Bolachas de côco e baunilha em véspera de dia mundial da criança

O que é que na cozinha dá mais gozo às crianças?

Meter a mão na massa.

Foi o que fizemos no fim-de-semana quando reparámos que a caixa das bolachas já se encontrava vazia há algum tempo.

Ingredientes (para cerca de 40 bolachinhas)

500 gr de farinha

1 colher de sobremesa de fermento para bolos

150 gr de manteiga

150 gr de açúcar

1 ovo

125 gr de côco

uma colher de chá de essência de baunilha

açúcar para polvilhar

Modo de Confeccionar

Misturam-se os ingredientes todos.  Costumo amolecer a manteiga  no microondas antes de misturá-la. Coloco tudo dentro do copo da Bimby e seleciono a função espiga durante dois minutos.

Depois é só retirar bocadinhos de massa e moldá-los como se quiser.

Eu e as crianças usámos formas variadas de bolachas, mas houve também o recurso aos intrumentos de moldar a plasticina. Uma folia.

Quando os tabuleiros entraram para o forno olhei em redor e percebi, a avaliar pelos restos de massa no chão, pelo açúcar espalhado na bancada e pelas cento e uma forminhas para lavar, que esta atividade de fazer bolachinhas com as crianças me daria trabalho a dobrar. Mas valeu a pena todo o processo.

Quando as bolachinhas sairam do forno, fizeram a alegria das crianças que, com o olhar fixo nelas, esperavam  que arrefecessem à velocidade da luz.

Tinha finalmente chegado a hora do lanche.

– Eu quero uma borboleta!

– E eu uma estrela!

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E pernas para que te quero…

Somos uma família de pernas. Por nós, os frangos só deviam andar. Nada de asas ou de peitos. Não necessitariam de gastar energias no voo. Andariam apenas.

Pernas de frango com cerveja, tomate e oregãos

Ingredientes

16 pernocas de frango

1 lata grande de tomate pelado

1 ramo de oregãos frescos ( idêntico ao da imagem)

1 cerveja de 33cl

1 cebola média

4 dentes de alho grandes

uns pozinhos de gengibre em pó

pimenta branca

1 colher de sobremesa de massa malagueta

alho em pó polvilhar e envolver o frango

azeite

sal

 

Preparação

Utilizei uma assadeira estreita e alta para a carne ficar coberta sem haver necessidade de acrescentar água.

Compus duas camadas de frango, com oito pernas cada já temperadas com sal e envoltas em alho em pó.

À parte, fiz um refogado em azeite com a cebola e o alho. Juntei o tomate grosseiramente triturado, as folhas de oregãos, a massa de malagueta e as especiarias. Deixei levantar fervura. Verti a cerveja e deixei levantar fervura novamente.

Coloquei este preparado por cima do frango e levei ao forno até a carne estar cozinhada e o molho apurado.

O pão dado pelo Divino

Numa época pautada pelo termo “crise”, em que “as vacas estão magras”, a tradição continua a dar cartas nestas ilhas atlânticas. As promessas feitas em aflição ao Divino Espírito Santo espalham por estes dias fartura pelas ruas e junto aos Impérios, a crentes e descrentes, é distribuído o pão, o vinho e a massa sovada. São festas que apesar da mudança dos tempos se mantêm  iguais a si mesmas. São nossas na sua inabalável genuinidade.

Este ano, apesar da chuva persistente, eu e os meus filhos quisemos manter os rituais que desde pequena temos em família e fomos “correr bodos” – como se diz por aqui. Passámos por vários impérios e foi-nos ofertado pão caseiro e pão-de-leite, sem nada pedirmos. A nossa presença constitui alegria para quem com devoção prepara as festas. Inicia-se a missa com o cortejo da coroação, a procissão com os mordomos e os fiéis, a bênção do pão na despensa do império e finalmente a distribuição do pão pelas ruas em açafatas de vimes.

O querer dar sem receber é ainda possível nos dias de hoje.

A banda filarmónica anima a festa. Veem-se os conhecidos do ano passado, pessoas que muitas vezes só encontramos de ano a ano. E é sempre com satisfação que nos vemos e trocamos dois dedos de conversa, quase sempre sobre as nossas vidas: o nosso trabalho e  os nossos filhos. Outras vezes, é um  regresso a um passado mais longínquo e recordamos amigos de infância, do liceu  e da universidade. A uns acenamos apenas, mas outros transportam-nos com os seus diálogos para tempos idos que deixam muitas saudades.

Gosto também destas festas pelas indumentárias. E não devia estar aqui a comentar isto porque nada tem de religioso. Mas é verdade. Estas festas também serviam para as raparigas se engalanarem com os melhores trajes  e calçado: por norma vestidos claros ou estampados, fresquinhos na fazenda, pernas de fora e dedos apertados em sapatos de domingo. Confesso que não via a hora de chegar a casa para descalçá-los. Coisas de raparigas que ainda persistem e às quais assisto hoje de calças de ganga e sapatilhas com a maior descontração e com um sorriso saudosista nos lábios.

O pão do Divino

E quando os molhos fazem toda a diferença…

As massas sabem sempre melhor quando os molhos são caseiros.

Molho de tomate e Manjericão e Molho de Oregãos


Ingredientes

2 latas grandes de tomate pelado ou tomates maduros

folhas de manjericão

folhas de oregãos

pimento verde e vermelho a gosto

2 cebolas

4 dentes de alho

2 colheres de chá de sal

2 colheres de açúcar

Preparação

Triturei separadamente o tomate e as ervas aromáticas. Reservei.

Fiz um refogado com as cebolas e os alhos. Adicionei os pimentos picados e deixei alourar.

Coloquei metade do refogado em outro tacho.

Num tacho coloquei o equivalente a uma lata de tomate, o manjericão, uma colher de chá de sal e uma colher de sopa de açúcar.

No outro tacho coloquei o equivalente à outra lata de tomate, os oregãos, uma colher de chá de sal  e uma colher de açúcar.

Deixei levantar fervura e depois arrefecer.

Guardei em frascos no frigorífico durante 15 dias.

A caminho do piquenique…bolachas de amêndoa, mel e sésamo

Os aniversários são momentos de festa. A Manuela convidou a blogosfera a participar no primeiro aniversário do seu blogue Cravo e Canela. Logo aceitei por se tratar de uma comemoração ao ar-livre, em formato piquenique. Já retirei o pó à cesta  que aguarda agora já impacientemente pelo dia.
Abri o armário despenseiro e de lá fiz surgir os ingredientes que combinados resultaram nestas bolachinhas de amêndoa, mel e sésamo.

Ingredientes
300 g de farinha
80 g de açúcar
4 colheres sopa de mel
100 g de amêndoa
3 colheres de sopa rasas de sementes de sésamo
1 ovo
1 colher de chá de fermento
Preparação
Coloquei no copo da Bimby a amêndoa e triturei-a grosseiramente.
Adicionei os restantes ingredientes e marquei 1 minuto, vel. espiga.
Numa superfície enfarinhada, coloquei a massa e moldei as bolachinhas.
Decorei-as com sementes de sésamo.
Dispus as bolachas num tabuleiro forrado com papel vegetal.
Levei a cozer cerca de 20 minutos em forno pré-aquecido e a 150ºC.
Obs. O tempo de cozedura pode variar de forno para forno, pelo que é aconselhável ir vigiando as bolachinhas. É importante tentar evitar que as bolachinhas fiquem demasiado secas dentro do forno. Convém retirá-las do forno ainda que o meio da bolacha esteja ligeiramente amolecido. No exterior do forno acabarão por secar.
Com a mesma massa resolvi fazer estes biscoitos, utilizando estas forminhas gentilmente oferecidas por uma amiga.
E aqui fica o meu contributo para o piquenique da Manuela.
Agora resta apenas esperar que no dia não chova.
Se  em vez de uma bolachinha preferirem algo mais substancial, podem espreitar aqui.

Gripe e panquecas….uma associação possível.

Pois é, aqui a guerreira que nunca adoece foi derrubada pela gripe. E as mães doentes fazem com que as casas fiquem em lume brando. Sabem com certeza a que me refiro. Não é que tudo pare à nossa volta mas deparamo-nos com algumas coisas que se acumulam resultado da ausência dos gestos quotidianos das mães: o brinquedo que fica mais do que um dia esquecido no mesmo sítio; as refeições que se aligeiram ou se compram feitas; as roupas que não recebem o tratamento estipulado no livro de ponto doméstico. Não acrescento mais pormenores por não ser preciso. Mesmo assim, e com o intuito de lutar contra as intempérides, não recusei o pedido das crianças. E estas panquecas surgiram hoje para o pequeno almoço de sábado com sacrifício.

Inspirei-me nas panquecas da Gisela com trigo sarraceno e na decoração das panquecas integrais de maçã da Susana. E surgiram estas, com  adição de canela e noz-moscada adoçadas com maple syrup, uma gentil prendinha da Diana que fez toda a diferença nestas panquecas.

Ingredientes

160 g de farinha de trigo

100 g de farinha trigo sarraceno

50 g de açucar

2 colheres de chá de fermento

1/2 colher de chá de sal

340 g de leite

1 ovo grande

35 g colheres de sopa de manteiga

canela e noz-moscada a gosto

Preparação Bimby

Deitar todos os ingredientes no copo e programar 20 segundos, velocidade 5.

Untar levemente uma frigideira com manteiga, levar ao lume, e quando estiver quente  fazer as panquecas, deitando pequenas porções de massa. Assim que começar a fazer pequenas bolhas é altura de virar para cozer do outro lado.

Preparação Tradicional

Numa taça deitar todos os ingredientes e com a ajuda de uma batedeira, bater bem até estar tudo bem incorporado.

Para fazer as panquecas proceder como está indicado anteriormente.

E a cavala saiu vitoriosa…tempestade parte II

Aqui no meio do Alântico tem-se assistido a um misto de tempestade e bonança numa correria desequilibrada entre raios de sol e chuva copiosa. Ninguém entende o humor do tempo que se tem divertido a confundir guarda-fatos, ao ponto de sugerir roupa fresca e gabardine ao mesmo tempo. Um verdadeiro clima temperado o nosso que se regozija em utilizar todas as especiarias disponíveis na sua despensa.
Todos os dias somos condicionados pelo tempo em vários aspetos do nosso quotidiano. Aqui nos Açores num ápice o sapato aberto se transforma em bota, os óculos de sol em chapéu de chuva, o piquenique em indoor meal, a boa-disposição em enfado, a leitura na rede em aconchego de sofá e o jogging em passadeira elétrica. Contudo, o grelhado programado para o jantar resolveu combater a tempestade e continuou no exterior, apesar de se ter movimentado para debaixo do alpendre. Uma verdadeira luta alquímica entre fogo e água, com muito ar, soprado pelo vento, como condimento invisível.

O inevitável transporte das brasas. Original, não?
cavala grelhada

Ingredientes

3 cavalas médias

manteiga de ervas (consequência de umas natas batidas em excesso, às quais adicionei um pouco de sal e ervas aromáticas)

cebolinho

1 lima

pimenta branca

4 dentes de alho

alho em pó

sal

Qualquer pessoa menos aventureira teria grelhado estas cavalas em casa no cómodo grelhador elétrico, mas com um marido transmontano, que cresceu junto às brasas ( o frio  dos invernos assim o obrigou), tudo é possível mesmo com condições atmosféricas desfavoráveis. E lá teve a paciência e o engenho de transferir as brasas, numa chapa de ferro, para debaixo do alpendre para que o grelhado chegasse a bom porto. A verdade é que um grelhado a carvão tem outro sabor.

Modo de preparação do peixe

Depois de devidamente lavado, abre-se o peixe de alto a baixo, retirando-se-lhe as entranhas. Corta-se a cabeça e parte do rabo, partes estas não utilizadas no grelhado.

Depois tempera-se o peixe de sal, de pimenta e com uns pozinhos de alho em pó.

Quando a grelha estiver bem quente, coloca-se o peixe de barriga para cima e tempera-se com a manteiga de ervas que foi a levantar fervura no micro-ondas com os dentes de alho e o cebolinho finamente picados.

Antes de servir, rega-se o peixe com sumo de lima a gosto. Utilizei lima alaranjada, típica aqui da terra, a chamada lima azeda.

Acompanhei com bróculos cozidos a vapor e salada de alface e rabanetes (ambos da nossa horta) com pimentos vermelhos assados. Tudo bem regado com azeite trasmontano que a sogrinha trouxe no Natal.