Esta foi, também, uma forma de desenvolver o meu francês, que, confesso, se encontrava um pouco enferrujado, apesar de recentemente ter tido a oportunidade de passar dez dias de férias em França.  Esta foi também ocasião para e conhecer os bastidores deste tipo de programas, tão apreciados pela generalidade dos espectadores. Bem, que conclusões tirei desta interação com esta equipa francesa? Primeiro, que os açorianos têm a sorte de viver num cantinho do céu, (apesar de já saber disso) pelas belezas naturais, pela importância conferida ao ambiente, pela afabilidade e hospitalidade e pela gastronomia. Acreditam que só conhecemos de verdade o local onde vivemos quando somos anfitriões e assim percorremos a ilha com maior pormenor falando sobre os seus diferentes aspetos?  A rotina diária faz, infelizmente, com que muitos coisas ímpares se tornem vulgares. Outra coisa que aprendi foi que apesar de muitas pessoas pensarem que estes programas de viagens são apenas entretenimento para os intervenientes, este facto é um verdadeiro mito. Pensava assim sempre que assistia ao programa No Reservations de Anthony Bourdain. Devia ser um espetáculo acordar em países diferentes, passear constantemente, interagir com as pessoas e experimentar as delícias gastronómicas. Percebi que neste tipo de programas há tempo para isso, mas este remete-se apenas a pequenos intervalos entre gravações. Garanto-vos que passar vários dias a gravar, seguir um guião, repetir sempre que algo inesperado ocorre e não ter horas estipuladas para as refeições transformam esse trabalho em algo bastante cansativo. Num dos dias, foram doze horas seguidas de gravações, mas havia que manter sempre um ar fresco e um espírito animado, ou seja, havia que incorporar o papel de ator. Se consegui representar bem a minha ilha, cabe ao espetador dizer. No meu entendimento, muito ficou por mostrar, mas o alinhamento das filmagens e o tempo destinado a cada ilha, criado pela equipa de produção, teve de ser respeitado.  Somados todos os fatores, posso afirmar que a experiência foi incrível e o balanço muito positivo!

A receita que eu e o apresentador, Jerôme Pitorin, confecionámos foi o Folar Açoriano, que já se encontra já aqui publicada.

Deixo abaixo o link se desejarem ver a reportagem!

Preparação Tradicional  do Folar Açoriano

Ingredientes

  • 800 g de farinha
  • 100 g de manteiga
  • 3 ovos
  • 10 colheres de sopa de açúcar (200 g)
  • 250 ml de leite
  • 1 saqueta de fermento granulado (11g)
  • 1 colher de café de canela (opcional)
  • 1 colher de café de sal fino
  • raspa de meio limão
  • 1 ou 2 ovos cozidos com casca de cebola para enfeitar o folar
  • 1 gema de ovo para pincelar o folar

Dissolve-se o fermento num pouco do leite morno. Em seguida faz-se uma massa com o fermento diluído, 100 g de farinha e uma colher de sopa de açúcar. Deixa-se levedar cerca de 30 minutos em local morno.
À parte amassa-se a restante farinha com os ovos, e o restante açúcar e leite. Amasse até a massa estar leve e arejada. Acrescenta-se a manteiga derretida, a raspa de limão, a canela e o sal. Mistura-se todos os ingredientes muito bem e acrescenta-se o fermento levedado. Continua-se a amassar até que a massa se desprenda das mãos. Cobre-se a massa com um pano e envolve-se o alguidar numa manta. Deixa-se levedar cerca de 5 horas em local aquecido.
Molda-se a massa numa bola, polvilhando com farinha até que se desprenda dos dedos e colocam-se os ovos cozidos em cima. Prende-se os ovos com tiras de massa. Pincela-se o folar com gema de ovo e vai a cozer em forno quente.
Cada folar é colocado em cima de uma folha de conteira, que, dizem os antigos, confere um sabor muito especial e rústico à base da massa.