Doce de Uva Branca com Canela e Anis Estrelado

Foi-se embora o meu Verão. E eu quis despedir-me dele com protocolo, confecionando várias compotas.
Assim, e ao longo do ano,  em cada frasquinho de doce que abrir estarei a permitir que o Verão saia, qual Aladino da sua lâmpada mágica.

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A origem das conservas de frutas- compotas, geleias, frutas cristalizadas- é muito antiga e atribuída aos árabes, mais exatamente aos habitantes da Mesopotâmia, que apenas as utilizavam com fins medicinais.

A arte de conservar e confeitar frutas foi introduzida na Europa pelos cruzados. O primeiro texto conhecido sobre compota refere-se aos marmelos confitados no mel e remonta ao século I, figurando num dos 37 volumes da História Natural do autor romano Plínio. Na Idade Média, a denominação “compota” designava todas as confeitarias realizadas a partir de alimentos cozidos em açúcar ou mel: as frutas em calda, os bombons, frutos confitados, geleias, etc… Mas primeira obra publicada que trata da arte e a maneira de fazer compotas e geleias data do século 16, e deve-se ao médico, astrólogo e praticante da alquimia Michel de Nostre-Dame, mais conhecido por Nostradamus (1503-1566) que estudou e fez experiências com os doces de frutas medicamentosos. Em Portugal e no restante da Península Ibérica, há registos do ofício de confeiteiro e conserveiro datados do final da Idade Média e início da época moderna, já que a indústria de conservas ou de doces de frutas, de influência árabe, desenvolveu-se associada à produção de açúcar. Em Portugal, essa arte era desenvolvida domesticamente pelas mulheres, servindo de sustento a muitas famílias, mas havia também homens envolvidos no ofício, como informa a documentação portuguesa ao referir-se aos “conserveiros”, “confeiteiros” e “alfoeleyros” (fabricantes de alféloas, um doce de calda de açúcar ou de melado em ponto). Mas foi nos conventos e recolhimentos femininos que a arte da doçaria e conservaria se expandiu, notadamente em Portugal e em suas colónias, a partir do século XVII.  Com a expansão da produção de açúcar, o doce foi sendo introduzido também nas mesas mais populares, sempre com esse caráter supérfluo, comemorativo e de encerramento de uma boa refeição. Invadiu as merendas e as ceias frugais, adquirindo ainda uma conotação de mimo e de presente a ser ofertado como sinal de estima. Vasco da Gama, por exemplo, ofereceu ao xeque de Moçambique conservas da ilha da Madeira. Com o tempo, o costume tomou dimensão maior, alastrando-se pela sociedade. Assim, símbolo de status, de amor, de festa e de sociabilidade, o doce conquistou muitos significados sem perder seu valor medicinal e nutritivo original. Os confeitos de frutas e as conservas doces eram afamados na Ilha da Madeira já no século 15, sendo muitas vezes enriquecidos com especiarias européias e orientais (amêndoas, anis, gengibre, coentro seco). Até o século XVIII, as conservas doces são produtos de luxo, encontradas, sobretudo, na mesa do nobres. Na verdade, até o século XIX, a maioria das civilizações não incluía as frutas na alimentação. São os avanços tecnológicos advindos das descobertas científicas do século XIX que possibilitam a popularização das conservas de frutas. O “método Appert” de conservação por esterilização pelo calor, divulgado em 1810, a descoberta do processo de solidificação do açúcar de beterraba, a pasteurização e o enlatamento, permitiram a fabricação das mais variadas conservas, em particular as de legumes, que mantinham mais ou menos o sabor do produto fresco.

Hoje, a industrialização permite fabricar grandes quantidades de conservas de frutas, mas, por outro lado, o gosto tende à uniformização. Há, entretanto, atualmente, uma procura cada vez maior de aromas e sabores mais originais, mais refinados, só encontrados nas produções artesanais, consideradas um alimento de prazer.

texto adaptado desta fonte

Compota de uva branca e anis estrelado

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Ingredientes 

2 quilos de uva branca cortada a meio e descaroçada

1 quilo de açúcar

2 paus de canela

2 estrelas de anis

 

Preparação

Coloquei a fruta, os paus de canela e o açúcar ao lume, numa panela alta.

Deixei ferver e cozinhar, em lume brando,  até fazer ponto estrada ou até o doce, morno, escorrer lentamente na colher.

A meio da confeção, juntei as estrelas de anis.

Retirar os paus de canela e o anis antes de verter o doce ainda quente para frascos esterilizados. Fechar de imediato e virar os frascos ao contrário para que criem vácuo.

Este doce é um excelente acompanhamento para panquecas ou para crepes.

 

Um doce domingo para todos os visitantes do Foodwithameaning.

Patrícia

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