Rochas de Figo

Faz hoje exatamente uma semana que sairam do meu forno estas rochas de figo. Não se deixem no entanto enganar pelo nome. Apelidei estes biscoitos de rochas por se assemelharem a pequenos rochedos irregulares. Ao contrário das rochas, estes não ficaram nada duros. Não os deixei permanecer no forno muito tempo para evitar que se tornassem inimigos da “dentadura”. E com um resto de figos passados, ainda do Natal, criei estes biscoitos de figo. Não me consegui ficar pelo primeiro, nem pelo segundo e cometi o pecado do terceiro. Mea culpa!

Ingredientes para 36 biscoitos

200 g de figos passados
50 g de açúcar mascavado
4 colheres de sopa de mel
1 ovo
125 g de manteiga
400 g de farinha para bolos
1 colher de chá de fermento
amêndoa inteira pelada para decorar

Retirei o bico aos figos e triturei-os na Bimby com os toques de turbo até obter a consistência desejada. Coloquei-os numa tigela grande.
Adicionei a manteiga, o açúcar, o mel e ovos. Amassei com as mãos. Fui juntando a farinha aos poucos e amassado todos os ingredientes até estarem bem misturados.
Com uma colher de sopa fiz montinhos de massa num tabuleiro coberto com papel manteiga.

Coloquei uma amêndoa no topo.
Levei ao forno cerca de 20 minutos em forno previamente aquecido.

Podem ver aqui outra receita de biscoitos, estes então mais finos.
Ainda mais duas sugestões: aqui e aqui.

Anúncios

Lasanha de Linguiça e Corações de Alcachofra

Ingredientes para a carne

500 g de linguiça
200 g de carne de vaca ou de porco
2 latas de corações de alcachofras
1 lata de tomate frito
1 cebola grande picada
4 dentes de alho picados
1 copo de vinho branco
1 embalagem de massa fresca de lasanha (da marca Continente)
queijo ralado (usei Queijo de São Jorge e três queijos)azeite qb
mistura de cinco pimentas
sal a gosto

Ingredientes para o Béchamel

3 colheres de sopa de farinha
2 colheres de sopa de manteiga
1 litro de leite
pimenta branca
sal fino
noz moscada raspada na hora

Ingredientes para a camada de pão

pão de véspera (de preferência caseiro)
3 dentes de alho
folhas de manjericão

Começo por fazer o refogado com o azeite, os dentes de alho e a cebola picados. Depois de lourinhos, adiciono a carne de vaca ou de porco e a linguiça triturada sem pele, e envolvo tudo muito bem. Tapo para deixar cozinhar um pouco. Adiciono a lata de tomate frito e deixo levantar fervura mexendo sempre. Acrescento os restantes temperos, mexo e deixo em tacho tapado e em lume brando. Não deixo secar muito.

Entretanto faço o Béchamel na Bimby, seguindo a receita do livro básico, mas poderão utilizar o de compra.

Depois de pronto, rego o fundo da assadeira com um pouco de molho, disponho algumas placas de massa, uma camada de recheio, uma camada de pão ralado aromatizado com alho e manjericão, novamente placas de massa, béchamel, recheio, placas de massa e béchamel. Polvilho com queijo ralado.

Levo ao forno a gratinar.

Obs. Costumo triturar o pão ralado na Bimby, mas já o fiz na picadora tradicional e o efeito é o mesmo.

Desta vez resolvi colocar o pão ralado dentro da lasanha e não na cobertura. Digo-vos que o pão aromatizado em contato com a carne é delicioso. Por momentos esta lasanha soube-me a alheira. Acreditam?

Um bolo de fim-de-semana

Bolo de Ananás Caramelizado e Iogurte Natural

Ingredientes para o bolo

4 ovos
2 chávenas e meia de farinha
2 chávenas de açúcar
1 iogurte natural
1 pacote de boca doce de ananás
150 g de manteiga
1 lata de ananás
O sumo da lata do ananás
1 colher de sopa rasa de fermento
1/2 frasco de caramelo líquido

Preparação
Bati as claras em castelo com a batedeira eléctrica.Reservei.
Na Bimby (borboleta Vel.3/4), bati as gemas com o açúcar e a manteiga durante três a cinco minutos.
Adicionei o pudim de ananás e o iogurte natural,a farinha, o fermento e o sumo do ananás.
Misturei todos os ingredientes durante mais dois minuto (vel.3/4)
Coloquei o preparado numa tigela.
Envolvi com uma colher de pau as claras em castelo.
Sequei as rodelas de ananás com papel de cozinha e coloquei-as numa forma redonda barrada com caramelo líquido.
Levei a cozer durante 60 minutos a 180 graus em forno pré-aquecido.
Depois de cozido, retirei o bolo do forno e deixei-o arrefecer ligeiramente antes de o desenformar.

Convidei para Jantar…. Tom Sawyer e Huckleberry Finn

-Tom! Huck! O jantar está na mesa!
Nada. O silêncio como resposta.
-Onde andarão aqueles rapazes?- pensei.
Saí da cozinha. Abri a porta que separa a casa do jardim. Percorri-o de lés-a-lés. Cheguei ao início do bosque. Continuei a chamar: Tom! Huck! Onde se haveriam metido aqueles estafermos?
De trás de umas árvores surgiram Max e Camões, os meus cães. Assim que me viram desataram a correr na minha direção como que a dizer que algo se havia passado.
Estes meus convidados estão a dar-me muito trabalho – pensei, enquanto seguia os cães e caminhava em direção ao desconhecido.
Encontrei-os numa clareira do bosque, com ar muito descansado deitados no chão, de barriga para o ar e braços cruzados atrás da cabeça conversando alegremente enquanto os seus olhares fitavam a copa das árvores como se o tempo não existisse.
Quando me viram levantaram-se como se fossem feitos de molas.
– Senhora Patrícia! – disseram ao mesmo tempo.
– Nós… já íamos jantar – afirmou Huck!
– Distraímo-nos – disse Tom. Este arvoredo todo é tão bonito. Faz-nos lembrar aquele dia em que eu fugi da tia Polly e tu de casa da viúva Douglas, eu porque não queria ir à escola e tu porque ela te obrigava a calçar aqueles sapatos apertados de verniz, e nos escondemos na casa da árvore.
Temos uma coisa para lhe dizer – continuou Tom. Encontrámos esta moeda e estávamos a pensar que talvez pudesse haver por aqui perto um esconderijo com um baú cheio delas.
Enquanto conversávamos na clareira, surgiu de trás de uma árvore um indivíduo desconhecido com um ar sombrio e face riscada por cicatrizes vincadas pelo passar dos anos.
-Quem são vocês?- perguntou rispidamente.
Eu respondi que morávamos ali perto e que já nos íamos embora.
– É mesmo conveniente que desapareçam imediatamente. Costumam acontecer coisas muito estranhas neste sítio. Isto foi só um aviso.
E desapareceu da mesma forma como surgiu.
As suas palavras foram motivação suficiente para começarmos a andar apressadamente.
Enquanto caminhávamos à velocidade da luz, e sem nunca olharmos para trás, Tom disse: – Nunca desisti de um bom mistério! Lembras-te Huck quando…

E já começava a escurecer quando chegámos a casa e nos sentámos a saborear o jantar.
Huck e Tom, esfomeados e com o pensamento na próxima aventura, comeram sofregamente, como se da última refeição de suas vidas se tratasse.

É escusado dizer que os espargos, esses, deixaram-nos no prato.

Costeletas de Porco Estufadas com Puré de Açafrão e Espargos

Ingredientes para 4 ou 6 pessoas

8 Costeletas de porco (de lombo ou de cachaço)
1/2 pimento verde (com vermelho fica ainda melhor – já experimentei)
1 lata de tomate frito
1 cebola
3 dentes de alho
1 cerveja (grande ou pequena, como preferirem)
mistura de cinco pimentas
piri-piri
1 folha de louro
sal
1kg de batatas
1 colher de sopa de manteiga (nada de margarinas)
noz-moscada
açafrão a gosto
2 espargos por pessoa
azeite

Preparação das costeletas
Fiz um refogado em azeite com a cebola, os alhos picados, o pimento cortado aos pedacinhos (costumo retirar-lhe a casca por ser indigesta) e a folha de louro.
Adicionei a lata de tomate frito e deixei levantar fervura.
Verti a cerveja.
Temperei com piri-piri, pimentão doce (colorau) e mistura de cinco pimentas.
Coloquei a carne no molho. Tapei o tacho e deixei levantar fervura.
Antes de adicionar água deixei que as costeletas destilassem os sucos.
Deixei cozinhar em lume brando para que a cozedura se fizesse lentamente. Mexi com a colher de pau de tempos a tempos para evitar que agarrasse ao tacho.
Quando a carne estava quase pronta, destapei o tacho e deixei apurar um pouco o molho.

Preparação do puré
Cozi a batata em água e sal. Escorri. Acrescentei uma colher de manteiga e noz-moscada. Com a batedeira traduzi a batata em puré. Adicionei uma colher de chá de açafrão (rasa) e envolvi novamente com a batedeira. A intensidade do sabor e a cor depende do gosto de cada um.

Acompanhei com espargos verdes e azeitonas pretas.

Com esta receita e história, participo na 3ª edição do passatempo “Convidei para jantar…”, a decorrer, desta vez, no blogue Suvelle Cuisine. Obrigada, Su e Ana por estes momentos que desafiam a imaginação.

Patrícia

Pezinhos com batata a murro e couve salteada – Transmontanices

Com um transmontano em casa é difícil não estar atenta ao que se vai passando por Trás-os-Montes, apesar de reconhecer a dimensão imensa da região atrás referida. A aldeia do meu marido, Gimonde, que pertence a Bragança, é muitas vezes motivo de notícia nos meios de comunicação social, mas especialmente na televisão. As razões são várias: ora para entrevistar o dono do restaurante D. Roberto e conhecer os produtos de charcutaria regional “Bísaro” dos quais se destacam as suas alheiras, salpicões e butelos, ora porque o rio, que é atravessado por uma ponte romana lindíssima, gelou, ora para fotografar os ninhos altaneiros das cegonhas, ora para conhecer o dia-a-dia do último pastor que cruza a aldeia com o seu rebanho tilintante de ovelhas.
Por questões familiares tudo o que diga respeito a esta região nos desperta interesse. Há alguns meses, numa livraria, deparámo-nos com o livro Transmontanices, Causas de Comer, da autoria de Virgílio Gomes e comprámo-lo instintivamente mesmo sem primeiro o folhearmos.

Consiste em um conjunto de crónicas de fácil e empolgante leitura sobre a gastronomia transmontana e a cozinha contemporânea. Um livro onde se faz a apologia da cozinha contemporânea de raízes regionais.

Termina o livro assim:

“Continuarei a escrever, indisciplinado, mas a esforçar-me pelos produtos qualificados transmontanos e por algumas tradições culinárias locais. Para que saltem da região.”

Preparei então este prato imaginando que estava na aldeia. Recorri à simplicidade na escolha e confeção dos ingredientes. Um regresso à essência portanto.

Pezinhos de Porco com Batata a Murro e Couve Salteada

Ingredientes

1 pezinho de porco (podem eliminar a extremidade. Eu utilizo apenas a carne que envolve a barriga da perna)
1 cebola
4 dentes de alho
1 ramo de salsa
1 folha de louro
piri-piri
pimentão doce
sal
água
batata nova
couves
azeite para saltear a couve

Preparação

Numa panela coloca-se o pé de porco cortado às rodelas (já o trago cortado do talho). Coloca-se a cebola cortada grosseiramente, os dentes de alho previamente esmagados com uma faca, o louro, o piri-piri, o pimentão doce, o ramo de salsa e o sal.
Cobre-se com água a carne e deixa-se cozinhar em lume brando.
Quando a carne estiver cozida, retira-e a carne para um recipiente e tapa-se para não secar. Nessa água da cozedura da carne coze-se a couve cortada grosseiramente.
Quando a couve estiver cozida, escorre-se e leva-se a saltear em azeite numa frigideira.
Lavam-se as batatas, sem as descascar, e envolvem-se em sal. Colocam-se num tabuleiro e levam-se ao forno até assarem. Quando estiverem quase prontas, retiram-se do forno, dá-se um murro em cada uma e voltam-se a colocar no forno mais uns minutos.

Serve-se este cozido bem regado com azeite, de preferência transmontano.

Hoje no receitas ao desafio publiquei outra sugestão, também com carne de porco.

Aniversário e Dia do Pai

Segunda feira-passada o meu filho fez anos. Ontem foi o aniversário do meu pai. Juntámos os dois aniversariantes e fizemos um almoço em família que também foi palco da antecipação do dia do pai, que é hoje. Houve tempo para a abertura dos presentes e para votos de felicidades diferenciados. Avô e neto ambos de março, distanciados por 52 anos no tempo mas tão idênticos na maneira de apreciar a natureza e de disfrutar do mar.
Ontem o dia esteve fabuloso. Aproveitámos o tempo e almoçámos a apreciar a paisagem que nos rodeava, com o mar ao fundo, que nos desafiava com o cântico melodioso das suas ninfas. Sim apetecia dar um mergulho e sucumbir à tentação proporcionada pelo chamamento dos sentidos porque o dia estava muito quente e fazia recordar o Verão. Ficámo-nos porém pela contemplação da natureza e elegemos não o azul mas o verde. Tirámos o pó às mesas e cadeiras de exterior e ficámos a ver as crianças a divertirem-se no jardim numa correria sem igual como se a Primavera, que se aproxima, as libertasse e trouxesse oxigénio novo às suas brincadeiras.


A receita do bolo de aniversário de ambos encontra-se aqui.Repeti a receita do bolo de cenoura, o favorito de ambos. Um dois em um, portanto.

Quanto à cobertura do bolo, não fui muito prendada e optei desta vez por utilizar uma de compra pronta a barrar ou a decorar.

Um Gelado…..porque já vai apetecendo

Gelado de Noz e Leite Condensado

Ingredientes

400 ml de natas (ou iogurte grego)
8 claras em castelo (facultativo)
1 lata de leite condensado cozido
50 g de noz
3 colheres de sopa de açúcar
aroma de baunilha

Preparação

Triturei o miolo de noz. Reservei.
Bati as claras em castelo. Reservei.
Bati as natas até ficarem fofas e volumosas.
Juntei as colheres de açúcar e continuei a bater até o açúcar ficar bem incorporado.
Adicionei o leite condensado e bati novamente.
Inseri a noz triturada. Envolvi.
Adicionei as claras em castelo e o aroma de baunilha.
Misturei tudo até as claras desaparecerem.
Levei ao congelador numa tigela durante duas horas.
Antes do gelado estar congelado, retirei-o do congelador e misturei-o com uma colher de pau.
Coloquei-o novamente no congelador.

Servi o gelado no dia seguinte.


Optei por não incorporar no gelado muita quantidade de noz porque cá em casa nem todos são mega-apreciadores de nozes como eu.

Cobri a minha taça de gelado com nozes grosseiramente picadas.

As crianças, essas, preferiram decorar o gelado com molho de caramelo.