Piquenique com holandeses à mistura e promessa cumprida

O Pezinho de Nossa Senhora, na freguesia de Santa Bárbara, é, sem dúvida, um lugar a visitar na  ilha Terceira. Caracteriza-se por ser uma área de piqueniques muito bem concebida, onde a mão do homem e a natureza convivem em perfeita harmonia. Um espaço que por ser muito aprazível merece destaque. Este foi o local que escolhemos para cumprirmos a promessa feita às crianças há tempos. Assim, este fim de semana, o piquenique efetivou-se, desta vez já não no jardim de casa.


Pergunta:
E onde entram os holandeses em ação?

Resposta: Em pleno piquenique Abeiraram-se de nós. Perguntaram-nos se falávamos inglês. Coincidência ou não, tinham à sua frente uma professora de inglês e uma agente de viagens e outros que lá iam arranhando e colaborando como entendiam e sabiam.

Nós “picnicávamos” numa zona de mesas à sombra de mimosas e junto a um forno de lenha envolto em pedra basáltica. A porta do forno estava aberta e existiam folhas de conteira junto ao forno. Informaram-nos que aqui havia uma padaria, disse uma holandesa que viajava com o filho e os pais de idade avançada. O jardineiro  mais tarde viemos a saber que se tratava do padre da freguesia que também acumulava, nas horas vagas, o cargo altruísta de manutenção do espaço,  – informou-nos em francês que podíamos comprar pão. Achei graça de início à interpretação que fizeram do que lhes foi dito, mas depois tive de desfazer o engano e explicar-lhe a função daqueles fornos, que ali permaneciam ao dispor de quem lhes quisesse tirar partido. Ficaram embebecidos com o trabalhado dos arcos de pedra basáltica que envolvia toda a zona. Perguntei-lhes como tinham descoberto aquele lugar. Eles responderam-me: By chance, num inglês nórdicoÀ sorte. E tiveram mesmo sorte. Fizeram-nos muitas perguntas sobre a ilha. Estavam alojados na Quinta do Martelo. Acabaram por ir buscar o mapa que se encontrava no carro alugado. Debruçámo-nos todos sobre o mapa e começámos a traçar percursos e a assinalar locais de interesse: miradouros, zonas balneares, museus, restaurantes… Acho que lhes deixei o mapa da ilha todo assinalado. Vi-me como um guia, como alguém, que faz da língua inglesa ensino diário, mas que naquele dia estava a aplicar os conhecimentos em algo menos teórico, em contexto real, portanto. Uma simpatia o quarteto de holandeses. Disseram-nos que viviam a uma hora de distância de Amsterdão, que o ano passado tinham visitado a ilha de São Miguel e que se tinham decidido a voltar este ano para conhecer a ilha Terceira e a ilha das Flores. Depois de lhes ter falado tanto da ilha montanha, o Pico, e da ilha do Faial, prometeram que estas seriam destino de férias no próximo ano. Saíram com a indicação de almoçarem no TiChoa e de a seguir rumarem até à freguesia de Biscoitos com a promessa de uma prova de vinhos e de licores no museu do vinho e com a possibilidade de comprarem “greens” nas bancas de venda de produtos locais junto à zona de banhos. Alguém já lhes tinha dito para provarem as maçãs dos Biscoitos. Afastaram-se também com vontade de subir às serras de Santa Bárbara e do Cume e de descer ao subsolo  numa viagem pela Gruta do Natal e pelo Algar do Carvão.

Senti-me bem por ter orientado este grupo de holandeses e por saber que falarão em terras nórdicas da nossa hospitalidade açoriana.

Enquanto conversávamos, ali ao lado o churrasco crepitava na grelha e o calor da manhã, que já ia alta,  pedia água e sumos frescos.

Mais tarde, depois das conversas sem pressas, dos passeios de exploração do parque e da zona costeira adjacente, o lanche teve direito a bolo, a sobremesa tradicional de um piquenique.

Bolo todo Riscado (como denominou a minha pequenita)

Segui a receita que já publiquei aqui.

Utilizei a Bimby, mas este bolo pode ser feito de forma mais tradicional recorrendo ao 1, 2, 3 para triturar a cenoura, que deverá ficar com  a consistência de “papa grossa”, e`a batedeira elétrica.

Para que o bolo ficasse maior usei as quantidades referentes a receita e meia.

Utilizei uma forma de buraco untada e enfarinhada.

Verti 3/4 do preparado para a forma. Ao restante 1/4 adicionei 4 colheres de cacau e duas de açúcar e bati novamente.

Verti esta mistura com cacau por cima do resto do bolo e com uma faca traçei uns ziguezagues sem que a faca tocasse no fundo da forma.

Levei a cozer em forno pré-aquecido, a 200ºC durante 45 minutos.

Obrigada por terem passado por cá.

Patrícia

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9 thoughts on “Piquenique com holandeses à mistura e promessa cumprida

  1. Ondina Maria

    Que belo local para merendar, sim senhor, muito bem escolhido. Ainda não fui aos Açores, é daquelas viagens que estou sempre a adiar, talvez porque no fundo saiba que uma vez que aí ponha os meus pézinhos não vou mais querer sair. Adorava poder tirar tempo suficiente para percorrer todas as ilhas de uma só vez e demorar-me o tempo necessário para as aproveitar e conhecer, experimentar a gastronomia e aprender receitas típicas. Oh se gostava! E os Holandeses tiveram a mega-sorte, não hajam dúvidas. Cá pelo Porto fazemos igual, sempre que os turistas nos pedem alguma informação saem da nossa beira com um roteiro turístico completo LOL. E como a melhor publicidade é a de boca em boca, pode ser que regressem às suas terras dizendo maravilhas de Portugal e das suas gentes simpáticas e afáveis.
    Para finalizar, pode ser uma fatia desse bolinho, que riscado ou não já me sabia muito bem para o lanche a meio da manhã 🙂

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    • foodwithameaning

      Os Açores são um cantinho do céu. Sossego não nos falta. Às vezes precisamos é de um pedacinho de agitação, daí a razão de também sentirmos a necessidade de de vez enquando nos evadirmos.
      Acho que a ideia de percorrer as ilhas todas de uma só vez é um pouco difícil de concretizar mas não impossível. Se me permitires uma sugestão, caso se decidam pelos Açores, penso que algumas ilhas são de visita obrigatória: São Miguel, Terceira, Pico, Faial, Flores (quem está nas Flores tem de ir ao Corvo). Custa deixar de parte Santa Maria, Graciosa e São Jorge, mas seria uma hipótese.
      Tal como disse atrás à Guida, não me importarei de servir de cicerone, aqui pela Terceira, claro.
      Um abraço.
      Patrícia

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  2. Alice

    Bem, as fotos são mesmo inspiradoras, as paisagens são um sonho!
    Adoro piqueniques, mas poder fazê-lo num sítio desses é um privilégio.
    E que sorte a dos holandeses, por terem encontrado um lugar e uns guias cheios de simpatia e hospitalidade! 🙂
    Gosto desse bolo “todo riscado” 🙂
    Beijinhos!

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