Peixe sem espinhas? Raia com com acelgas vermelhas e tomate cherry

Um peixe que as crianças adoram por não ter espinhas. É verdade. Tem uma cartilagem que separa duas camadas de carne alvas de neve, muito tenras e saborosas.
Como o peixe foi frito, decidi acompanhá-lo, desta vez, com salada, impondo assim um toque mais saudável à refeição.

Comprei no mercado municipal a raia já sem pele e cortada em postas.
Fiz um vinha d’alhos bem forte com bastante alho cortado às rodelas, duas colheres de sopa de massa malagueta, 200 ml de vinagre branco, 100 ml de água, sal.
Deixei o peixe a marinar de um dia para o outro no frigorífico.
No dia seguinte, sequei cada posta com papel de cozinha, envolvi em farinha de milho e levei a fritar numa frigideira do mesmo modo que se frita peixe normal.
Poderão optar por fritar na Actifry. Fica igualmente delicioso e ainda mais saudável devido à reduzida quantidade de óleo utilizado (1 colher/medida para quatro postas).

Acompanhei com salada de acelgas vermelhas e tomate cereja, temperada com azeite, ervas aromáticas e uns pozinhos de sal de mesa.

As acelgas e os tomates cherry foram comprados ao meu vizinho do lado – Hidro Saladas.

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Peixe…para depois dos excessos da festa

Estão a decorrer as festas da cidade de Angra. Sexta-feira foi o dia da abertura engalanado pelo desfile dos carros alegóricos e pelo cordão humano que representou significativas manifestações culturais cá da Terra: o culto do Espírito Santo, os bodos de leite, as touradas à corda e de praça, entre outras. No sábado, a noite de S. João foi colorida pelas marchas que distribuíram encantos pelas artérias da cidade, despoletando alegria e palmas entre locais e forasteiros.
Mas ir à festa todos os dias já começa a ser para os mais novos. Admito. Aguentar a pedalada inerente às noitadas requer um curso ou então a energia suplementar inconscientemente armazenada pela juventude. Tive de faltar no domingo para carregar baterias.
Ontem, segunda-feira, foi dia de cortejo etnográfico pelas ruas de Angra, de Real Extudantina, nos degraus da Sé, a fazer-me recordar os meus tempos académicos e a tuna feminina a que pertencia (noite de nostalgias, portanto). Antes destes eventos, outros: a apresentação nos paços do concelho do último livro de Joel Neto, um jovem escritor que marca uma posição no palco literário através de Os Sítios Sem Resposta; o jantar de fim de ano letivo do Departamento de Línguas da escola onde trabalho. De Os Sítios Sem Resposta ficou uma leitura prévia atenta e deliciosa e a apresentação ternurenta que o Dr. Cunha de Oliveira fez do livro. Foi também uma oportunidade para rever velhos amigos, antigos professores e pessoas que já não via e com quem não conversava há algum tempo. Um dos pontos altos do dia, portanto. Depois da sessão de autógrafos, saí às pressas para o jantar de departamento. Já estavam lá quase todos e todas. Um momento repleto de horas de são convívio e gaitada (sinónimo de gargalhada aqui na ilha) que se prolongou até horas menos próprias da manhã alegradas pelo conjunto musical terceirense Entre Parentes no palco do Pátio da Alfândega.
Uma noite que terminou ainda com o pecado da gula, materializado em “donetes” acabadinhas de fazer e chá de néveda pelas mãos hábeis das mulheres da Ribeirinha.

Hoje, o almoço teve de ser peixe, para contrariar os excessos das festas destes dias. Aqui refiro-me a bifanas de porco, “torinhos” de linguiça e de morcela, caracóis (como só a tasca do Rei dos Caracóis sabe fazer), favas escoadas e sangria.

Pescada com Cerveja e Ervas Aromáticas

Ingredientes para o peixe

filetes de pescada (quantidade a gosto)
1 cerveja
1 cebola
4 dentes de alho
azeite
ervas aromáticas (mistura para saladas)
2 colheres de sopa de tomate triturado ou polpa de tomate
sal
pimenta branca
1 folha de louro

Ingredientes para os legumes assados

1 courgette média
1 beringela pequena
2 cenouras médias
ervas aromáticas
alho em pó
azeite
sal

Preparação do peixe

Colocam-se os filetes de pescada no fundo de uma assadeira.
Temperam-se com sal, pimenta e com as ervas aromáticas a gosto.
À parte, faz-se um leve refogado com a cebola, cortada às rodelas muito fininhas, o alho picadinho, o louro aos pedaços e o azeite.
Adiciona-se ao refogado duas colheres de sopa de tomate triturado e uma cerveja mini. Deixa-se levantar fervura.
Rega-se o peixe com este preparado.
Leva-se a assar a 180Cº até o peixe estar cozinhado e o molho apurado.

Acompanha-se o peixe com batata cozida e legumes assados.

Preparação dos legumes assados

Cortam-se os legumes aos cubinhos, apenas tendo tirado a casca à cenoura.
Dispõem-se numa assadeira. Temperam-se com sal, ervas aromáticas e alho em pó.
Regam-se com azeite.
Levam-se a assar, mexendo a meio da cozedura com uma colher de pau.

Acompanhei a refeição com água. Depois das festas, só podia ser 🙂

Convidei para jantar… Ricardo Araújo Pereira

Quando o convidámos para jantar, estávamos à espera de uma mensagem de recusa envolta em astuciosa piada. O seu texto, curto, deixar-nos-ia sem resposta, recorreria a lugares comuns, a clichés, porque afinal ninguém deveria ser obrigado a conviver com quem não conhece. Pensávamos ao mesmo tempo que a declinação do convite seria algo originalmente invulgar.  Desculpar-se-ia delicadamente, ofendendo sem se aperceber de o estar a fazer. Nada disto aconteceu. Começámos a conjeturar. Talvez pensou que junho seria o mês ideal para visitar os Açores, em particular esta ilha, com Angra do Heroísmo cidade património mundial. Talvez quisesse conhecer as festas Sanjoaninas que se aproximam a passos largos. Talvez pretendesse regressar a Lisboa com a tez mais dourada pelo sol  açoriano e o corpo refrescado pelas nossas águas engalanadas pela bandeira azul. Talvez. Não sei. Ficámos expectantes. Aceitou.

Chegou sem ninguém dar por isso, nem os cães estranhamente deram sinal, como se houvesse um género de cumplicidade animal entre eles. Deu a volta à casa. Assustei-me com a sua sombra na vidraça da cozinha. Deixei cair inesperadamente  na cuba da loiça o prato que tinha na mão. Não se partiu. Vi logo que era o Ricardo. Acenava com ar desengonçado e maroto e sorria com todos os dentes. Abri a porta. Tomei a liberdade– disse. Não levei a mal. Tem ali dois belos exemplares caninos. Já confraternizámos. Posso lavar as mãos? E serviu-se imediatamente do lava-loiças para o efeito. Depois de secar as mãos, esfregou-as, arregaçou as mangas e disse: Bem, então por onde começamos? Nesse momento, o meu marido entrou na cozinha. Cumprimentamo-nos todos. Ele disse: Olá, eu só o Ricardo! – afirmou-o como se nós já não o soubéssemos. Esboçámos todos sorrisos, largos. Tínhamos ali, à nossa frente, a principal referência da nova geração do humor em Portugal. Este jantar teria de certeza a diversão como prato principal. Sabiam que os outros gatos fedorentos ficaram chateados por não terem sido convidados? Hesitando por momentos, e sem saber muito bem o que iria dizer, saí-me com: Ficámos com receio de uma declinação coletiva e gerir este facto não seria fácil. Ele sorriu. Ufa, safei-me bem, pensei eu. O jantar está pronto. Vamos até à sala de jantar!– disse-lhe. Ah, já me esquecia, trouxe-vos o meu último livro, Novas Crónicas de Boca do Inferno. Deixei-o lá fora no carro. Já venho.

De súbito, ouvimos, o ladrar ensurdecedor dos nossos cães, contínuo e intensificado por um tom de raiva incaracterístico. Eram os outros gatos que saiam um a um do carro, batendo as portas atrás deles. Afinal tinham todos vindo para jantar.

imagem retirada de http://bloggfedorento.blogspot.pt/

Servi-lhes de sobremesa:

Flores de massa filo com morangos



Ingredientes
1 embalagem de massa filo com 4 folhas
morangos
500 ml de leite
2 ovos
50 g de açúcar (coloquei 80 g)
1 colher de sopa de açúcar baunilado
15 g de amido de milho
manteiga derretida para pincelar

Preparação
Cortei quadradinhos de massa filo com tamanho suficiente para caberem em forminhas de alumínio, ficando as pontinhas levantadas.
Pincelei as forminhas e cada quadradinho de massa filo com manteiga. Coloquei em cada forminha 3 folhas alternadas, tendo o cuidado de desencontrar as respetivas pontas para conferir o efeito de flor.
Levei ao forno as forminhas com a massa cerca de 5 minutos em forno previamente aquecido. É importante não deixar tostar muito.
Retirei-as do forno e deixei arrefecer.
Fiz o creme inglês (receita da Bimby – página 142 do Livro Básico)
Coloquei todos os ingredientes no copo e programei 6 Min/90º/Vel.4
Deixei arrefecer e depois coloquei o creme no frigorífico.

Na hora de servir, retirei o creme do frigorífico e coloquei duas colheres de sopa de creme bem cheias em cada flor de massa filo. Decorei com morangos cortados aos pedacinhos.

Os gatos gostaram e repetiram.

Com a mente brilhante de Ricardo Araújo e com esta receita, participo no passatempo Convidei para Jantar promovido pela ana e recebido nesta 6ª edição pelo Reino da Prússia.

Patrícia

A promessa de um piquenique

O ano letivo terminou. Os livros e os cadernos já se encontram arrumados nas estantes altas do escritório. As crianças estão de férias. A mãe e o pai hão de estar também, em breve. Os dias já são grandes e desenrolam-se sem pressas. O jantar não tem hora marcada. Dá agora muitas vezes lugar ao improviso. As toalhas de praia, estreadas no esplendoroso mês de abril, aguardam ansiosamente que as escolham novamente. A das Princesas da Disney emana luz cor-de-rosa quando é aberta a gaveta branca do roupeiro que a guarda. A toalha da Coca-Cola é do mais crescido e manisfesta um ar mais usado por ser testemunha de vários verões. E há semanas o pedido insistente : Vamos fazer um piquenique! A promessa foi finalmente cumprida, mas em parte. O piquenique no parque-florestal foi substituído por um piquenique no jardim. O do parque há de acontecer. Em breve. Espero. Esperam. Prometo. Acreditam.

O observador paciente que também se juntou à festa no jardim, ali, ao nosso lado, sempre vigilante e expectante.

Muffins de Cereja e Melaço

&

500 g de farinha para bolos

4 ovos

200 g de açúcar

2 colheres de sopa de melaço

150 g de manteiga

100 ml de leite

1 colher de chá de fermento

1 cereja descaroçada para cada muffin

&

Bati as claras em castelo. Reservei.

No copo da Bimby (ou utilizando uma tigela e a batedeira elétrica) coloquei as gemas, a manteiga amolecida e o açúcar e marquei 1m Vel.5.

Coloquei a borboleta e marquei 2 m. Vel. 4.

Adicionei o melaço, a farinha, o fermento e o leite. Marquei 2m Vel. 4.

Verti o preparado para a tigela onde se encontravam as claras batidas em castelo (convém que seja grande) e com uma colher de pau incorporei devagar até ficar um preparado uniforme.

Coloquei este preparado num saco de pasteleiro.

Coloquei as formas de papel dentro de outras de alumínio (sem untar) e enchi as formas de papel até pouco mais de meio. É importante não encher em demasia as formas porque o muffin ao crescer tem tendência para transbordar.

Coloquei uma cereja no topo de cada muffin antes de colocá-los no forno.

Sugestão: podem preferir adicionar ao preparado pedacinhos de cereja em vez de uma única cereja no centro. Ficarão ainda mais húmidos.

Levei ao forno pré-aquecido durante 20 minutos a 180 graus.

Uma boa semana!

Patrícia

Penne com as primeiras ervilhas

Chegaram ainda na vagem vindas diretamente da horta de um produtor local.
Convocou-se a pequenada.
Seriam eles  os obreiros da descasca.

Que grandes e docinhas eram estas ervilhas!

Tiveram dois destinos diferentes.
Este foi um deles.

 

Penne com lulas e ervilhas

Ingredientes

1 embalagem de penne

1 embalagem de lula limpa

200 g de ervilhas

1 lata pequena de tomate triturado

1 copo de água

alcaparras a gosto

salsa picada com abundância

1 cebola pequena

4 dentes de alho grandes

1 colher de café de açafrão

pimenta branca a gosto

azeite

sal

 

Preparação

Fiz um refogado com a cebola e o alho. Adicionei o tomate, as  lulas, as alcaparras e a salsa picada. Deixei levantar fervura e aguardei que as lulas destilassem. Acrescentei um copo de água. Temperei com sal e com as restantes especiarias. Quando as lulas estavam quase cozidas adicionei as ervilhas.

À parte, cozi a massa em água, sal e um pouco de óleo. Escorri.

Envolvi a massa no preparado anterior. Servi.

Indignação

Hoje, sábado, levantei-me cedo. Tão cedo como nos dias de trabalho. Às vezes penso que tenho o corpo programado no modo semana em que as sete significam o despertar. A semana que passou representou muito trabalho: os últimos testes a corrigir, as últimas explicações e a ansiedade inerente ao ficarmos a saber se os meus explicandos melhoraram o seu desempenho, as aulas contadas nas diferentes turmas para que tudo bata certo, muita documentação da direção de turma entre mãos, papéis para entregar a este e àquele, o gabinete disciplinar da escola, que é da minha responsabilidade, a verter registos e estatísticas por todo o lado, a referência de que existem vários relatórios para fazer, o início da elaboração das grelhas de avaliação final…Tudo isto me consome (e a toda a classe docente) mas infelizmente não me emagrece.

Esta semana foi também marcada por um facto que me causou moléstia, que acabou por ter uma dimensão superior comparativamente ao que foi atrás referido, que me fez refletir diariamente sobre a sociedade e uma série de valores, como o respeito pelo trabalho dos outros e a honestidade. Fui alertada por uma amiga que havia uma página no Facebook sobre culinária, cujo nome não interessa, até porque foi desativada no final da semana, que copiou integralmente as receitas de várias pessoas, quase todas detentoras de blogues de culinária. Mais grave do que isto foi a atitude da (ir)responsável pela página em tomar como suas as fotos que exibiu, ostentando o chavão que utilizava em letras garrafais e logo abaixo, ainda em cima da imagem, o nome da própria pessoa.

Dei-me ao trabalho de percorrer a página, que apenas tinha sido criada no mês de maio, e vi desfilar uma série de receitas e fotos minhas publicadas no Receitas ao Desafio e aqui no Foodwithameaning totalmente molestadas por uma marca usurpadora. Senti-me triste, desolada, enfim, roubada. Compreendo que quanto a receitas é difícil conferir-lhes uma autoria primordial, uma vez que viajam de blogue em blogue e por vezes não é fácil recuar à origem. Outras têm como fonte o caderninho de receitas cá de casa, a vizinha, a colega de trabalho… Contudo, e no que concerne a fotos, a história é outra. Quem me está a ler deve pensar que me considero uma fotógrafa profissional e que as minhas fotos são de uma qualidade superior. Nada disso. Quem me conhece sabe que tenho uma máquina modesta, apesar de ter bastante significado por ter sido uma oferta do meu marido. Mas também tenho uma memória visual bastante apurada e conseguirei sempre identificar as minhas fotos, mesmo as mais antigas. Foi o que aconteceu esta semana na página de Facebook de outra pessoa, de alguém que é minha conterrânea, que mora aqui na freguesia ao lado. O que lhe custava colocar o link de onde tinha retirado a receita e a foto? Poderão estar a pensar que estou a dar importância demasiada a este assunto, mas foi assim que senti as coisas e respeito quem não se importar que o mesmo lhe suceda. Para mim, o que aconteceu, e sei que continuará a acontecer no ciber-espaço, foi uma grande falta de respeito pelo trabalho dos outros e uma evidente inexistência de honestidade. Com estas palavras sinto que exorcizei alguma tristeza, mas continuo a sentir desprezo por certas atitudes da raça humana.

Para me sentir melhor fui tirar umas fotos numa zona  selvagem do meu jardim a que eu chamo de jardim das papoilas. Lá as papoilas são as rainhas e as ervas verdes os seus súbditos.