Rebuçados de tangerina…em conto

Quando publiquei a receita destes rebuçados de tangerina, despertou em mim a vontade de escrever este conto. As personagens e os cenários começaram a desenhar-se  e gostei principalmente do facto de ter deixado a narrativa fluir ao sabor da inspiração e das vontades. Faz este mês um ano que o escrevi. Hoje deparei-me com uma pasta onde tinha guardado o texto e resolvi partilhá-lo com quem tiver a paciência de o ler.

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Rebuçados de Tangerina

Era conhecida como a Ana dos Rebuçados. Tinha voltado ao campo depois de quatro anos de vida na cidade grande. Lisboa ficara para trás. A vida por lá não lhe correra como o esperado. Voltara então à aldeia. Sozinha. O casamento não dera certo. A cidade mostrara-se demasiado avassaladora nos horários e nas tentações. Não gostara do prédio para onde fora viver com o marido: uma única assoalhada numa cave pouco iluminada humildemente decorada pelo castanho dos móveis velhos e pelo branco-esverdeado do bolor que se desprendia das paredes em jeito de fios de cabelo. Os vizinhos eram barulhentos e as pessoas desbotadas na cor. Sentia o perigo e o medo nos olhares que se cruzavam com o dela nos circuitos dos transportes públicos, crivados de gente cinzenta, muda, e de corpos sem expressão, que se limitavam a respirar através dos filtros dos ares-condicionados. Bastara.

Regressara com a única mala que levara quando partira, vazia de conteúdo mas cheia de sonhos. Vivia na casa que fora sempre dos seus avós e que depois fora herdada pelos seus pais. E fazia os rebuçados de tangerina mais perfumados da vizinhança. Do antigo pomar, amavelmente cuidado por um vizinho, recolhia os frutos necessários, e da sua cozinha, à antiga, saía a sua fonte de sustento: os rebuçados.

Começava a prepará-los de madrugada. A aldeia acordava com o cheiro dos citrinos. O aroma que emanava da raspa da tangerina fazia antever que estes rebuçados seriam os meus eleitos. Comprava-os na mercearia da D. Balbina. Nunca tive coragem de os adquirir diretamente à Ana. Tínhamos sido colegas de carteira na escola primária e por sempre nutrir uma admiração por ela, nunca consegui que o nosso relacionamento fosse o de franca amizade. Guardei-a comigo na esperança de um dia ter coragem para exprimir o que sentia. O José fê-lo primeiro. O José levou-a ao altar. Eu não.

A adição de vinagre no tacho propagava pela cozinha um odor forte. E eu sentia-o ao passar perto da janela. A Ana estava ao fogão de avental posto e mangas arregaçadas, pronta para aceitar mais um dia. Enquanto o açúcar se esforçava por atingir o ponto de rebuçado, o líquido borbulhante emitia calor para a mão direita da cozinheira que, com a ajuda da colher de pau, ocasionalmente mexia os ingredientes. Estava frio. Sentia-o. Talvez o dia mais frio desse ano. Era, sem dúvida, o dia mais acertado para a cozinheira fazer os rebuçados caseiros. Os pés desta, pequeninos nos chinelos demasiado grandes, permaneciam enregelados junto ao fogão, mas as mãos, essas, anteviam momentos quentes. Imperava a premonição  do tacto. De seguida, vinha a bolha morta e a necessidade de colocar umas gotas do preparado numa taça com água e apertá-las com o polegar e o indicador para constatar a união dos ingredientes. E eu via o princípio do tacto, do lado de fora da janela. Acendia um cigarro e fingia que debaixo do beiral me protegia da chuva que começava a desenhar-se no ar tracejado.

Ao cair na água que a taça continha, o tinir do aspirante a rebuçado constituía-se como a palavra mágica. A cozinheira untava agora com óleo a superfície de um prato e fazia escorrer outras tantas gotas generosas por entre os dedos das mãos. O óleo facilitaria o molde e protegeria as mãos do calor escaldante. Ela sabia-o. Tinha-lho ensinado a avó quando já era mocinha. O rebuçado era agora levantado sabiamente do prato, com a ajuda de uma faca, e dançava entre os dedos da Ana, que o esticava, enlaçava e deslaçava e que o atirava ao ar para sentir o fresco momentâneo da sua não presença. De volta às mãos hábeis, o rebuçado era novamente puxado, e mais uma vez torcido, até ganhar a cor e a identidade desejadas. E as mãos sentiam este bailado. E as mãos criavam. Sempre as mãos. Sempre o tacto. Sempre a Ana. E eu ali. E a chuva parara. E eu teria de sair dali.

O toque enferrujado da campainha da porta soou. Era o neto da Balbina que, transportando um cesto de vimes, tinha ido, a mando da avó, buscar os rebuçados que iriam alegrar os paladares das gentes da terra. A Ana não ouvira a campainha e o rapaz, de oito anos, não se fazendo rogado, rodou com alguma malícia, a maçaneta da porta. Estava aberta. Caminhou até à cozinha com passos contados, carregando a culpa de quem infringe. Chamou baixinho pela Ana mas a cozinheira permanecia compenetrada no corte e embrulho dos rebuçados. O moço empurrou suavemente a porta envelhecida da cozinha. O chiar das dobradiças centenárias não fez com que Ana despertasse para o intruso. De costas, e ligeiramente curvada sobre a mesa da cozinha, fazia desfilar pelo papel celofane uma tesoura paciente e recortava languidamente quadrados precisos, sem recurso a réguas matemáticas. Envolvia, de seguida, cada rebuçado no seu invólucro como se de um tesouro bem guardado se tratasse. Hoje imperava o amarelo. Eram os meus rebuçados de tangerina.

Custava três euros o saco, mas, quase sempre, o neto da D. Balbina vendia todos os embrulhos antes de chegar à mercearia da avó, com quem vivia desde pequenino. As pessoas avistavam-no com o cesto e já sabiam que vinha de casa da Ana. Eu comprava-lhos sempre. Era parte do tempo e da dedicação da Ana que estava dentro daqueles saquinhos coloridos. E o rapazola adorava chegar à avó com a missão cumprida. Sabia, o espertalhão, que o saco reservado no bolso do casaco era a meta de tão voluntarioso trabalho. E, depois, seguia caminho, aos saltos, à procura de ideias para pregar partidas a este ou àquele que se lhe atravessasse no caminho, quer fosse pessoa ou animal. Era reguila. Escolhia o caminho mais longo para a escola e utilizava sempre argumentos imaginativos para justificar atrasos e incumprimentos. Apesar disso, todos na aldeia admiravam a tenacidade física e a agilidade de pensamento do rapazito. Ana nutria muito afeto por ele. Admirava o registo infantil e a sua genuína alegria de viver. Qualquer dia havia de perguntar-lhe se gostaria de aprender a fazer rebuçados. Ensinar-lhe ia de bom grado todos os passos da receita. Perpetuar-se-ia assim na memória daquele menino.

Ana era filha única e criança nascida fora de tempo. Agora com trinta e cinco anos restava-lhe a mãe viúva que vivia com a tia, Jacinta, que por opção do destino ficara solteira. A casa onde vivera com o marido reservava-se muito grande só para si. A cada canto vislumbrava uma memória saudosa que a acolhia. Para Ana, a decisão de voltar para a aldeia, e para a antiga casa dos pais representava a única coisa que naquele momento era certa, aquilo que fazia sentido. Os rebuçados significavam o outro rumo: o sustento da sua existência. Não pensava no futuro. Estava bem assim. Tinha a casa, a horta das traseiras, o curral, o galinheiro e o pomar. Tinha o silêncio da aldeia e o ar fresco da madrugada que a incentivava a diariamente acender o lume, a esperar pelo ponto de rebuçado e a conferir aromas e formas ao açúcar elástico. Preenchia todos os dias, até à hora de almoço com esta labuta metódica e artística. E pensava que tinha todos os ingredientes para ser feliz.

A aldeia amanhecera com a notícia que o neto da D. Balbina tinha subitamente adoecido. Desconfiava-se de febre da carraça. As vizinhas da velha merceeira afirmavam que a doença do rapazinho era vingança da própria natureza. De tanto fazer mal aos animais teria contraído uma carraça de algum cão de rua ao qual teria esganado o pescoço para ouvir o ganir de desespero do canino.

 A Ana estranhara a demora do miúdo e resolvera levar naquele dia, ela própria, os rebuçados. Quando entrou na mercearia reparou que havia muita agitação. Todos os locais presentes comentavam os possíveis diagnósticos da condição do neto da D. Balbina. A Ana fez sinal à merceeira que, por uma porta de ligação entre a casa e a mercearia, regressava ao trabalho, depois de verificar o contínuo estado febril do neto. Ambas conversavam, agora com ar de pesar, e eu observava-a de um dos cantos mais escuros da loja. Coincidíramos ali.

Via-a agora de perfil. Sempre esbelta, fresca e simples nos trajes. Trazia ainda o avental azul vestido. Com a pressa esquecera-se de o retirar e pendurar atrás da porta da cozinha, como fazia todos os dias depois de embrulhar e colocar em saquinhos os rebuçados reluzentes.

Não havia médico na aldeia e a população juntara-se para entre todos angariarem o dinheiro necessário para mandar vir o médico e pagar as despesas da consulta e dos medicamentos. Ana quis, desde logo, liderar a iniciativa. Organizaria naquela noite um jantar comunitário no salão de festas da igreja. Os homens preparariam o espaço com cadeiras e mesas que se amontoavam enfarinhadas por teias na despesa do salão. As mulheres cozinhariam a ceia e confeccionariam os doces para serem arrematados depois do jantar.

O relógio da igreja marcava as seis da tarde e da cozinha improvisada no salão da igreja viajavam aromas distintos emanados pela combinação de temperos e conduzidos pelas correntes de ar. De início, era o cheiro a louro e a cebola refogada. Depois, destacava-se o fumado dos enchidos, e, por fim, o aroma proveniente das carnes.

Diretamente dos dois potes de ferro saía, agora, para os pratos das cinquenta pessoas que habitavam a aldeia, a tradicional feijoada. Apenas o neto da D. Balbina e dois idosos, todos adoentados, não se puderam juntar à festa. Ana correu a servir-lhes diligentemente o jantar. Dentro do salão, todos elogiavam a comida, que seguia em tabuleiros acompanhada de fatias grossas de pão de trigo, ainda morno, cozido no forno de lenha da D. Balbina. Ia começar a arrematação das sobremesas e todas as pessoas, de acordo com as suas parcas posses, faziam subir o preço deste ou daquele bolo feito para a ocasião com os melhores ovos caseiros de cada galinheiro. O arrematador era o meu pai. Tirava agora da prateleira de doces uma cesta forrada com um pano de linho com rebordo a renda. Estava repleta de rebuçados de tangerina. Teriam de ser meus. Pensei.

Ana reparava na forma efusiva com que eu fazia crescer o valor da cesta de rebuçados. Ela sabia, agora publicamente, a minha predilecção pelos rebuçados dela e olhava para mim. Via-me. Sem que desse conta, a tia da Ana cobrira o valor que eu antes tinha proposto e sem que houvesse mais nada a fazer o meu pai, entregou-lhe a cesta. Todos repararam no meu olhar de desânimo até que a Ana se aproximou de mim e, pela primeira vez desde que tinha voltado da cidade, falou comigo.

– Olá António! Amanhã faço novos rebuçados. Passa por lá perto da hora de almoço. Por essa altura já os terei preparado em saquinhos – afirmou com voz suave e assertiva- e dirigiu-se para um grupo de mulheres que começavam a recolher a loiça do jantar.

Nem me lembro se agradeceu. Disseram que o viram a acenar a cabeça. Eu estava petrificado e entorpecido.

Não dormi a noite toda. Ainda não eram dez horas quando vi chegar o carro do médico. Dirigia-se com passo apressado para casa da merceeira. O calor começava a fazer-se sentir e os aldeões regressavam das hortas e dos campos de gado. Tinham saído cedo, pela fresca, e eu com o espírito sempre ocupado com um único pensamento, sabia que tinha também de ir tratar do gado e de regar a horta. Faria isso tudo mais tarde.

Lavei-me, vesti-me e saí à rua. Cruzei-me com o médico que já regressava de casa da D. Balbina. Interpelei-o sobre o estado de saúde do neto da merceeira. Tinha uma pneumonia, mas escaparia, de acordo com as palavras do médico. Descansei. A natureza tinha-se condoído do miúdo, talvez por apenas existirem três crianças na aldeia ou por já se ter habituado às traquinices do moço e não se conseguir imaginar sem a presença do rapazinho.

O relógio do campanário registava onze horas e a minha ansiedade impedia-me de esperar pela hora de almoço. Tinha o convite para ir a casa da Ana e sabia que mais importante do que os rebuçados era a oportunidade que teria de conversar com ela. Quando me preparava para bater à porta, ouvi uma voz que vinha lá de dentro. Era a voz grave de José.

Naquele momento, percebi que meus eram apenas os rebuçados de tangerina. E regressei a casa.

Molhanga de santola

Nós temos o hábito de pelo menos uma vez por semana fazermos compras no mercado municipal . Os produtos são locais e são frescos. Duas coisas que imperam nas minhas receitas. A banca da Peixaria Silveira já nos conhece. Quase que já até adivinham os nossos pedidos e têm sempre um saquinho de ovas reservado para nós. Sabem que as adoramos. Nesta última compra, para além das ovas, que ficarão para uma próxima receita, trouxemos uma pesada santola que tentava a todo o custo fugir do saco de plástico. A pequenada cá de casa fugia do saco com medo do bicho, que se debatia com patas e pinças como que adivinhando a proximidade do fim. Eu só pensava na receita e no petisco que faria. E assim surgiu esta molhanga de santola.

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Ingredientes

1 Santola cozida

1 Ovo cozido

100 g Queijo flamengo

3 colheres de sopa de Molho cocktail Calvé

2 colheres de sopa de maionese Heinz (com cebola caramelizada e ervas)

1 colher de sopa de mostarda

3 colheres de sopa de pickles picados

2 colheres de sopa de cerveja

salsa fresca picada

malaguetas

louro

sal

Preparação

Cozer a santola de preferência com água do mar temperada com louro e malaguetas, cerca de 15 minutos, após a água ter começado a ferver. Retirar a santola e deixar arrefecer. Reservar no frigorífico até estar bem fresca.

Retirar as patas e as pinças. Reservar.

Abrir a carapaça, separando-a do resto do corpo.  Agarrar na base e puxar, por forma a separá-la da carapaça. Desprezar uns apêndices moles que se assemelham a plumas e que se situam em redor do corpo; Retirar a carne cuidadosamente separando-a das cartilagens.

Juntar à carne os pickles, o queijo flamengo e o ovo cozido, previamente picados. Envolver e esmagar com a ajuda de um garfo. Adicionar todos os molhos, a cerveja e a salsa picada.

Misturar.

Servir com tostas.

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Coisas que me dão na telha

Há qualquer coisa de mágico no barro. Talvez por nele viver a possibilidade de tantas formas: em alguidares, em jarros, em pratos, em tabuleiros, etc. Há tempos falei-vos da Olaria de S. Bento. Lá fotografei muitas dos objetos que comprovam a versatilidade do barro, quando este é trabalhado por mãos sábias. Esta telha surgiu da perícia do oleiro Ricardo e recebeu o mesmo tratamento dos alguidares de barro que lá comprei: uma imersão de 24 horas antes da primeira utilização. Acreditem que a comida que vai ao barro tem outra qualidade. Então se esta for no barro ao forno de lenha o seu sabor fica ainda mais sublime.

Depois de provarmos estas lulas, nós mal podemos esperar pelas próximas experiências na telha. Muitas ideias já povoam o nosso pensamento com outros ingredientes. Para breve. Prometo.

Telha de Lulas e Linguiça

telha de lulas

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Ingredientes para 6 pessoas

2 embalagens de lulas limpas (marca Continente)

1/2 linguiça da ilha do Pico ( poderão substituir por chouriço e por presunto)

1 pimento vermelho pequeno

1 cebola grande

3 ou 4 dentes de alho

Tomate pelado (meia lata grande ou uma pequena

Especiarias (1 folha de louro, pimenta preta, 1 malagueta pequena partidas aos bocadinhos com ou sem sementes, 1 colher de chá de colorau, moinho de especiarias orientais)

1 caldo de marisco

salsa

sal

Preparação

1. Deixa-se descongelar as lulas e escorre-se a água.

2. Refoga-se, em azeite, o alho, a cebola, cortada aos bocadinhos  ou à meias luas fininhas, e os pimentos cortados aos quadradinhos. Junta-se a linguiça aos bocadinhos ou às rodelas, sem pele. Deixa-se destilar.

3. Adiciona-se o tomate pelado triturado. Deixa-se levantar fervura.

4. De seguida, colocam-se as lulas limpas inteiras.

5. Tempera-se com especiarias a gosto. Tapa-se o tacho.

6. Coze até as lulas estarem no ponto. Cinco minutos antes de estarem prontas adiciona-se o sal.

Nota. Juntar o sal apenas no fim da cozedura evita que as lulas fiquem rijas.

7. Verte-se o conteúdo do preparado para a telha, cobrindo as lulas com o molho. Cobre-se com papel de alumínio e liga-se o forno a 200 ºC com ambas as resistências durante 20 minutos. Destapa-se e deixa-se alourar apenas com a resistência superior cerca de 5 minutos.

8. Poderão polvilhar as lulas com uma mistura de queijo da ilha e queijo flamego, uma parte do primeiro para três do segundo e levar a gratinar nos últimos 5 minutos. Optei pela versão mais light.

Acompanhei com batata cozida com casca.

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Trifle de Cafetino

I have a sweet tooth. É um facto. Há dias comentava com uma amiga que se me dessem a escolher entre um salgado e um doce, eu não hesitaria na seleção e estenderia a mão ao docinho. E é assim. Podia dar para pior. Salva-me a vida regrada que levo e que me obriga a deixar as guloseimas para ocasiões especiais e para os fins de semana. Foi o caso desta sobremesa. Fi-la já por duas vezes. Uma para levar para um jantar em casa de amigos, outra para oferecer a uma amiga. Consiste numa adaptação de um bolo de bolacha que faço e que resolvi apresentar numa taça funda transparente para se ter a noção da disposição descompassada das bolachas nas diferentes camadas. O licor Cafetino, de capuccino, confere, no meu entender, um twist muito especial. Acho que é mesmo o “ingrediente secreto” desta receita. Espero que gostem. Eu adorei e recomendo.

Trifle de Cafetino

Trifle de cafetino

Ingredientes

3 pacotes de natas (600 ml)- Novaçores

3 pacotes de bolacha Maria

1 lata de leite condensado cozido

4 colheres de açúcar em pó

1 ou 2 cálices de licor Cafetino (vá adicionando e provando)

2 chávenas de chá de café puro (café expresso – Nicola -Bocage)

xarope de chocolate (Vahiné)

pepitas de chocolate (Vahiné)

aroma de baunilha (1 colher de chá)

Preparação

1. Batem-se dois pacotes de natas até estarem consistentes.

2. Junta-se o leite condensado cozido e bate-se novamente.

3. Adiciona-se o licor Cafetino (licor de capuccino). Bate-se.

4. Faz-se o café expresso, uma chávena de chá cheia de cada vez.

5. Molham-se as bolachas de um lado e do outro no café rapidamente para que não fiquem moles. Colocam-se a escorrer num prato.

6. Coloca-se um pouco de creme no fundo de uma taça alta. Em cima do creme dispõem-se as bolachas escorridas e cobre-se com mais uma camada de creme. Faz-se o mesmo até se esgotarem as bolachas e o creme.

7. Bate-se o terceiro pacote de natas até estar consistente. Adiciona-se aroma de baunilha, as quatro colheres de sopa de açúcar em pó e bate-se novamente. Coloca-se este chantilly num saco de pasteleiro e desenha-se a última camada da trifle.

8. Risca-se o chantilly com xarope de chocolate e decora-se com pepitas de chocolate.

9. Vai ao frigorífico um mínimo de 6 horas antes de servir.

Trifle de cafetinoTrifle de cafetino

Uma semana depois… e um gelado…em janeiro?

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E, sim, passou uma semana desde a última publicação. Não pensem que a vontade de cozinhar se foi com a passagem de ano, pois a minha cozinha continua a todo o vapor, como acaba por ter de ser em casa de família. As refeições são sempre organizadas, nem que seja através de planificação mental. E no topo da exigência, a presença da sopa. Sempre e a abrir o caminho para o resto da refeição. Esta semana viu o regresso às aulas, depois do interregno do natal. Foi uma semana difícil, porque os soninhos andavam um pouco trocados, as atividades de lazer foram novamente relembradas que o estudo é mais importante nesta fase. Começaram os treinos desportivos do filho e as aulas de conservatório da filha e, conjuntamente com isto tudo, aterraram cá em casa algumas viroses que deixaram três dos quatro prostrados, tendo eu sobrado para desempenhar o cargo de enfermeira. Uma semana depois, e só hoje, domingo, houve tempo para o blogue. Deliciemo-nos então com um gelado que celebrou os primeiros dias de 2015. Afinal, este clima temperado marítimo em que vivemos sempre nos permite  coisas destas em pleno janeiro!

Gelado de Leite Condensado

gelado de leite condensado

gelado de leite condensado

Ingredientes

2 pacotes de natas para bater (400 ml)

2 claras em castelo

2 gemas

1 lata de leite condensado cozido

aroma de baunilha (1 colher de chá)

raspa de meia lima

amêndoa laminada e chantilly para decorar (facultativo)

 

Preparação

1. Bater as gemas com o leite condensado muito bem. Juntar a raspa da lima.

2. Bater as natas até ficarem fofas e volumosas. Adicionar o aroma de baunilha.

3. Bater as claras em castelo. Reservar.

4. Adicionar as natas batidas ao preparado com o leite condensado. Incorporar as claras com a colher de pau.

5. Levar ao congelador numa tigela durante duas horas.

6. Antes do gelado estar congelado, retirá-lo do congelador e misturá-lo com uma colher de pau para quebrar os cristais de gelo.

7. Colocar novamente no congelador. Fazer o mesmo processo duas horas depois.

Servir o gelado no dia seguinte.

Se preferir que o gelado fique com aspeto riscado, reserve algum leite condensado e disponha-o alternadamente com o preparado final do gelado. Evite mexer muito o gelado nos passos 6 e 7.

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gelado de leite condensado

Um dois em um e o conto por trás da receita

Como é natural na maioria das casas, a quadra natalícia caracteriza-se por alguns excessos. Agora que janeiro já chegou, todos nós voltamos às rotinas alimentares nas quais a sopa está sempre presente. Esta sugestão de hoje não é considerada uma refeição light, uma vez que contém enchidos e algumas carnes gordas. No entanto, foi confecionada com o propósito de servir de dois em um, não havendo, assim, necessidade de segundo prato.

A Sopa da Pedra é uma sopa tradicional da cozinha portuguesa, originária de Almeirim, em Santarém, no centro de Portugal. É uma sopa consistente e rica, feita à base de carne, enchidos, feijão, couve, batatas e cenoura.  É uma sopa que alimenta e reconforta. Tradicionalmente, coloca-se a pedra, bem lavada, no fundo da terrina e, depois de comida  a sopa, guarda-se a pedra para a próxima vez que for preparada.

A designação desta sopa encontra-se em muitas culturas ocidentais e tem como base um conto tradicional que nos diz ter sido um frade lambareiro e espertalhão o primeiro homem a confecioná-la.

Sopa da Pedra

Ingredientes

(para 6 a 8 pessoas)
  • ½ kg de feijão-encarnado (feijoca)
  • 1 cebola
  • 2 cenouras
  • 1 couve-lombarda
  • 1 farinheira
  • 1 folha de louro
  • 1 ramo de coentros
  • 2 dentes de alho
  • 250 g de carne de vaca
  • 400 g de batatas
  • 60 g de chouriço
  • 60 g de morcela
  • 800 g de carne de porco (orelha, pés e toucinho)
  • sal e pimenta a gosto

Preparação

De véspera raspe e limpe bem a orelha e os pés de porco e salgue-os. Ponha o feijão de molho.

No dia da confeção, leve o feijão a cozer, juntamente com o louro. Tempere com sal e pimenta. Junte mais água, se for necessário.

À parte coza as carnes e os enchidos (à exceção da farinheira, que deve cozer em separado).

À medida que forem cozendo, vá retirando as carnes sucessivamente, visto que a carne de porco coze mais depressa que a de vaca, o mesmo acontecendo com a morcela em relação ao chouriço. Corte as carnes e os enchidos em pedaços.

Logo que se retirarem todas as carnes, junte a couve, as cenouras, a cebola, todas elas cortadas em pedaços, os alhos picados, e algum tempo depois as batatas também em pedaços.

Depois de cozido, retire 2 conchas de feijão e reduza-o a puré.

Quando os legumes estiverem cozidos, junte-lhes os feijões inteiros e os passados. Deixe ferver todos os ingredientes, para apurar, e retifique o sal. Acrescente também os coentros picados e a pimenta.

Depois de frios, corte os enchidos em rodelas finas.

Tire a panela do lume e introduza as carnes previamente cortadas.

No fundo da terrina onde vai servir a sopa, coloque uma pedra, tipo seixo, bem lavada. Decore com coentros picados e sirva quente.

fonte

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frade sopa da pedra 130x130 Sopa da Pedra (Almeirim)O conto por trás da receita…

Um frade andava no peditório. Chegou à porta de um lavrador, mas não lhe quiseram aí dar nada. O frade estava a cair de fome e disse:

— Vou ver se faço um caldinho de pedra.

E pegou numa pedra do chão, sacudiu-lhe a terra e pôs-se a olhar para ela, como para ver se era boa para um caldo. A gente da casa pôs-se a rir do frade e daquela lembrança. Diz o frade:

— Então nunca comeram caldo de pedra? Só lhes digo que é uma coisa muito boa.

Responderam-lhe:

— Sempre queremos ver isso.

Foi o que o frade quis ouvir. Depois de ter lavado a pedra, pediu:

— Se me emprestassem aí um pucarinho…

Deram-lhe uma panela de barro. Ele encheu-a de água e deitou-lhe a pedra dentro.

— Agora, se me deixassem estar a panelinha aí, ao pé das brasas…

Deixaram. Assim que a panela começou a chiar, disse ele:

— Com um bocadinho de unto é que o caldo ficava a primor!

Foram-lhe buscar um pedaço de unto. Ferveu, ferveu, e a gente da casa pasmada para o que via.

O frade, provando o caldo:

— Está um nadinha insosso. Bem precisa duma pedrinha de sal.

Também lhe deram o sal. Temperou, provou, e disse:

Quando os olhos já estavam aferventados, arriscou:

— Ai! Um naquinho de chouriça é que lhe dava uma graça!…

Trouxeram-lhe um pedaço de chouriço. Ele pô-lo na panela e, enquanto se cozia, tirou do alforge pão e arranjou-se para comer com vagar. O caldo cheirava que era um regalo. Comeu e lambeu o beiço.

Depois de despejada a panela, ficou a pedra no fundo. A gente da casa, que estava com os olhos nele, perguntou-lhe:

— Ó senhor frade, então a pedra?

— A pedra… lavo-a e levo-a comigo para outra vez.

Conto Tradicional português recolhido por Teófilo Braga

Sopa da Pedra

Let’s celebrate the New Year with Eggnog!

Eggnog

O Foodwithameaning começa o ano com uma bebida. O primeiro dia de um novo ano é sempre motivo de comemoração por cá. Este ano que passou caracterizou-se por ser muito bom, pois houve saúde e alegria. Que 2015 seja igual ou até melhor para todos os leitores deste cantinho açoriano.

O Eggnog é originário de Inglaterra. Começou a ser consumido no século XIV e era anteriormente denominado de posset. Ganhou popularidade quando a receita foi levada pelos Pilgrims para as colónias americanas, passando a ser considerado como a bebida das classes populares.

Celebremos então a vida e mais uma iniciativa de Dia Um… Na Cozinha!

Logotipo Dia Um... Na Cozinha Janeiro de 2015

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Eggnog

Eggnog

Ingredientes para 8 doses

  • 700 ml de leite gordo
  • 240 ml de natas
  • 3 paus de canela
  • o interior de uma vagem de baunilha
  • 1 colher de chá de noz moscada moída (mais um pouco para a guarnição)
  • 5 gemas
  • 5 claras
  • 130g de açúcar granulado
  • 175ml de Bacardi Dark Rum ou  Bourbon

Num tacho, coloque o leite, as natas, os paus de canela, a vagem de baunilha,as sementes interiores raspadas e a noz moscada. Leve a ferver em lume médio. Retire do lume e deixe que o preparado perca altura.

Bata as gemas e o açúcar com a batedeira elétrica até obter fios. Aos poucos adicione o leite e continue a bater até o preparado estar muito bem incorporado e suave. Acrescente o rum ou o bourbon e mexa. Refrigere de um dia para o outro e guarde no frio até três dias.

Antes de servir, bata as claras em castelo e com cuidado misture-as no eggnog até se encontrarem bem incorporadas. Sirva e decore com noz moscada raspada na hora.

fonte

Eggnog