E quando os morangos se aliam ao chocolate…

Morangos…

com chocolate

Ingredientes

Morangos
1/2 tablete de chocolate de culinária (50% cacau)
1 colher de chá de manteiga (confere brilho ao chocolate)
leite (até se obter a consistência desejada)

Modo de preparação

Mergulhei os morangos em água.
Lavei-os, sem lhes retirar os pés, e coloquei-os de imediato num pano de cozinha. Sequei-os com cuidado.Reservei.
Numa tigela, coloquei o chocolate de culinária e a manteiga.
Levei ao microondas até derreter sempre em observação para não deixar o chocolate ferver.
Retirei do microndas e misturei com uma colher até obter uma pasta de textura lisa.
Fui mexendo e adicionando leite até o chocolate estar quase a escorrer na colher.
Mergulhei os morangos no chocolate.
Servi.

Informação adicional

Não sobraram morangos. Apenas bigodes de chocolate, mãos de crianças assustadoramente castanhas e sorrisos de satisfação.

Tarte de Queijo e Morangos da Zaira

Experimentei esta tarte o ano passado, no Porto, em casa da nossa prima Zaira. Como sobremesa, serviu-nos esta tarte mas com morangos à parte. Quando me disse que era de queijo associei a cheesecake, do qual não sou grande apreciadora, ao contrário de 99,9% da população mundial. Pensei que estava safa porque havia outra sobremesa, um bolo-folhado de crescer água na boca (tão apetitoso como este aqui), mas para não ofender lá me servi de uma fatia da tarte, pequena, e à primeira garfada fiquei logo desiludida comigo própria por ter cortado uma fatia tão modesta. Como estávamos em família não hesitei e repeti a tarte, que se destacava pela sua textura leve, espumosa, pouco doce que contrastava com o crocante e salgado da massa folhada. Disse-lhe logo que teria de me facultar a receita. Concordou. Eu estava decidida que não sairia dali sem a mesma. Conversa atrás de conversa com os tios e os primos chegou por fim a hora de nos irmos embora. Era fevereiro, por altura do Carnaval, e estava tão frio lá fora- para uma açoriana 5 e 6 graus positivos é praticamente viver na Antártida. Só pensava em agasalhar-me. E nunca mais me lembrei de anotar a receita da tarte de queijo que tudo tem de simples e de bom.
Por intermédio do Facebook, a tão almejada receita chegou finalmente aos Açores.
Fiz-lhes umas alterações inofensivas, mas dir-vos-ei quais foram, e os motivos, à medida que a descrever.

Obrigada Zaira.


Ingredientes

1 embalagem de queijo creme para barrar
3 ovos (utilizei mais duas claras- tinha uma ajudante de cozinha de 4 anos que após vários esforços não conseguiu separar as claras das gemas e ambas cairam na tigela, alterando a receita original; tive então de bater separadamente duas claras)
3 colheres de açúcar (coloquei 4)
1 base de massa folhada
morangos (utilizei congelados, mas a Zaira serviu-os frescos e à parte)
açúcar em pó para polvilhar

Preparação

Numa tigela coloquei o queijo, as gemas e o açúcar. Bati muito bem com a batedeira até ficar espumoso.
À parte, transformei as claras em castelo e envolvi-as no primeiro preparado.
Verti esta mistura para uma tarteira untada e forrada com uma base de massa folhada.
Dispús os morangos pela tarte.
Levei a cozer em forno pré-aquecido, e a 180 graus, durante 30 minutos.

Depois de arrefecer, polvilhei a tarte com açúcar em pó abundante.

Se desejarem uma versão de tarte de queijo com chocolate, no Receitas ao Desafio, encontram uma sugestão.

Patrícia

Intemporalidade de um L

Não me lembro da altura exata em que mo apresentaram. Estranho. Recordamos sempre momentos significativos, pessoas que passamos a conhecer, pessoas que ultrapassam a barreira dos conhecidos e se transformam em amigos. Porventura esse momento inicial em que o conheci reside lá trás, na infância, numa altura em que as memórias não se traduzem em memórias arquivadas mas em sensações que residem de forma endógena connosco. Quantas vezes dizemos “tenho a sensação de já ter visto, de já ter estado…” e não conseguimos definir um tempo e um espaço preciso. Sabemos contudo que esses momentos de contato, de cumplicidade existiram porque há a evidência de eles terem existido. Eles estão lá, na estante da casa dos meus pais e pertencem à minha infância e à minha adolescência. As marcas do tempo e do manuseio feito por mãos pequenas ainda estão registadas através da folha que se dobrou para marcar algo, do separador que se deixou esquecido em determinada página, das notas que se escreveram nas margens e das dedicatórias de quem ofereceu. Eles são a coleção da Formiguinha, livros tão pequeninos com os contos de La Fontaine, que ainda guardo. Eles são a coleção da Anita. Eles são as aventuras de Os Cinco e de Os Sete e de As Gémeas de Enid Blyton. Eles estão agora nas minhas estantes e pertencem a Sophie Mello Breyner Andresen, a Agustina Bessa Luís, a Almeida Garrett, a Luís de Camões, a Eça de Queirós, a Camilo Castelo Branco, a Fernando Pessoa, a Cesário Verde, a Raúl Brandão, a Mark Twain, a John Steinbeck, a William Shakespeare, a Charlotte e Emily Brontë, a Herman Melville, a Nathaniel Hawthorne, a Edgar Alan Poe. . . Estes livros e escritores, e muitos outros que reconheço que deveria ter referido- José Luís Peixoto e José Saramago são dois deles- fizeram-me viajar numa máquina do tempo e transportar a realidades e épocas desconhecidas onde residiam códigos e mensagens a serem descodificados. É certo que também sentimos a marca que determinado filme ou desenho animado deixou em nós, mas os livros serão sempre os livros, pertencerão sempre a uma época das nossas vidas e terão sempre um lugar de destaque numa estante como se de troféus se tratassem.

“O livro exibirá sempre a sua lombada, publicidade gratuita a si mesmo, e esta continuará ali a afirmar que ele existe, que se rege por uma marca intemporal e que anseia que o escolham.”
PC

Decidi comemorar o Dia Mundial do Livro assim, de forma singela, com este texto.

Hoje não há receita mas deixo-vos com imagens da minha ilha, retratos do nosso domingo à tarde que conseguem ser tão inspiradores como um bom livro.

PC

Things are getting fishy and green around here – Moreia Frita e Arroz de Couve

Ao contrário do que venho lendo nos diferentes blogues que sigo, as condições atmosféricas pelo continente têm-se apresentado muito invernosas. A culpa é do anticiclone dos Açores, tão temido pelos continentais. Por aqui o tempo tem facultado dias quentes e bonitos (e lá estamos nós a associar o bonito ao céu azul, ao mar calmo e à leve brisa como se não existisse beleza na chuva copiosa, no nevoeiro denso e no mar embravecido).
E eu continuo a apreciar à mesa frutos do mar, desta vez conjugados com frutos da horta.

E hoje para o jantar…

Moreia com arroz de couve

Preparação da moreia

Corta-se o peixe de alto a baixo, retiram-se-lhes as entranhas e a espinha.
Corta-se em postas com 3 ou 4 dedos de altura.
Lava-se o peixe. Reserva-se.
Faz-se um vinha-d’alhos bem forte (alhos esmagados, vinho branco, massa-malagueta, louro, piripiri, sumo de limão ou lima e sal)
Mergulha-se o peixe nesta marinada de um dia para o outro.
Antes de se fritar o peixe, escorre-se a marinada.
Secam-se as postas com papel de cozinha antes de envolvê-las em farinha de milho.
Levam-se as postas a fritar em óleo bem quente.
Deve-se deixar tostar o peixe, sem secá-lo em demasia. A pele frita da moreia é um petisco uma vez que o seu sabor se assemelha a torresmos de porco. O interior do peixe é alvo e macio muito idêntico ao do congro.

Preparação do arroz de couve (para cerca de uma chávena e meia de arroz)

Lavam-se as couves e cortam-se em tiras com a grossura de mais ou menos um dedo (não as corto tão fininhas como se fosse para caldo-verde). Reserva-se
Faz-se um refogado com meia cebola e 3 dentes de alho.
Adicionam-se as couves- um punhado- ao refogado. Acrescenta-se mais um pouco de azeite e salteiam-se as couves mexendo com uma colher de pau.
Junta-se o arroz e três chávenas de água a ferver (coloquei quatro para ajudar a cozinhar a couve).
Adicionei um caldo de carne e sal.
Envolvi tudo novamente com a colher de pau.
Deixei levantar fervura. Mexi com a colher de pau. Tapei o tacho e deixei cozinhar em lume baixo até a água se evaporar.

Frutos do Mar

Cá na ilha temos assistido a dias de Primavera fora do vulgar que mais se identificam a dias de Verão.
O tempo já convida a atividades ao ar-livre. Assim, tirámos partido da nossa condição de ilhéus e “fomos para a costa” – como dizem os antigos- como se a costa ficasse longe.

Umas horas depois, de regresso a casa, instalámo-nos no jardim para apreciarmos os petiscos abaixo.

Como prometido, e na sequência do post anterior, deixo-vos as receitas que confecionámos com estes frutos do mar, diretamente da arma de pesca submarina para a panela. Produtos mais frescos não existem.

Lapas grelhadas

Dispoêm-se as lapas numa frigideira. Coloca-se uma colher de sobremesa de molho de manteiga, alho em pó, ervas aromáticas e cebolinho em cima de cada lapa.(Derrete-se a manteiga com os ingredientes acima misturados).
Leva-se a frigideira ao lume até que as lapas descolem da casca e o molho fervilhe.

Salmonetes grelhados

Escamam-se e lavam-se os salmonetes.Retiram-se-lhes as entranhas.
Fazem-se uns cortes nos lombos.
Secam-se com papel de cozinha.
Temperam-se de sal.
Colocam-se na grelha bem quente.
Regam-se por ambos os lados com molho de manteiga, alecrim, salsa e alho em pó.

Arroz de frutos do mar

Para além dos salmonetes a pesca do meu marido rendeu-nos uma caranguejola, búzios e um polvo pequeno. Com estes ingredientes, fizemos um arroz que apelidámos de arroz de frutos do mar.

Cozemos o polvo à parte com cebola, alho, piri-piri e uma folha de louro. Quando estava quase cozido adicionámos-lhe sal.Cortámo-lo aos pedaços.Reservámos.
Num tacho com água colocámos algumas lapas e búzios com as conchas e a caranguejola. O aroma que emanava do tacho era o da maresia. Um consolo para a alma (desculpem esta divagação)

Continuando…

Refogámos meia cebola e 2 dentes de alho em azeite.
Adicionámos as lapas e os búzios, mesmo com as conchas,um ramo de salsa e coámos a água da cozedura do marisco (cerca de duas chávenas)que juntámos ao refogado.
Provámos, temperámos com sal e com duas colheres de polpa de tomate.
Colocámos uma chávena de arroz. Deixámos cozer.
Quase no fim da cozedura, adicionámos o polvo e voltámos a tapar o tacho até a água do mesmo evaporar completamente.

Servimos.

Se tiverem curiosidade em consultar outras receitas minhas de arroz de lapas e lapas grelhadas podem fazê-lo no receitas ao desafio.

Abri-vos o apetite, certo?

Por agora…o Mar.


Quem vive numa ilha sente o fenómeno da insularidade de perto mas é ao mesmo tempo confortado pela constância da dualidade mar/campo.

Uma tarde passada com os pés na água e com os olhos no Monte Brasil ao fundo.

Uma tarde de descanso na Poça dos Frades e com cheiro a maresia.



Uma tarde que apelou ao primeiro banho de mar por entre as rochas nas águas calmas e convidativas.

Uma tarde com direito a banhos de sol e a bricandeiras com os mais novos.

Uma tarde que deu frutos.

Prometo que mais logo trago as receitas e as respetivas fotos. Deixo apenas o nome dos pratos confecionados, para aguçar o apetite.

Entrada: lapas grelhadas
Prato principal: salmonetes grelhados em molho de manteiga e cebolinho
Acompanhamento: arroz de frutos do mar

Patê de cebola

Servi este patê no aniversário da minha Vitória, sábado passado.
Como agradou a todos, decidi publicá-lo.
Prima pela rapidez da sua confeção, como acontece com todos os patês em geral.



Ingredientes para a receita original

2 requeijões (usei queijo creme)
1/2 pacote de sopa de cebola desidratada (utilizei o 3/4 do pacote)
2 ou 3 colheres de sopa de nata (ou mais até se obter a consistência desejada)
1 colher de sopa rasa de ervas aromáticas para saladas (usei da marca Margão)

Preparação

Colocar o requeijão numa tigela. Adicionar a sopa de cebola. Misturar tudo com um garfo. Juntar as ervas aromáticas e as colheres de natas até se obter a consistência desejada.

Tanto a receita original como a minha, adaptada, são muito saborosas. Vale a pena experimentar.

Dica: adicionar a sopa de cebola desidratada aos poucos e ir provando à medida que se adiciona a sopa. O sabor, mais ou menos forte, vai depender da quantidade de sopa que se adicionar.