Um ano de foodwithameaning com beijinhos

Há doze meses atrás nascia o foodwithameaning. Coincidia este nascimento com a mudança da nossa família para uma casa nova, rodeada de verde. Sentia-se por cá o entusiasmo de se estar a estrear cada canto da casa, de se estar a arrumar em cada gaveta objetos de vivências passadas. Aninhavam-se ao lado destes outros, novinhos em folha, também ansiosos por serem pertença de um tempo e de um espaço. Foi neste contexto de novidade constante que o blogue surgiu. Analisando este ano em retrospectiva, porque os balanços estão inerentes aos aniversários, vejo o quão mais enriquecido tem sido o meu dia-a-dia desde que resolvi dar asas a este projeto. Cresci em termos culinários, porque aprendi muito com quem está do outro lado do fio, pessoas com mais e menos idade do que eu, pessoas que expressam através dos seus blogues o gosto pela culinária, quer através dos textos introdutórios quer das receitas ou das fotografias. Refleti ao ler posts de temas variados, escritos por pessoas que são inspiradoras, talvez sem saberem que têm a habilidade de nos falarem ao coração e à razão. Diverti-me muito com alguns comentários feitos às minhas publicações, alguns de pessoas que não conheço e que porventura nunca chegarei a conhecer. Aprendi, e ainda aprendo, com pessoas que passei a conhecer por intermédio da blogosfera, e com quem partilho ideias, dicas e a quem ofereço o que se vai preparando na minha cozinha. Em suma, cresci em várias vertentes. Tornei-me mais exigente comigo própria. E vejo que evolui, porque tenho agora uma maior preocupação com a apresentação dos posts, porque gosto de contextualizar as receitas quer estas sejam mais ou menos elaboradas ou quer tenham nascido com ou sem motivo particular.

Fico extremamente feliz quando leio os comentários de amigos, conhecidos e de visitantes anónimos que genuinamente demonstram apreço pelas minhas publicações. Sinto uma verdadeira interação quando se trocam dicas culinárias, quando alguém faz sugestões de combinação de ingredientes, quando alguém diz que reproduziu a minha receita e que gostou muito, quando alguém me envia fotos dos seus cozinhados, quando partilho vivências através do correio eletrónico com esta ou aquela amiga mais ou menos virtual. Sinto também uma alegria de criança quando vejo a indicação no blogue de que tenho comentários novos. Divirto-me ao lê-los e solto gargalhadas espontâneas com alguns deles. Quem as ouve intriga-se. Cá em casa nem sempre compreendem este meu hobby, mas têm vindo a mostrar mais paciência aquando da reportagem fotográfica. A minha filha pergunta sempre se já tirei a foto antes de experimentar o que preparo. Cuidados que já lhe valeram ralhetes. No fim, acabo por ficar sempre com o prato da foto, quase frio, é certo, mas o mais requintado da mesa.  Agradeço, também, quando quem segue o foodwithameaning  me relembra da falta de  determinado ingrediente na receita por esquecimento. Às vezes acontece. Terei de contratar um editor;)

Inspiro-me em tantos blogues, mas tenho a preocupação de referir a fonte quando reproduzo as contribuições desses espaços culinários. Sinto tristeza quando vejo as minhas fotos usurpadas indevidamente. Sabem todos os que já foram vítimas do mesmo a que me refiro. Lamento sempre a existência de pessoas com falta de originalidade e escrúpulos. Entristecem-me também os comentários superficiais, de conveniência, que alegremente denomino de “picar o ponto”. Felizmente acho que tenho poucos desses. Experimento todos os dias pesar por não dispor de tempo suficiente para apreciar todos os espaços que gosto de visitar. Por isso me desculpo com alguma frequência. Sinto um carinho inexplicável por vários seres humanos que existem por detrás de alguns blogues, mesmo sem os conhecer pessoalmente. Coisa estranha.

Espero continuar deste lado daqui a um ano.

Espero continuar a aprender convosco.

Espero continuar a partilhar receitas e momentos de reflexão significativos.

E já me alonguei demasiado. O mais provável é terem desistido de ler o post no segundo parágrafo. Por isso, a receita de hoje vai ser pequenina mas cheia de significado porque pretende celebrar o primeiro aniversário do foodwithameaning.

Beijinhos para todas e todos.

Ingredientes e Modo de Preparação (para 20 a 25 beijinhos)

Colocam-se as 6 gemas de ovos, as 125 g de côco e as 250 g de açúcar num tacho. Misturam-se todos os ingredientes em lume baixo com uma colher de pau. Mexe-se sempre até estes estarem ligados e prontos a serem enrolados em formato de esfera. Podem-se ir fazendo experiências com pedacinhos da massa ao longo da cozedura para evitar que o preparado seque muito e que as bolinhas se tornem quebradiças.

Passam-se as mãos por açúcar antes de enrolar cada beijinho. Envolve-se cada  docinho em côco ralado e coloca-se uma missanga prateada no topo.

Desta vez decorei com  montinhos de côco no cimo da esfera e com um pauzinho de chocolate granulado.

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Abrótea com Curtumes

A abrótea é o peixe dos três fês. Deve ser apreciada fresca, frita e fria, como sempre afirma o meu pai. Tal como ele, não concebo outra forma de confecionar este peixe. Há quem o coza, mas no meu entender é um peixe de consistência muito mole para ser cozido.

Os curtumes são presença essencial na nossa mesa quando preparamos pratos de peixe, quer acompanhemos a refeição com arroz ou com umas simples batatas cozidas aromatizadas pelo piri-piri e pelo louro. Numa parceria com a abrótea frita, saíram do nosso frigorífico o curtume de perrexil, publicado no verão, e o curtume de beterraba, uma oferta deliciosa da amável Susana com quem partilho momentos de boa disposição sempre que a visito  na biblioteca da escola onde trabalhamos.

Ingredientes
1 abrótea
5 dentes de alho grandes cortados às rodelas.
1 colher de sopa de massa de malagueta
mistura de pimentas
1 copo de água
1/3 do copo de vinagre branco
sal
farinha de milho
óleo para fritar

Modo de Preparação
Peço na peixaria que limpem o peixe e o cortem em postas finas.Tempero-o com sal e pimentas.
Faço um vinha d’alhos com os restantes ingredientes acima mencionados, com exceção do óleo e da farinha de milho.
Deixo o peixe repousar no vinha d’alhos cerca de três horas.

Antes de fritar a abrótea em óleo quente seco-a muito bem em papel de cozinha.
Envolvo-a em farinha de milho e coloco-a cuidadosamente na frigideira.
Deve-se deixar fritar de ambos os lados, processo este que ainda demora algum tempo.
Depois de retirar a abrótea do óleo, escorro-a em papel de cozinha para absorver algum excesso de óleo e frito ligeiramente os alhos retirados ao vinha d’alhos, que posteriormente acompanharão o peixe.

Uma boa semana de trabalho ou de lazer, consoante o caso.

Patrícia

Moelas aromaticamente estufadas

Cada estação solicita determinadas receitas. As saladas frescas, os sumos e os gelados atingem o seu auge na primavera e no verão. Os pratos de forno, de tacho ou panela pertencem ao outono e ao inverno. Querem-se, portanto, quentinhos e fumegantes. Este estufado, confecionado para o jantar de domingo, reconfortou-nos com o sabor das moelas e com aroma a salsa e a alecrim.

Ingredientes

1kg de moelas frango
1 cebola grande
3 dentes de alho
1/2 pimento vermelho aos pedacinho
2 colher de sopa de polpa de tomate
1 lata de tomate frito
salsa fresca
1 cerveja
1 folha de louro
1 raminho de alecrim
1 caldo de galinha (da marca que entenderem)
azeite
piri- piri
sal

Modo de Preparação

Como costumo comprar as moelas congeladas, deixo que descongelem completamente, limpo-as e lavo-as muito bem. De seguida, cozo-as em água e sal mais ou menos 45 minutos na panela de pressão em lume baixo.Retiro-as da panela e reservo o caldo da cozedura, para mais tarde o utilizar.Em outro tacho, coloco azeite, a folha de louro e o piri-piri.Refogo a cebola, o pimento e o alho cortados aos pedacinhos. Junto o conteúdo da lata de tomate frito, o caldo de galinha e rego com a cerveja e com algum do caldo das moelas.Tempero de sal. Adiciono o raminho de alecrim. Tapo o tacho e deixo a moelas estufarem durante 15 a 20 minutos em lume baixo.

Costumo mexer o guisado de vez em quando. Passado os 10 minutos, abro o tacho, coloco um molho de salsa e retifico os temperos.Deixo o molho apurar, já com o tacho sem tampa, durante mais 10 minutos.
Acompanho as moelas estufadas com arroz branco. Quando as faço como petisco, corto-as mais pequenas e espeto-lhes uns palitos.

Quando uma tarte é simples e deliciosa…

Os fins de semana tem sempre a presença de uma sobremesa na mesa. Este, excecionalmente, foi palco de várias porque ontem tivemos um aniversário na família, logo o jantar foi farto. Voltei a fazer o bolo de bolacha pois é o favorito do meu pai e porque vejo que o resto da família também o aprecia. Assim, hoje, domingo, não haverá lugar a sobremesa. Esta que vos trago foi confecionada para levar para um lanche de amigas. Apesar de sermos apenas seis, a tarte desapareceu num ápice. É caso para se dizer: going; going; gone.

Tarte de Maçã

Ingredientes
6 maçãs
sumo de um limão
1 ovo inteiro
2 gemas
150 g de açúcar
80 g de açúcar (a receita original não contempla)
130 g de manteiga
1 colher sopa de canela (a receita origial não contempla)
10 g de vinho do Porto ou Brandy
170 g de farinha
2 colheres e meia de chá de fermento em pó para bolos
1 pitada de sal

Preparação
Pré-aqueça o forno a 180ºC.
Descasque as maçãs, corte-as aos quartos e de seguida lamine-as finamente sem chegar até a baixo, regue com o sumo de limão e reserve.
Coloque no copo o ovo, as gemas, 150 g de açúcar e programe 2 Min / 37º/ Vel 4.
Junte a manteiga, o vinho do Porto e misture 6 Seg Vel 4.
Adicione a farinha, o fermento, o sal e programe 15 Seg/ Vel 3.
Deite numa forma de fundo amovível, (utilizei uma tarteira pyrex) coloque em cima os quartos da maçã laminada uns ao lado dos outros, com a parte cortada para cima.Polvilhei com as 80 g de açúcar e a canela previamente misturados numa tigela.
Leve ao forno cerca de 30 minutos. Pique com um palito ao centro. Se sair limpo é porque está cozido.
Retire do forno, deixe arrefecer, desenforme e polvilhe com açúcar em pó através de um passador.

fonte: Livro Base da Bimby (página 148)

Fatias Douradas

Esta é uma receita típica do Natal no continente português. Por norma é feita com pão tipo cacete, mas neste caso utilizei meio pão de forma cujo prazo de validade se aproximava do fim. Lembro-me de em casa dos pais se confecionarem as fatias douradas como aproveitamento do pão do dia anterior, mas hoje deixamos os fritos “para dias de festa”, ou seja, temos a preocupação de evitá-los. Costumo converter o pão que sobeja em pão-ralado, muitas vezes aromatizado com ervas.

Esta receita é muito idêntica à das rabanadas. Não contempla, porém, a calda de açúcar tradicionalmente colocada por cima desta iguaria.

A receita cá de casa versa então assim:

Embebeda-se cada fatia em leite. De seguida, envolve-se a fatia em ovo batido.
Vai a fritar em óleo quente. Deixa-se dourar de ambos os lados.
Escorre-se e seca-se cada fatia com papel de cozinha.
Polvilham-se ambos os lados da fatia com uma mistura de açúcar e canela.
Dispõem-se as fatias numa travessa.

Acompanham-se com um chá quentinho. Elejo o de poejo ou o de erva-príncipe, mas estão à vontade para escolher o vosso favorito.

Some food for thought… Chicken à la carte

A curta-metragem que se segue transporta-nos para uma realidade difícil de digerir, tanto devido ao contexto situacional presente como à atitude dos intervenientes.

As imagens  sensibilizam  e são a prova viva de que a “crise” que tanto tememos, e começamos a experienciar, sempre existiu em muitos contextos sociais desconhecidos para nós.

Este post serve fundamentalmente para refletirmos na sorte que temos por não termos necessidade de obter comida do modo expresso pelas imagens. Some food for thought, portanto.

Chicken à la carte

Para o Afonso … mimos da tia

Como já afirmei anteriormente, a chegada de um bebé à família é sempre um misto de alegria e ansiedade. O Afonso verá a luz do dia entre o Natal e a passagem de ano. Será, portanto, o menino Jesus desta época natalícia e eu serei uma tia babada.
Como gosto de cozinhar, resolvi, juntamente com as amigas da minha irmã, começar a organizar a baby-shower do bebé. Decidi fazer o bolo do bebé, cuja receita já publiquei aqui, umas lembranças pantagruélicas, que foram entregues às convidadas, e uns cupcakes red-velvet, cuja inspiração para a preparação fui buscar aqui.
O bolo de fraldas, composto por várias perguntas de puericultura que iam sendo colocadas às jovens e menos jovens presentes (pudemos contar com os contributos das futuras avós dos bebés) contribuiu para um convívio divertido e intimista. Assistiu-se a um intercâmbio de experiências muito salutar sobre as rotinas diárias do recém-nascido, a alimentação nos primeiros anos de vida e sobre estratégias de educação. Uma autêntica workshop, onde não faltaram as prendas para a futura mamã.
Agora resta-me aguardar que o Afonsinho nasça para “matar saudades” dos tempos de quando os meus filhos eram assim pequeninos. Eles crescem à velocidade da luz.