E a cavala saiu vitoriosa…tempestade parte II

Aqui no meio do Alântico tem-se assistido a um misto de tempestade e bonança numa correria desequilibrada entre raios de sol e chuva copiosa. Ninguém entende o humor do tempo que se tem divertido a confundir guarda-fatos, ao ponto de sugerir roupa fresca e gabardine ao mesmo tempo. Um verdadeiro clima temperado o nosso que se regozija em utilizar todas as especiarias disponíveis na sua despensa.
Todos os dias somos condicionados pelo tempo em vários aspetos do nosso quotidiano. Aqui nos Açores num ápice o sapato aberto se transforma em bota, os óculos de sol em chapéu de chuva, o piquenique em indoor meal, a boa-disposição em enfado, a leitura na rede em aconchego de sofá e o jogging em passadeira elétrica. Contudo, o grelhado programado para o jantar resolveu combater a tempestade e continuou no exterior, apesar de se ter movimentado para debaixo do alpendre. Uma verdadeira luta alquímica entre fogo e água, com muito ar, soprado pelo vento, como condimento invisível.

O inevitável transporte das brasas. Original, não?
cavala grelhada

Ingredientes

3 cavalas médias

manteiga de ervas (consequência de umas natas batidas em excesso, às quais adicionei um pouco de sal e ervas aromáticas)

cebolinho

1 lima

pimenta branca

4 dentes de alho

alho em pó

sal

Qualquer pessoa menos aventureira teria grelhado estas cavalas em casa no cómodo grelhador elétrico, mas com um marido transmontano, que cresceu junto às brasas ( o frio  dos invernos assim o obrigou), tudo é possível mesmo com condições atmosféricas desfavoráveis. E lá teve a paciência e o engenho de transferir as brasas, numa chapa de ferro, para debaixo do alpendre para que o grelhado chegasse a bom porto. A verdade é que um grelhado a carvão tem outro sabor.

Modo de preparação do peixe

Depois de devidamente lavado, abre-se o peixe de alto a baixo, retirando-se-lhe as entranhas. Corta-se a cabeça e parte do rabo, partes estas não utilizadas no grelhado.

Depois tempera-se o peixe de sal, de pimenta e com uns pozinhos de alho em pó.

Quando a grelha estiver bem quente, coloca-se o peixe de barriga para cima e tempera-se com a manteiga de ervas que foi a levantar fervura no micro-ondas com os dentes de alho e o cebolinho finamente picados.

Antes de servir, rega-se o peixe com sumo de lima a gosto. Utilizei lima alaranjada, típica aqui da terra, a chamada lima azeda.

Acompanhei com bróculos cozidos a vapor e salada de alface e rabanetes (ambos da nossa horta) com pimentos vermelhos assados. Tudo bem regado com azeite trasmontano que a sogrinha trouxe no Natal.

Advertisements

7 thoughts on “E a cavala saiu vitoriosa…tempestade parte II

  1. Lily

    E que bom que é uma refeição assim. Gosto muito de cavalas, grelhadas ou alimadas. Como é um peixe barato, por aqui 1kg custa 1,50€, muitas pessoas olha-no de lado. Mas, para mim, é uma dos melhores peixes. Afinal barato e bom existe 🙂 Ah homem do norte, nada o detém. Beijinhos.

    Gostar

  2. Ondina Maria

    Isso é que é um marido engenhoso! Transmontano, ora pois! Pelo continente o tempo também anda indeciso: ontem eram 32ºC e sandálias, hoje se chegarmos aos 20ºC será com sorte e o cinzento do céu ressuscitou as botas. Mas a cavala fica bem em qualquer dia, com quaisquer condições climatéricas. Especialmente se for assim na brasa 🙂

    Gostar

  3. carla

    Lá por casa já inauguramos os grelhados com uma dourada. O peixe assado na brasa fica com um sabor muito bom. Cavala nunca experimentei, mas já vou ficar de olho na peixaria para o próximo grelhado.
    Beijinhos

    Gostar

  4. Susana

    O nosso tempo é assim mesmo. Ainda ontem zanguei-me com ele ;), mas eu sou como o tempo, logo passa 🙂
    O meu marido também é assim muito engenhoso e adora fazer grelhados. O tempo não o impede de os fazer. Torna-se cómico ver o episódio, chapéu de sol em cima do grelhador e ele às carreirinhas a abrigar-se da chuva para a garagem 😉 Enfim, o engraçafo é brincarmos com a situação, não é?
    Nuna grelhei cavala, mas não está fora de aparecer qualquer dia na minha mesa.

    Beijinhos

    Gostar

  5. cozinhadaduxa

    Olá Patrícia, hoje falamos sobre o mesmo peixe 🙂
    Gostei do engenho, é caso para dizer que “puxaram as brasas às vossas cavalas”, grelhar no carvão faz toda a diferença, os alimentos ganham muito em sabor. Gostei de as ver tão alinhadinhas e imaginei-as com o gosto da manteiga de ervas.
    Por aqui a temperatura baixou pouco, continua um tempo muito abafado.
    Beijinhos.

    Gostar

  6. Maria

    Muito bom aspeto… a combinação do peixinho grelhado com a saladinha… puro verão!
    Adorei o teu “porta-fogareiro”!… Não há dúvida que os açorianos não se resignam, assim tão facilmente, às condições atmosféricas!
    Maria

    Gostar

  7. mar

    Temperamental, o vosso tempo. Vi nas notícias. Bela maneira de o integrar na vida. Peixe grelhado em dia de tempestade, então. Com engenho de marido transmontano à mistura. Que vos tenha sabido bem. Adivinha-se que sim, pelas imagens.

    Um bom fim-de-semana. Com o tempo que estiver.

    Mar

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s