Tem sido assim

Esta pausa da Páscoa está-me a saber bem. Finalmente os dias já estão bonitos. Temos acordado com a luz encadeante do sol a entrar pelas janelas dos quartos. Tem havido tempo para pequenos-almoços prolongados, almoços tardios, lanches com folar e massa sovada e jantares com a família e amigos. Foram inauguradas as tradicionais limpezas de primavera, daquelas em que a mobília se desloca a 180º, se reorganizam roupeiros a pensar na nova estação, se esvaziam gavetas e se descobre que temos tanta coisa que guardamos mas não atribuímos uso. O escritório recebeu também nova mobília e encontra-se, neste momento, sem papéis à vista. A garagem continua em estado de sítio. Não sei para que precisa ele de tanta ferramenta. Temos passado tardes à volta dos canteiros  a retirar ervas daninhas, a transplantar, a semear em vasos algumas aromáticas e a travar lutas com as folhas de eucalipto que caem constantemente e que teimosamente decoram os espaços exteriores e os peitoris das janelas. Que custosas são de varrer! Anseio por árvores de folha perene. A horta do marido começa a ganhar vida e ordem. As curgetes e as abóboras já despontam. Os tomateiros lutam contra a gravidade e tentam manter-se eretos. As couves de todo o ano continuam a dar-nos umas folhinhas para a sopa. As favas foram um aborto total à conta do mau tempo. As ervilhas tortas foram suficientes para uma legumada. As couves-chinesas espigaram. O canteiro de beterrabas elegeu até ao momento apenas uma para consumo. As outras virão ou não. Os rabanetes já decoram as saladas. As alfaces roxas começam a ficar bonitas e repolhudas. As framboesas são a experiência deste ano. A ver vamos.

Num destes dias sem horas, não havia nada planeado para o almoço. Decidimos então ir almoçar ao Q.B, um espaço de restauração que abriu há pouco tempo e por onde passo todos os dias no caminho para o trabalho.

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À chegada, somos recebidos por um agradável jardim.

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Onde se destacam duas ancestrais magnólias.

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Estas fotos das magnólias foram tiradas em janeiro quando estavam ainda em flor. Lindas, não acham?

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Somos recebidos num espaço que alia na perfeição a traça antiga do solar com a contemporaneidade da decoração.

Somos atendidos por funcionários atenciosos, atentos e preocupados com os detalhes e com o bem estar do cliente.

Depois da entrada regional que escolhemos, composta por linguiça, morcela e queijo de S. Jorge, optámos por este prato de polvo, que se revelou divinal na conjugação de ingredientes e sabores.

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Polvo panado com cebolada de pimentos e batata a murro salteada

 

Para sobremesa escolhemos crepes. Tão bons!

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Crepe com uma bola de gelado e topping de dois chocolates

 

Quem viver cá na ilha pode desfrutar deste espaço acolhedor.

Para quem vier como turista ocasional, este restaurante é sem dúvida um lugar de paragem obrigatória.

Massa Sovada em Folar: uma possibilidade de 2 em 1

Massa sovada em forma de folar_foodwithameaning

Os bolos de massa sovada são um doce regional dos Açores. São feitos com maior frequência por altura da Páscoa e do Espírito Santo. São presença obrigatória em todas as funções realizadas de Maio em diante em todas as freguesias dos Açores.
As receitas de massa sovada variam de ilha para ilha, podendo ser mais ou menos condimentadas. No entanto, são sempre confecionadas à base de farinha, açúcar, leite e ovos. Estes bolos são distribuídos nos bodos de leite às crianças e dados a provar a todos os que se dirigirem aos impérios do Espírito Santo. Na gastronomia açoriana, acompanham pratos típicos. Aqui na ilha Terceira serve de acompanhamento à Alcatra.

Desta vez, e como estamos na quadra da Páscoa, época do folar, resolvi fazer a receita de massa sovada em forma de folar. Substituí os ovos cozidos da decoração do folar pelas amêndoas. Para os filhotes e sobrinhos fiz os bolos de massa sovada em ramequins. Adoraram por estes serem mais pequeninos e mimosos.

Comparativamente ao folar, os bolos de massa sovada são mais enriquecidos em ovos, açúcar e manteiga, tornando-se mais saborosos. O folar carateriza-se por ser uma massa menos doce e mais parecida ao pão de leite.

Ingredientes para a preparação tradicional

Para o fermento:

1 batata grande
1 ovo
1 colher (sopa) de açúcar
125 g de farinha (aprox.)
20 g de fermento biológico
Para a massa:

1 kg de farinha de trigo
250 g de açúcar
250 g de manteiga
6 ovos
1 colher (sopa) de canela em pó
raspa de um limão pequeno

1. Prepare o fermento de véspera.

2. Nesse mesmo dia, coza as batatas com a pele, pele-as depois de cozidas e reduza-as a puré. Junte o ovo batido, o açúcar e o fermento diluído num pouco de água morna. Adicione farinha de trigo em quantidade suficiente para obter uma massa de consistência média. Abafe e deixe levedar durante a noite.

3. Na manhã seguinte, peneire a farinha para um alguidar, juntamente com o açúcar e a canela. Faça uma cova no meio, onde deita os ovos, batendo-os sem misturar com a farinha. Junte a manteiga derretida (sem ferver) e, por fim, a massa de fermento.

4. Amasse bem até a massa fazer bolhas e se soltar do alguidar. Tape em seguida, abafe e deixe levedar durante algumas horas.

5. Quando a massa estiver lêveda, tire pedaços do tamanho em que desejar os bolos e molde-os. Coloque sobre toalhas empoadas com farinha e, depois de levedarem mais pouco, pincele com leite.

6. Leve os bolos a cozer em forno forte.

Ingredientes e preparação na Bimby

800 g de farinha tipo 65
200 g de fécula de batata
250 g de manteiga
250 g de açúcar
6 ovos
raspa de um limão pequeno
1 colher de sopa de canela
1 colher de chá rasa de sal de mesa
1 saqueta Fermipan (11g)

Todos os ingredientes deverão estar à temperatura ambiente.

1. No copo da Bimby, colocam-se os ovos, o açúcar e a manteiga. Marca-se Vel. 6 durante 25 segundos. Repete-se por mais 25 segundos.
2. Coloca-se a fécula de batata e marca-se 40 segundos, velocidade 5.
3. Adiciona-se o sal, a canela, a raspa de limão e o fermento. Marca-se 30 segundos Vel. 4.
4. Com a máquina na Velocidade 2, vai-se adicionando metade da farinha aos poucos.
5. Marca-se 3 minutos. Vel. Espiga.
6. Com a máquina na Vel. 2, vai-se adicionando a outra metade da farinha.
7. Marca-se 3 minutos. Vel. Espiga.
8. Retirei a massa do copo e coloquei-a num alguidar pequeno. Abafei-o com uma toalha e com um cobertor e coloquei a massa a levedar.

Dica não tradicional mas que acelera o levedar
Colocar o alguidar com a massa dentro do automóvel estacionado ao sol.

9. Depois de lêveda, molda-se a massa como se quiser, em bolos redondos maiores ou menores.
Na ilha do Faial, de onde o meu pai é natural, a massa sovada vai a cozer em tabuleiros retangulares. Ficam uns bolos altos e grandes.

10. Pincelam-se os bolos de massa sovada com leite.

10. Vão a cozer em forno forte. (200 ºC)

Vai uma fatia?

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Continuação de uma Páscoa feliz!

Acreditar no impossível….Convidei para jantar… Rob Gonsalves

A arte tem o condão de nos transportar para outras realidades. Mostra-nos retratos de tempos reais, vivências de universos alternativos e transposições de egos e alter-egos. O pintor vê na tela o prolongamento do belo, do feio, das suas alegrias e inquietações. Com a ponta do pincel e rasgos de inspiração, retrata estados de espírito, pormenores de paisagem ou do quotidiano das gentes, personalidades e cenas históricas… numa infinidade de possibilidades onde apenas a imaginação impõe limites.

Rob Gonsales, com formação académica em arquitetura, é  um dos meus pintores favoritos. É um contemporâneo de origem canadiana que elege o realismo mágico na execução das suas obras. Embora o trabalho deste pintor seja muitas vezes classificado como surrealista, ele distancia-se desta corrente devido ao fato de as imagens resultarem de planeamento e de pensamento consciente. As ideias são em grande parte geradas pelo mundo externo e envolvem atividades humanas reconhecíveis, sabiamente integradas através de dispositivos ilusionistas cuidadosamente elaborados.

Este pintor é um dos meus eleitos porque detém o  poder de introduzir um sentido de magia às cenas realistas que retrata, como se de sonhos se tratassem. Este realismo mágico é o que verdadeiramente me atrai no seu trabalho: a possibilidade de podermos  introduzir na realidade do quotidiano um pouco de magia. Faz-nos acreditar na possibilidade do impossível.

Poderão visualizar outras obras mais recentes do pintor aqui.

A Guida, do blogue Panela sem (de)pressão, recebe até 16 de Março a 11ª Edição do Convidei para Jantar, iniciativa criada pela Anasbageri. Para participar neste desafio, convidei para jantar o pintor Rob Gonsales e ofereci-lhe um prato vegetariano com muita cor.

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Modo de Preparação

1. Numa taça grande de vidro batem-se os ovos inteiros com um garfo.
2. Adiciona-se a cebola e a couve chinesa cortadas aos pedacinhos.
3. Junta-se a courgette laminada em pequenos palitos e o pimento sem casca também cortado em pedacinhos.
4. Adicionam-se os tomatinhos cereja cortados ao meio.
5. Picam-se 6 folhas de salva-ananás e adicionam-se ao preparado.
6. Tempera-se com sal e mistura de cinco pimentas.
7. Salpica-se com uma pitada de açaflor (da horta da Ilídia)
8. Mistura-se tudo com uma colher.

Os apreciadores de carne poderão, nesta fase, adicionar pedacinhos de fiambre, bacon, frango desfiado, atum … à receita.

9. Coloca-se azeite numa frigideira, deixa-se aquecer, e verte-se parte do conteúdo da tigela até o fundo da frigideira estar todo coberto.
10. Frita-se em lumo brando até a tortilha se soltar da frigideira.
11. Volta-se a tortilha para dourar a outra face.

Dica: Se tiver dificuldade em virar a tortilha sem que esta se desmanche, coloque um prato raso em cima da tortilha e vire a frigideira ao contrário, para cima do prato.
Já com a tortilha no prato, é muito fácil fazê-la deslizar novamente para a frigideira para fritar a outra face. O método da panqueca, de atirar a panqueca ao ar e fazê-la cair com a face por cozinhar é no meu entender demasiado cinematográfico e desadequado para a confeção das tortilhas por estas serem mais pesadas do que as primeiras.

Com esta receita confecionei duas grandes tortilhas. O aroma que emanava delas era tão bom que não resisti a petiscar  a primeira enquanto a outra ainda estava na frigideira. Adoro este tipo de receitas por se prestarem a diferentes versões. Tal como acontece com Rob Gonsalves nos seus quadros, aqui a imaginação também é o limite.

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A couve-chinesa e a salva-ananás, que aromatizou na perfeição esta tortilha, vieram das estufas do vizinho António.

Easter crackers

Nas alturas festivas, nós gostamos sempre de presentear familiares e amigos com ofertas alusivas à época. Este ano não trago o folar de Páscoa nem a regueifa que fiz o ano passado, mas uma sugestão de prenda divertida e misteriosa.

O que estará lá dentro?

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Esta ideia foi-me apresentada pela minha amiga Dulce por altura do Natal. Os miúdos e os graúdos deliraram com o presente. A minha filhota, que é uma colecionadora, para não a chamar de gatherer, pediu logo se podia ficar com os crackers. Guardou-os religiosamente numa gaveta. Hoje, enquanto fazíamos arrumações no quarto, encontrei os embrulhos de papel muito bem preservados. Assim que e minha filha viu que eu os tinha descoberto, desapareceu com eles no colo da camisola. Fui encontrá-la na cozinha a mexer no pote das amêndoas. Estava a encher “os rebuçados grandes”, como ela os denomina, com amêndoas.

Em vez de me zangar com ela, disse-lhe:

– Aí está uma ideia gira! Vamos então tirar umas fotografias para o blogue!

Ela ficou muito contente. Ajudou a escolher as cores das amêndoas e aproveitou para comer algumas enquanto eu fotografava. É cá uma gulosa! A quem sairá?

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Os imprimíveis foram retirados do blogue australiano Eat Drink Chic, um espaço muito inspirador. Visitem-no, pois irão adorar as ideias!

Outro padrão também sugerido pela Amy Moss, a autora do blogue.

Que seja uma Páscoa cheia de paz e felicidade!

Patrícia

Passeio e trança colorida para o lanche

Quando há um olhinho de sol, convido as crianças para um suplemento de vitamina D. Vestimos os fatos de treino. Calçamos as sapatilhas e passeamos pelos arredores. Sair de casa sem horários e sem preocupações com a indumentária é das coisas de que mais gosto. Levámos o fiel Max connosco e fomos à aventura. Desta vez, tinha cá em casa a minha mãe e a minha sobrinha. Todo  o grupo feminino alinhou no passeio. Era sábado.  São Pedro achou que merecíamos tréguas no mau tempo e ofereceu-nos uma manhã e uma tarde primaveril. Fomos então caminho abaixo, concedendo às crianças algumas paragens: para apanharem flores, para se admirarem com as vaquinhas e os cavalos nos campos e para beberem água. Fomos também cheias de paciência para o Max, que não perdia a oportunidade de farejar este ou aquele cantinho, marcando o respetivo território. As crianças soltavam risos de tão contentes que estavam. Propus o regresso a casa por outro caminho. E aqui começou a aventura. Adoraram regressar pela mata.

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Admiraram-se por algumas árvores terem caído com o mau tempo, mas depressa sentiram a adrenalina de terem de ultrapassar os obstáculos que iam aparecendo.

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Sentiram o cheiro que emanava das folhas de eucaliptos pisadas.

Começaram a colecionar “botões” de eucalipto, mas depressa se fartavam deles e lançaram-nos ao ar como se fossem confetis.
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Descobriram em troncos de árvores, e entre a ramagem caída no chão, colónias de cogumelos.

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Ao chegarem a casa, o lanche colorido fez com que dois sorrisos se alargassem de orelha a orelha.

Comeram à pressa.

Fugiram para o baloiço na tentativa de ver quem lá chegava primeiro.

-Uma de cada vez. Nada de pressas! – gritei da porta da cozinha, mas fiquei com a convicção de que não prestaram sentido. Queriam aproveitar o sol.

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Ingredientes para três tranças
250 g de leite
100 g de margarina (utilizei manteiga com sal)
120 g de açúcar
1 saqueta de fermento seco
2 ovos
700 g de farinha
1 colher (de chá) de sal(não coloquei)
1 gema de ovo para pincelar
missangas coloridas

Preparação
1. Colocar no copo o leite, a margarina, o açúcar e programar 2 minutos/ 37 graus / velocidade 2.
2. Juntar o femento, os ovos e programar 10 segundos/ velocidade 6.
3. De seguida, adicionar a farinha, o sal e programar 3 minutos/ velocidade espiga.
4. Deixar levedar durante 20 minutos, num local morno.
5. Fazer nove rolos iguais e formar três tranças. Colocá-las no tabuleiro do forno, forrado com papel vegetal.
6. Pincelar com gema de ovo
7. Decorar com missangas coloridas.
8. Levar ao forno pré-aquecido a 50 graus até que dobre de volume.
9. Aumentar a temperatura para 180 graus cerca de 25 minutos.

receita adaptada do livro básico da Bimby

Aproveitam a natureza, o sol e tenham uma Feliz Páscoa!

 

Batido de kefir e uva da serra

Quero dias cor-de-rosa
Quero dias azuis
Quero mares calmos.
Quero ar livre, descanso e calor
Chega de frio
Chega de vento
E chega de dias molhados de cinzento

Batido de kefir e uva da serra_foodwithameaning

O kefir é presença obrigatória em todos os meus pequenos almoços.
Normalmente consumo-o puro com granola. Outras vezes, adoço-o com frutas, mel ou compotas.
Esta combinação que hoje trago é uma das minhas favoritas. Não sendo a altura das bagas de uva da serra, optei por fazer o batido com uma porção desta fruta congelada. Igualmente delicioso.
Poderão optar por quaisquer outros frutos, mas pessoalmente elejo os frutos vermelhos os silvestres e os tropicais.

Vamos então à humilde receita.

Ingredientes para um copo

300 ml de kefir (de 24 horas)
2 colheres de sopa de bagas
1 colher de sopa de mel
1 colher de sopa de compota de frutos silvestres ou vermelhos

Coloca-se todos os ingredientes no copo da varinha mágica ou num copo liquidificador e tritura-se até se obter a consistência desejada.

Batido de kefir e uva da serra_foodwithameaning

Experimentem este batido fresquinho. Ainda fica mais saboroso.

Outra sugestão de batido com kefir/quefir.

Panquecas com kefir