Donuts ou donetes à moda da Terceira…e um feliz 2013!

donetes à moda da ilha Terceira

Este doce era tradicionalmente confecionado pela minha mãe e avós. Nós, as raparigas cá de casa, não sentíamos em jovens qualquer interesse em aprender a fazer as donetes.  Esperávamos que estivessem prontinhas, cobertas com açúcar e canela, e apenas nessa altura, aparecíamos na cozinha, convidadas pelo aroma que passava pela fresta da porta da cozinha e atrevidamente se escapulia, pelo corredor, até onde nos encontrávamos. Sabia tão bem uma donete ainda quentinha a salpicar-nos de açúcar.

Hoje, já menos rapariga, senti o apelo de preparar este doce segundo a  receita retirada do caderninho da minha mãe , uma compilação de folhas marcadas com dedadas e amarelecidas pelo tempo. Um tesouro culinário, pelo menos para mim.

Esta é pois uma receita do coração que decidi partilhar convosco. Não são sonhos, como os confecionados o ano transato. São também doces fritos, é certo, mas em altura de festas não se contam calorias, pois não?

donetes à moda da ilha Terceira

Ingredientes

500 g de farinha

100 g de flocos de batata

1,5 colheres de sopa de açúcar

4 ovos

60 g de manteiga

fermento de padeiro (o equivalente a uma carteira de fermipan- 11 g)

380 ml de água

raspa de um limão ou de laranja

1 colher de chá de sal

óleo para fritar

açúcar e canela para polvilhar

Preparação tradicional

Num alguidar, ou pana*, como se designa por aqui, dissolve-se o fermento e o sal em água morna. Vão-se adiconando os restantes ingredientes, começando sempre pelos flocos de batata. Bate-se a massa à mão, até todos os componentes estarem bem incorporados e esta se mostrar elástica e com tendência a agarrar-se às mãos.

Seguem-se depois os passos de 4 a 10 marcados abaixo.

*Pana – Alguidar (do inglês “pan”)

Preparação na Bimby (testada por mim e aprovadíssima pela mãezinha)

Optei por fazer esta receita na Bimby porque evita todo o trabalho e canseira de manuseio inicial da massa. Modernices, como diz a minha mãe.

1.Seleciona-se o botão de balança e no copo da Bimby pesa-se 380 g de água. Adiciona-se o sal e a saqueta de fermento.

2. Marca-se 37 graus e 2 Minutos.

3. Adicionam-se primeiro os flocos de batata e depois os restantes ingredientes. Marca-se 3 minutos Vel. Espiga.

4. Coloca-se a massa das donetes a levedar dentro de um tupperware fechado e envolto num cobertor até que dobre de volume (cerca de 2 horas)

5. Numa mesa, ou na bancada da cozinha, estendo o cobertor  e por cima coloco uma toalha de mesa polvilhada com farinha.

6. Enfarinho a forma de cortar as donetes e as mãos  todas as vezes que preparo uma donete.

7. À medida que as donetes vão sendo feitas são colocadas em cima da toalha enfarinhada. Cobre-se com a restante toalha ou com outra e com o restante cobertor. A massa volta a levedar mais uma hora.

8. Após essa hora, e com as mãos enfarinhadas, retiram-se as donetes e colocam-se a fritar em óleo bem quente. O tempo de fritura diverge consoante o tamanho da donete, mas assim que a donete esteja dourada de um lado vira-se para atribuir do outro lado um  dourado semelhante.

9. Colocam-se as donetes em cima de papel de cozinha  para que a gordura excedente seja absorvida pelo papel. Costumo encostar as donetes umas às outras, ao alto, evitando que fiquem deitadas. Assim ficam sequinhas.

10. Envolvo-as de imediato na mistura de açúcar e canela.

Obs. No caso de ser principiante a fazer esta receita, convém fritar apenas uma donete, verificar se o seu interior está cozido e depois monitorizar a fritura a partir daí, conferindo mais ou menos tempo a cada face. Isto evita que o interior da donete fique cru e que o produto final não seja o desejado.

Esta é a forma que utilizo para confecionar as donetes. Comprei-a a um latoeiro na feira do gado, como podem ver aqui.

formas de donuts

E com estas donetes, ou donuts, ainda quentinhas, me despeço de todos os leitores e leitoras do foodwithameaning, desejando-vos a todos e todas um próspero ano nas diversas vertentes das vossas vidas.

donetes à moda da ilha Terceira

A contrastar com este doce, deixei no Receitas ao Desafio uma sugestão salgada. Podem espreitar aqui.

Cheesecake de mirtilos com angelica

cheesecake de mirtilos_foodwithameaning

Saída diretamente da nossa mesa de dia de Natal, esta sobremesa caraterizou-se por ser muito leve e fresca.

Partilho então uma fatia convosco.

cheesecake de mirtilos_foodwithameaning

Ingredientes

400 g de natas
400 g de queijo-creme

10 folhas de gelatina incolor, cortadas em pedaços
água q.b. para demolhar as folhas

180 g de açúcar
200 g de bolacha Maria

100 g de cereais Chocapic
100 g de manteiga

angelica* (2 cálices). Pode ser subst. por vinho do porto
1 lata de blueberry pie filling (que comprei na loja americana)

aroma de baunilha a gosto

* vinho licoroso, com uma graduação inferior a 20 graus, típico dos Açores (mais conhecida pela bebida das senhoras)

É um licor feito com a casta Isabel utilizada para fazer o tradicional Vinho de Cheiro.

Aqui na ilha Terceira, esta bebida é feita com 5 litros de uva  pisada aos quais se adicionam 2,5 litros de boa aguardente ou álcool  e 1,5 a 2  quilos de açúcar mascavado. Fica de 1 a 2 meses a fermentar. É depois coada com recurso a um pano e colocada em garrafas.

Preparação na Bimby

Demolhe a gelatina em água fria.
Coloque no copo o açúcar e pulverize 20 segundos/ velocidade 9. Retire e reserve.
Coloque no copo a bolacha e os flocos de chocapic  e triture 10 segundos/ velocidade 9.

Adicione a manteiga e marque 30 Seg. vel. 6.

Retire para uma forma de fundo amovível de aproximadamente 22 cm de diâmetro, forre o fundo e leve ao forno até cozer a base e alourar levemente. Retire e deixe arrefecer completamente.

Após lavar o copo da Bimby, coloque lá as natas e programe 2 minutos/ velocidade 3 1/2. É preciso cuidado para que não passem a manteiga.
Adicione o queijo, o açúcar, o aroma de baunilha e envolva 10 segundos/ velocidade 3.

Numa pequena tigela, leve a gelatina demolhada em um pouco de água ao microondas sem que esta ferva. Retire e mexa até estar totalmente dissolvida.

Junte a gelatina ao preparado no copo da Bimby e marque 10 segundos/velocidade 3.

Coloque o preparado por cima da base de bolacha já fria.

Leve ao frigorífico de um dia para o outro.

No outro dia de manhã, coloque por cima do cheesecake o conteúdo da lata de mirtilos.

Desenforme com cuidado e pouco antes do momento de servir.

Continuação de FESTAS FELIZES.

Coroa de festa

Salame de Festa_foodwithameaning

O almoço de Natal caracterizou-se por ser simples, para contrastar com os excessos do jantar do dia 24. Ao contrário do que se passa em muitas regiões do nosso continente português, aqui, nos Açores, a ceia de Natal não se limita ao bacalhau cozido com couves. Nas mesas de festa desfilam as entradas de marisco e os assados de aves e de porco como pratos principais. As sobremesas também não se confinam aos bolos da época e às rabanadas, sendo, assim, variadas e intemporais, de acordo com os gostos dos comensais e a sabedoria e paciência das doceiras. Hoje, como sugestões de sobremesa, preparei uma salada de frutos diversos, aromatizada pelo maracujá e colorida pela romã, e um fresco cheesecake de mirtilos. Para acompanhar o café, confecionei esta coroa de salame, rica em  nozes, amendoins torrados e pinhões.Diapositivo2

Preparação do salame

Trituram-se 400 g de bolacha até ficarem reduzidas a pó.

Trituram-se as restantes 400 g de modo a exibirem pedaços.

Parte-se cada noz em 6 pedaços. Trituram-se ligeiramente os amendoins torrados ( salgados) reservando-se alguns para a decoração. Os pinhões não são triturados.

Num alguidar, ou marmita grande, misturam-se todos os ingredientes. A manteiga deve ser amolecida previamente para facilitar a agregação do preparado. Para este facto também contribuem os ovos e o vinho do porto.

Esta sobremesa exige bastante de quem a confeciona especialmente pelo esforço implicado na mistura manual de todos os ingredientes até estes ficarem bem aglomerados. O salame está pronto a ser moldado como se entender quando se mostrar como uma unidade.

Tradicionalmente, o salame é moldado com o aspeto de pão de forma. Para fugir à tradição, resolvi fazê-lo em configuração de coroa, conferindo-lhe um ar mais festivo.

O salame é disposto em cima de película aderente, ou de papel de alúminio, previamente untada com vinho do porto e com o comprimento necessário a envolver toda a coroa.

Esta é uma sobremesa que deve ser feita de véspera e guardada no frigorífico.

O salame pode ser congelado após a confeção e retirado umas horas antes de ser consumido. É, por isso, um doce que pode ser confecionado a qualquer altura e guardado até vir a ser necessário.

Salame de Festa_foodwithameaning

Que as vossas festas continuem felizes e doces.

Salame de Festa_foodwithameaning

Red and White Christmas

bolo de natal_foodwithameaning

Todos os anos faço mais do que um bolo de Natal. Pode parecer exagero, mas a realidade é que dos três que saíram da minha cozinha dois foram feitos para oferecer. O bolo do post anterior teve como destino a casa dos meus pais. O primeiro que fiz este mês foi muito bem empacotadinho, conjuntamente com estas donas amélias, e seguiu pelo correio direto à cidade de Bragança, até à casa dos meus sogros. Chegou inteirinho e já se encontra no centro da mesa de natal. Espreita agora o frio seco que embacia a janela da sala de jantar e sente-se acolhido pelo calor que emana da lareira. Sonha com a neve que nunca viu e imagina se esta será doce como o manto branco que o cobre.

Festas Felizes!

A receita deste bolo encontra-se no post anterior.

And so this is Christmas

Bolo de frutas cristalizadas_foodwithameaning

So this is Christmas
And what have you done?
Another year over
And a new one just begun

And so this is Christmas
I hope you have fun
The near and the dear one
The old and the young

A very merry Christmas
And a happy New Year
Let’s hope it’s a good one
Without any fear

And so this is Christmas
For weak and for strong
For rich and the poor ones
The world is so wrong

And so happy Christmas
For black and for white
For yellow and red ones
Let’s stop all the fight

A very merry Christmas
And a happy New Year
Let’s hope it’s a good one
Without any fear

                                               (…)                       John Lennon

Ingredientes

5 ovos

400 g de açúcar

500 g de farinha

300 g de manteiga

1 colher de sobremesa de fermento

1 colher de café rasa de bicabornato de sódio

250 g de frutas cristalizadas

3 colheres de sopa rasas de cacau

1 colher de chá de canela

1 colher de café de noz moscada ralada

1 colher de café de gengibre em pó

raspa e sumo de um limão e de uma laranja

2 cálices de vinho do porto

meio frasco de melaço

meio frasco de compota de uva

Preparação tradicional

Com recurso à batedeira elétrica, batem-se as gemas com o açúcar e a manteiga até se obter uma massa esbranquiçada.

Adiciona-se o cacau, a canela, a noz moscada, o gengibre, a raspa e o sumo dos citrinos. Mistura-se.

Junta-se o melaço, a compota e o vinho do porto. Bate-se novamente.

Vai-se adicionando a farinha aos poucos. Junta-se o fermento e o bicabornato. Mistura-se muito bem.

Batem-se as claras em castelo  e juntam-se ao preparado.

Envolvem-se as frutas cristalizadas em farinha e misturam-se homogeneamente na massa.

Vai a cozer em forno médio, pré-aquecido, cerca de uma hora.

Bolo de frutas cristalizadas_foodwithameaning

Se preferirem fazer um bolo de figo, podem consultar esta receita que publiquei o ano passado.

Brown and White Christmas

bolachinhas de especiarias

Dezembro tem-nos brindado com dias cinzentos e chuvosos. Se as atividades de exterior têm ficado comprometidas as de interior têm proliferado. Os dias passados em casa fizeram crescer duas árvores de natal, a artificial, que nos vem acompanhando há alguns anos, e a natural, este ano uma faia, para contradizer a tradição do pinheiro, do cedro ou da criptoméria, esta última a mais utilizada para o efeito aqui nos Açores. Como tenho a sorte de viver rodeada de árvores, e o desbaste pontual destas é fundamental para não comprometer a casa e os muros, resolvemos trazer a natureza para dentro de casa no formato de uma árvore com um porte considerável. A sala ficou assim mais cheia. Depois da decoração pronta, minimalista para que a imponência da árvore se sobreponha sempre ao resto, foi tempo de dispor as figuras do presépio e de colocar o menino Jesus de loiça em lugar de destaque.

Com a casa decorada para receber esta época festiva faltava começar a pensar nas iguarias natalícias. Eu e a minha ajudante de quatro anos arregaçámos mangas, colocámos aventais e iniciámos uma maratona de doçaria.

– Por onde vamos começar, perguntei-lhe?

– Pelas bolachinhas de natal, respondeu ela eufórica e aos saltos.

Os ingredientes foram saindo dos armários, as forminhas para os moldes saltaram da caixa e as bolachinhas começaram a ganhar vida.

Bolachas de Especiarias

bolachinhas de especiarias

Ingredientes
3 chávenas de farinha para bolos
1 chávena e meia de açúcar mascavado escuro 1 chávena de margarina ou manteiga amolecida
2 ovos
2 colheres de chá de canela
2 colheres de chá de gengibre
2 colheres de chá de cacau
1 colher de chá de cravinho em pó
meia colher de chá de noz moscada
meia colher de chá de sal
1 colher de chá de aroma de baunilha

Modo de Preparação
Misturam-se todos os ingredientes até se obter uma massa moldável.
Retiram-se pedacinhos da massa e com recurso a formas diversas fazem-se os biscoitos.
Colocam-se num tabuleiro forrado com papel vegetal.
Vão a cozer cerca de 15 minutos em forno previamente aquecido.

Observação: As bolachas estão prontas quando ainda estão moles ao toque. Devem-se retirar do forno e deixar que arrefeçam no próprio tabuleiro. O calor do tabuleiro ajudá-las-á a acabar de cozer. É preferível retirá-las mais cedo do que o previsto e depois voltar a colocá-las no forno, se necessário, do que deixá-las secar demasiado, pois podem tornar-se demasiado duras e difíceis de comer.
O tempo de cozedura também está relacionado com a altura das bolachas, logo as mais baixinhas cozerão mais rápido.

Cobertura e decoração das bolachas

Decorámos as bolachinhas de especiarias com açúcar pilé, limão e missangas prateadas.

Misturámos no açúcar sumo de limão obtermos a consistência desejada para riscar as bolachas.

Colocámos a mistura numa seringa de pasteleiro e decorámos a gosto.   Outra sugestão de decoração aqui.

Boas Festas!

Abóbora assada three ways

Gosto mesmo de abóbora, como quem segue o blogue já deve ter reparado. Ela é uma boa fonte de proteínas. Contém vários minerais e vitaminas (ferro, cálcio, fósforo, vitamina A, E e complexo B) com efeito antioxidante, anti-inflamatório e regulador do sistema nervoso.  É muito bem tolerada por organismos de todas as idades e ajuda no funcionamento do trânsito intestinal. As suas sementes são uma grande fonte de ácidos gordos essenciais. Quem é mãe também sabe que a abóbora é parte principal da primeira sopinha que se dá ao bebé.

Por todos estes motivos e mais alguns, decidi assar uma fornada de fatias de abóbora. Quis, no entanto, diferenciar umas das outras e recorri para o efeito a diferentes temperos. Para a primeira versão, abóbora assada com azeite e pimentas, inspirei-me  aqui nesta receita de Matt Bites, um homem que se diz “obsessed with food, drink and everything in between”.

abóbora assada com especiarias e ricotta

Fiz mais duas versões, abóbora assada com açúcar e canela e abóbora assada com açúcar gengibre e noz-moscada.

Gostei bastante das versões doces, mas a minha eleita foi a variante salgada, talvez por ter feito questão de a acompanhar com queijo ricotta e ervas aromáticas.

abóbora assada com ricotta

Vamos então às simples receitas:

Corta-se a abóbora às fatias. Assei doze. Lavam-se os pedaços e retiram-se as sementes.
Forra-se um tabuleiro de forno com papel vegetal. Dispõem-se as fatias de abóbora em três linhas diferentes para após a cozedura sabermos as várias versões.
Temperei quatro fatias com sal de mesa, mistura de pimentas, ervas aromáticas e um fio de azeite.
Temperei outras quatro com açúcar e canela.
As últimas quatro fatias foram temperadas com açúcar e gengibre.
Levei a assar a uma temperatura de 180 graus,com utilização apenas da resistência inferior do forno, até que as abóboras evidenciassem o aspeto de assadas.

Deixei que a versão salgada arrefecesse ligeiramente e servi-a com mais um fio de azeite, queijo ricotta e mistura de ervas aromáticas para saladas. Deliciei-me.

Continuação de boas festas!