Numa onda mais light…wrap de legumes com frango e curgete grelhada

Durante a semana, a regra.

Ao fim-de-semana, a contra-regra.

Esta é uma receita económica, rápida, leve, muito saborosa e amiga da silhueta.

Ingredientes

tortilhas (de compra)

1 curgete

couve-roxa (pequena)

cebola-roxa

alcaparras

pimento vermelho

tomates-cereja

frango grelhado desfiado (1 peito apenas pois queremos dar ênfase aos legumes)

azeite

manjericão

hortelã-pimenta

1 colher de açúcar amarelo

1 colher de vinagre de sidra (ou outro que tenha)

sal

Modo de Preparação

Desfiei o peito de frango e reservei.

Cortei o pimento às tirinhas e a cebola às rodelas finas.

Refoguei a cebola e o pimento em azeite.

Adicionei a couve-roxa raspada ou cortada muito finamente, o açúcar e o vinagre. Deixei cozer tapando a frigideira com uma tampa de vidro.

Juntei o frango e envolvi.

Juntei 4 ou 5 folhas de hortelã-pimenta, os tomates-uva e as alcaparras.

Temperei de sal e pimenta.

Retirei o preparado  da frigideira ou do wok  e coloquei porções em cima das tortilhas, transformando-as de seguida em wraps.

Acompanhei com rodelas de curgete grelhadas e temperadas com um fio de azeite, sal de mesa e manjericão.

Bom apetite!

Morangos frescos em setembro? Sim é possível.

Os nossos morangueiros já deram o que tinham a dar há muito tempo. No entanto, e há cerca de uma semana, numa ida a um vizinho que tem estufas encontrei morangos fresquinhos. São os últimos – disse-me ele- daí serem pequeninos.  Como por norma faço uma sobremesa aos fins-de-semana elegi este bolo recheado para me despedir do verão. O sabor concentrado dos morangos, talvez por serem pequenos, combinou na perfeição com o ananás, contrastando assim com o chantilly levemente adocicado e abaunilhado.

Ingredientes 

1 pão de ló (se pretender que fique em formato redondo e se não tiver tempo para fazer o bolo).  Fiz esta receita da Mar mas em formato retangular.
3 caixinhas de natas (200 ml cada)
açúcar a gosto (vou adicionando às natas e provando até ficar a meu gosto, pouco doce)
1 lata de ananás ( utilizei a calda para regar o bolo)
morangos para o recheio e para decorar
aroma de baunilha (1 colher de café)
 

Modo de Preparação

1. Bati as natas com o açúcar.
 
2. Adicionei o aroma de baunilha e bati mais um pouco.
 
3. Piquei o ananás em bocadinhos pequeninos. Escorri. Sequei com papel de cozinha.
 
3. Lavei os morangos. Piquei uma parte deles aos bocadinhos para o recheio.
 
4. Cortei o pão de ló em camadas na horizontal. (apenas cortei em duas mas é preferível ser em 3)
 
5. Reguei a primeira camada com calda da lata de ananás.
 
6. Coloquei uma camada de chantilly, a fruta picada e cobri com outra camada de chantilly.

7. Fiz o mesmo procedimento à segunda camada de pão de ló.

8. A última camada ou a tampa do bolo é regada com a calda do ananás – de pernas para o ar- antes de ser colocada por cima.

9. Utilizei  o resto do chantilly e a fruta separada para a decoração final.

 

A alteração do pão de ló pelo bolo de iogurte concorreu para uma intensificação de sabor, ficando o bolo igualmente leve e fofo.

Continuação de uma boa semana!

Patrícia

Baba de camelo para um almoço falado em inglês

Num almoço em que o convidado principal é cidadão americano, o inglês foi obviamente a língua selecionada. Como sou professora de inglês trabalho diariamente com esta língua, no entanto, falar diretamente com um native-speaker não é algo que aconteça todos os dias, apesar de cá na ilha nos bastar ir à base americana para colocarmos o inglês em dia, se esse for o nosso objetivo.

Todos os anos, a escola onde trabalho faz um intercâmbio com alunos da escola americana da Base das Lajes e os nossos alunos têm a oportunidade de interagirem com alunos americanos no próprio espaço da escola. Assistimos a diferenças muito evidentes em relação ao ensino ministrado em Portugal, no que diz respeito ao currículo, à organização dos horários, ao apetrechamento das salas e à disciplina. É importante também ressalvar que os jovens que frequentam a escola americana aqui na base são filhos de militares, portanto, o fator disciplina está diariamente presente nas vidas deles. Numa dessas visitas ficámos a conhecer alguns professores com os quais costumamos  manter o contato ao longo do ano.

O almoço prolongou-se pela tarde. Como sabia qual a sobremesa portuguesa favorita do convidado, preparei umas taças de “camel spit“, tradução demasiado à letra de baba de camelo, que deu origem a muitos trocadilhos e gargalhadas ao longo da refeição, especialmente quando iam surgindo várias propostas para baba, como drivel, foam and mucus.

Foi um almoço muito interessante, bastante informal e com variados temas de conversa. No fim do repasto, já por volta das seis da tarde, despedimo-nos com a certeza de que pouco ficou “lost in translation”.

Baba de camelo

Ingredientes para 8 pessoas

2 latas de leite condensado cozido

8 ovos

2,5 folhas de gelatina

Modo de Preparação

1. Demolhar numa tacinha de sobremesa a gelatina em água fria (encher a taça com água até meio).

2. Bater as gemas bastante bem até ficarem com uma cor clara.

3. Juntar o leite condensado cozido às gemas e bater muito bem a mistura.

4. Colocar a tacinha com as folhas de gelatina e a água  no micro-ondas durante 5 a 6 segundos certificando-se de que não ferve.

5. Acrescentar a gelatina liquide feita  ao leite condensado e bater muito bem.

6. Bater as claras em castelo bem firme e envolver no preparado anterior.

7.Colocar em taças e decorar com amêndoa picada torrada ou bolacha maria esmagada. (optei por não colocar topping por saber ser essa a preferência do convidado)

8. Guardar no frigorífico até a sobremesa estar bem fresca. (fiz a receita de véspera)

Enjoy!

Nadine e o fim do verão

Cinzentos têm sido os dias de setembro. O verão acabou assim muito cedo, no início do mês. A parafernália da praia esperava ter tido mais uso este ano. As toalhas, as braçadeiras, as bóias, os baldes, as pás e o material de mergulho permaneceram fiéis, na prateleira da arrecadação, aguardando sempre uma oportunidade, que nunca mais mereceram.

São 19.00. O céu pinta-se de um tom cinzento ainda mais escuro do que o habitual. As folhas das árvores que rodeiam a nossa casa libertam-se dos ramos e viajam pelo ar numa dança sem destino. Sabe bem estar em casa, no conforto. Lá fora, o contraste de um ambiente agreste. A  tempestade tropical Nadine avisa assim que se está a aproximar. De súbito, decide carimbar os céus com uma tinta feita de ventos alucinantes e chuvas copiosas, oficializando de forma abrupta o  início do outono. Enquanto o vento assobia lá fora, a trovoada  faz-se ouvir cada vez mais perto.  A chuva escorre pelos vidros dos janelões, riscando circuitos labirínticos que desaparecem para logo darem lugar a outros. Os altos eucaliptos  e as frondosas faias inclinam-se e obedecem a um bailado sem regra. Um dos eucaliptos, já sem força para resistir, cede e cai. Do outro lado do jardim, uma faia solidária deita-se também sobre a terra e sobre o muro de pedra. A idade avançada não lhe permitiu continuar a luta. Cada vez mais se sente o pulsar gradativo da tempestade, como se fosse uma entidade em fúria.  Pensamos no trabalho que nos espera quando amanhecer. E, temerosos, assistimos a tudo do outro lado da vidraça.  É hora de jantar. Estamos os quatro na cozinha. Do tacho sai um vapor colorido, de um creme que contrasta propositadamente com o mau tempo que se faz sentir no exterior. Cá dentro, a luz e o calor. Lá fora, a escuridão da noite e o frio húmido.

Creme de Beterraba e Hortelã

 

Ingredientes

1 beterraba pequena

1 courgette média

3 cenouras

1 cebola

 3 folhas de hortelã

azeite

sal

Modo de preparação na Bimby

1. Coloca-se no copo a cebola, cortada em pedaços, e o azeite.
2. Refoga-se 5 minutos, a 100 graus.
3. Junta-se a beterraba, a courgette e a cenoura, cortadas em pedaços.
4. Tempera-se tempera-se com sal e cobre-se com água.
5. Programa-se 25 minutos, velocidade 1, 100 graus.
6. A faltar 5 minutos, introduz-se pelo bocal do copo as folhas de hortelã.
7. Retiram-se as folhas de hortelã antes de triturar os legumes (velocidade 5-9, progressivamente)
 
Modo de preparação tradicional
 
1. Corta-se a cebola em pedaços e refoga-se no azeite. 
2. Junta-se a courgette, a cenoura e a beterraba abóbora aos pedaços.
3. Tempera-se com sal e cobre-se com água. Deixa-se cozer, em lume brando. 
4. A faltar 5 minutos do fim da cozedura, adicionam-se as folhas de hortelã.
5. Retiram-se as folhas de hortelã antes de triturar os legumes com a varinha mágica.
 

Hoje de manhã, o cenário cá em casa era este:

Granola torrada e iogurte com sabor a máquina fotográfica

Inspirei-me nos pequenos-almoços de outono da nossa querida Sophie Dahl. Cada vez gosto mais das suas voluptuosas receitas.

Adaptei a receita de granola torrada de Miss Dahl, utilizando ingredientes que dispunha em casa.

Antes de tirar esta foto, e como gosto de ver tudo bem ao perto, a máquina fotográfica escorregou-me das mãos e caiu em cheio dentro da taça de iogurte. Imaginem a minha cara de pânico. Pensei logo:” Era uma vez uma lente!”. Mas, recorri aos reflexos rápidos de mãe e, no mesmo instante, retirei a máquina do iogurte e comecei a limpar os resíduos com papel de cozinha, cotonetes e álcool. Ao mesmo tempo que fazia esta operação, pensava que esta máquina teria tido poucos meses de vida e que juntar-se-ia à antiga, que caiu no chão e entortou a lente (resumindo, adeus máquinas). Tenho qualquer problema com lentes, portanto. Na versão do meu marido, estas coisas acontecem porque faço tudo às pressas. E tem razão. O ideal seria se o nomeasse “fotógrafo oficial” do blogue, mas não o estou a ver com paciência para esse cargo. Resta-me ter mais cuidado para a próxima. Felizmente desta vez tive sorte. A máquina está limpa e operacional. O meu filho, que assistiu ao momento fatídico, disse-me: Mãe, agora quando fores escrever a receita no blogue não te esqueças de dizer que criaste um iogurte com aroma a máquina fotográfica. Confesso que naquele momento não achei graça nenhuma a este comentário.

Ingredientes

óleo para untar o tabuleiro (adicionei também duas colheres de sopa de óleo aos cereais)

200 g de flocos de aveia

70 g de pevides (utilizei cerca de 3 colheres de sopa de pevides de abóbora)

50 g de amêndoa laminada ( utilizei amendoins com sal)

50 g de côco ralado (utilizei 100 g)

100 g de cornflakes ( a receita original não previa este ingrediente)

50 g de sultanas ( a receita original não previa este ingrediente)

50 g de bagas goji ( a receita original não previa este ingrediente)

2 colheres de sopa de sumo de maçã (utilizei um pacote de sumo, cerca de 200ml)

2 colheres de chá de extrato de baunilha

160 g de xarope de agave ou mel ( coloquei 4 colheres de mel bem cheias e 2 de melaço)

1 colher de sopa de canela moída (coloquei 2)

1 pitada de noz-moscada recém moída ( raspei meia noz-moscada)

1 colher de chá de pimenta-da-jamaica ( não coloquei)

100 g de damascos  secos cortados (utilizei as sultanas e as bagas goji em substituição)

maçã e banana desidratadas a gosto (a receita original não contemplava)

Modo de Preparação

Aqueci previamente o forno a 180ºC e untei o tabuleiro.

Numa tigela, misture todos os ingredientes secos, à exceção das sultanas e das bagas goji.

Em outra tigela, misturei todos os ingredientes molhados e as especiarias.

Juntei os ingredientes secos aos molhados.

Espalhei a mistura no tabuleiro de forma regular, usando uma espátula para alisar.Levei ao forno cerca de 40 minutos, vigiando sempre e mexendo a mistura para esta torrar homogeneamente.

A faltar cinco minutos do fim, adicionei as sultanas e as bagas goji.

Deixei arrefecer e guardei a granola num frasco hermético.

Costumo misturar a granola no leite, no iogurte ou então  petiscá-la diretamente do frasco. Acreditem, esta granola caseira tornou-se um vício.

Um resto de boa semana!

Patrícia

 

Homemade

Desde criança que  assisti ao hábito de se fazer queijo-fresco em casa.  Esperava pela buzina da carrinha do “homem do leite” e corria ansiosamente para a porta. Atrás de mim vinha a minha avó já com o jarro na mão para receber o leite do dia. Junto à ombreira da porta, ficava a observar a recetividade genuína  da conversa diária  com o senhor Valdemar.  A minha avó, que quando enviuvou veio morar connosco, fazia queijo-fresco quase diariamente, mas sempre em formato familiar. Lembro-me das formas de alumínio esburacadas aqui e acolá, repletas de orifícios por onde saía o soro do leite. Ela pendurava-as religiosamente na parede da cozinha, depois de as lavar, juntamente com um caneco metálico por onde tinha o hábito de beber água.   Via-a aquecer o leite ligeiramente para receber o coalho. Não existiam termómetros para marcar os 35ºC de temperatura. Ela sabia o ponto só de colocar o dedo no leite. Ainda hoje, recordo-me, muitas vezes,  de levar para os lanches  da escola um papo-seco com  de queijo- fresco. Deliciava-me com aqueles pedaços de queijo, frágeis na textura e puros na sua cor alva. Na altura, as sandes pouco variavam: ora eram de queijo-fresco ora de manteiga ora de marmelada ora de doce.  Felizmente não havia o hábito de se barrar o pão com compostos achocolatos.

Herdei uma das formas de queijo que sobreviveu ao tempo (que coisa insólita de se herdar!).

Como há muitos anos  não fazia queijo-fresco, resolvi que este regresso às raízes teria essa forma como utensílio de honra. Depois de vários anos arrumada voltou a ser útil.

Agora já habituada a ter em casa queijo sempre fresquinho, arranjei outras formas, mais pequenas, para fazer o queijo em doses individuais.

Na minha infância não havia o hábito de associar o queijo-fresco à massa de malagueta porque este não era consumido como entrada.

Hoje,  qualquer casa de pasto  e restaurante açoriano que se preze disponibiliza o queijinho fresco acompanhado da massa de malagueta, uma combinação de sabores aglomeradora.

Ingredientes para 6 queijinhos

2 litros de leite do dia (cá vendem-se em sacos)

coalho em pó (seguir as instruções do frasco) ou em gotas (4o gotas)

sal a gosto

Modo de preparação

Coloquei o leite do dia numa panela e aqueça até a temperatura  estar entre os 35  e os 37 graus.  Nessa altura juntei o coalho e mexi bem.

Esperei cerca de duas horas até o leite coalhar. Com uma faca, fiz  cortes no leite para facilitar a libertação do soro. 

De seguida, coloquei o utensílio metálico com orifícios, que vem com a panela de pressão, e que é utilizado para cozinhar  a vapor, em cima de um tacho, que deve ter o mesmo diâmetro, de forma a que um assente no outro.

Coloquei dentro do utensílio metálico a seis formas pequenas, também esburacadas (compram-se no latoeiro ou fazem-se em casa com recurso a tubos cinzentos de plástico e um berbequim).

Enchi-as até ao cimo com pedaços de queijo. Temperei cada queijinho com uns pozinhos de sal fino (não costumo misturar o sal no leite, mas há quem o faça)

Cobri as forminhas com película aderente, mas poderão utilizar um pano de cozinha.

Guardei no frigorífico.

No dia seguinte já tinha queijinhos para o pequeno-almoço.

Boa semana!

Patrícia

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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“Todos os homens gostam de rotinas. Uns gostam de começar o dia tomando o pequeno-almoço em casa e folheando os jornais; outros preferem fazê-lo no café da esquina; outros acham que a barbearia é o lugar certo para tomar o pulso ao dia que está pela frente. Uns gostam de uma boa conversa logo pela manhã, outros só pedem que os deixem em paz e em silêncio. Uns habituam-se a escutar as queixas das mulheres ou as lamúrias dos filhos assim que acordam e esse som de fundo faz-lhes falta, outros só conseguem fixar a porta da rua e só se sentem prontos a enfrentar o dia quando a fecham atrás de si. Mas outros, todos, precisam de uma rotina logo pela manhã. Só os loucos é que não precisam disso – e por isso é que são loucos.”

Miguel Sousa Tavares, Rio das Flores

 

Tomei a liberdade de reescrever este excerto mas no feminino. O MST não se irá com certeza importar.

 

Todas as mulheres gostam de rotinas. Umas gostam de começar o dia tomando o pequeno-almoço em casa folheando revistas de moda ou livros de  cozinha; outras preferem fazê-lo no café da esquina (no meu caso, da escola); outras acham que uma ida matinal às compras, nas quais se inclui supermercados, boutiques e sapatarias, é a opção certa para tomarem pulso ao dia que está pela frente. Umas gostam de uma boa conversa pela manhã (especialmente com a vizinha ou ao telefone); outras só pedem que as deixem em paz e em silêncio. Umas habituam-se a escutar os pedidos dos maridos (tipo: Onde guardaste aquela camisa às riscas de que tanto gosto?- e a camisa está ali no sítio do costume, no guarda-fatos, mas com a capacidade de se tornar transparente no momento em que eles a procuram). Outras esperam, ao acordarem,  a vozes e as queixas dos filhos, e esse som de fundo faz-lhes falta. Outras só conseguem fixar a porta da rua e só se sentem prontas quando a fecham atrás de si. Mas todas precisam de uma rotina pela manhã.

Hoje, ironicamente, e para fugir à rotina, não há receita. Passem por cá amanhã! 😉

Patrícia