Bolo de figos frescos… Dia Um…Na Cozinha

bolo de figos frescos

figos pingo de mel

bolo de figos frescosA nossa casa de férias na ilha do Pico tem três figueiras ainda plantadas pelo meu avô materno. São atenciosamente podadas pelo sr. João, um vizinho natural da ilha Graciosa, que toma conta, nas horas vagas, do pomar e das vinhas e trata da limpeza do espaço. Só tenho pena de nunca lá estar no tempo das anonas, das laranjas, dos marmelos, da groselha e das nêsperas. Ainda existem damasqueiros e macieiras plantados por mãos que já não vivem. Resta-nos apenas as uvas e os figos no verão. Nesta estação, nós deliciamo-nos com estes frutos. Mesmo em férias eu não resisto à atração pela cozinha. A minha mãe diz mesmo que não sabe a quem saio. Na verdade, custa-me ver alguma fruta a estragar-se, por isso, decidi aproveitar alguns figos que teriam o balde do lixo como destino. Assim, juntei o útil ao saboroso e à vontade de comemorar o primeiro aniversário da iniciativa Dia Um…Na Cozinha.

Logotipo Dia Um... Na Cozinha Setembro 2014

E como quando há festas de anos um bolo torna-se obrigatório, decidi que este de figos frescos e especiarias seria o ideal para esta comemoração.

bolo de figos frescos

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bolo de figos frescosIngredientes para o bolo

1 chávena de figos frescos- Pingo de Mel- sem pele e triturados

1 chávena de açúcar

1 1/2 chávenas de farinha

4 ovos grandes

2 colheres de sopa de manteiga

1 colher de sopa rasa de fermento para bolos

1 colher de chá rasa de gengibre em pó

1 colher de chá de canela em pó

1 cálice de Angelica (ou vinho Moscatel ou vinho do porto)

 

Ingredientes para a cobertura

125 g de açúcar

3 colheres de sopa de doce de figo

1 colher de sopa de manteiga

8 colheres de leite

 

Preparação do bolo

1. Batem-se muito bem as gemas com o açúcar e com a manteiga.

2. Adicionam-se os figos frescos triturados com a varinha-mágica. Incorpora-se com a batedeira.

3. Junta-se a canela, o gengibre e o cálice de vinho do porto. Bate-se.

4. Batem-se as claras em castelo com uma pitada de sal de mesa e, com a colher de pau ou com o salazar, envolvem-se lentamente no preparado.

5. Unta-se uma forma com manteiga. Enfarinha-se.

6. Leva-se o bolo a cozer  a 200 ºC, em forno pré-aquecido, cerca de uma hora. (40 minutos passados faça o teste do palito; o tempo de cozedura depende de forno para forno)

Preparação da cobertura

1. Leva-se a caramelizar o açúcar numa frigideira ou num tacho.

2. Assim que estiver douradinho e todo dissolvido, junta-se  a manteiga e o leite. Deixa-se que o caramelo liquidifique novamente, levando a engrossar levemente o creme até este fazer ponto de estrada. Juntam-se as colheres de doce de figo, misturam-se bem no caramelo e barra-se o bolo.

bolo de figos frescos

bolo de figos frescos

Salada de búzios e lapas em férias

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Tenho o hábito de comentar as minhas férias apenas quando estou de regresso. Um atitude cautelosa para mim. Excesso de zelo para muitos. Aproveito as férias para descansar, conhecer lugares novos, revisitar outros e saborear momentos em família. A fotografia está sempre presente para registar o que pretendemos que fique retratado em película. Recordações de um verão. Memórias futuras. A fotografia ajuda-me a reconhecer a sorte que tenho por ter uma vida feliz. Relembra-me situações queridas. Alinhava pormenores fixando-os no tecido do tempo. Este é um lugar encantador: a ilha do Pico.

Vista para a montanha da nossa casa de férias na ilha do Pico

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Das férias apenas mostro o que quero. Existem muitos momentos significativos que pertencem à privacidade. Quase todos eles. Mas há imensas coisas, do foro culinário, e não só, que gosto de partilhar convosco. O mar e o campo são aqui presença obrigatória e os meus Açores. Esta necessidade de proximidade do mar é sempre uma parcela das nossas férias. Dele provêm os frutos de muitas das receitas deste blogue, como é o caso desta salada de búzios e lapas, que resultou de mais uma das aventuras subaquáticas do marido: o nosso snorkeler de serviço.

Lugar da Furna- S. Roque do Pico

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Preparação

1. Colocam-se as lapas e os búzios num tacho e cobrem-se com água.

2. Deixa-se cozer cerca de 30 minutos.  Deixa-se arrefecer.

3. Escolhem-se as lapas e eliminam-se as conchas.

4. Com a ajuda da ponta de um pau de espetada metálico, ou até mesmo com um garfo ou com um palito, remove-se o interior do búzio da concha. Retira-se a película dura inicial e a tripa final do búzio, que se desprende facilmente.

5. Colocam-se os búzios e as lapas num recipiente e prepara-se o molho em cima destes.

Molho cru ou verde

azeite 3/4

vinagre 1/4

2 cebolas

4 dentes de alho

salsa

2 colheres de chá de massa de malagueta

1 colher de chá rasa de pimentão doce (colorau)

umas pedrinhas de sal

Esta salada é acompanhada com pão de trigo ou de milho.

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Tarte de noz pecã e caramelo

tarte de noz pecã

Quem gostar de tartes com bases com consistência de bolo, esta é a ideal. Aqui a massa baunilhada  e com sabor a lima combina na perfeição com o creme de caramelo onde as nozes pecã se encontram envolvidas. Recomendo.

Ingredientes para a massa

160 g de farinha

120 g de açúcar

80 g de manteiga

2 ovos  grandes

raspa de uma lima

sumo de meia lima

aroma de baunilha (duas colheres de chá)

 

Preparação da massa

1. Misturam-se todos os ingredientes com a batedeira ou com um robô de cozinha.

2. Unta-se uma tarteira com manteiga. Forra-se o fundo com um círculo de papel vegetal.

3. Espalha-se  massa na tarteira.

4. Vai a cozer, em forno pré-aquecido a 250 ºC,  durante 2o a 25 minutos (200 ºC).

 

Ingredientes para a cobertura

150 g de açúcar

8 colheres de sopa de leite

1 colher de sopa de manteiga

1 pacote de noz pecã

 

Preparação da cobertura

1. Leva-se o açúcar a caramelizar num tacho ou na frigideira

2. Adiciona-se o leite e a manteiga. Deixa-se ferver até o caramelo estar todo diluído.

3. Junta-se a noz. Mexe-se e verte-se por cima da tarte. Ajeitam-se as nozes com uma ponta de faca de forma a que fiquem todas com a face interior virada para baixo.

tarte de noz pecã

Nota.
A receita da massa pode ser feita a dobrar se a intenção for fazer um bolo. Nesse caso, para a cobertura dever-se-á utilizar 200 g de açúcar e 10 colheres de leite. A quantidade da manteiga mantém-se a mesma.

Presunto de mãos dadas com melão andino

Melão andino, melão coreano ou pêra melão são as designações que existem para este fruto que chegou há dias, e pela primeira vez, à minha cozinha. Quando temos um vizinho com estufas e cheio de vontade de experimentar novos frutos, tornamo-nos ansiosos quanto às novidades que poderão surgir a qualquer momento. E todos os anos, o vizinho António me surpreende com as suas colheitas biopónicas. Quando vi este fruto pela primeira vez, a minha cabeça começou a fervilhar com ideias, até que o vizinho me disse que antes de qualquer conjugação que eu devia experimentar o fruto ao natural e que esperasse uns dias até que amadurecesse por completo, isto é, até que a casca saísse como a da batata cozida quando pelada. Assim, fiz. Fiquei quatro dias a passar pela fruteira cheia de vontade de disferir um golpe certeiro mas a conter-me até que a fruta ficasse no ponto. Hoje chegou finalmente o dia.

pêra-melão com presunto

Coloquei alguns melões andinos no frigorífico duas horas antes de preparar esta entrada para refrigerarem.

Fatiei presunto transmontano e servi-o com as pequenas rodelas deste melão delicioso.

pêra-melão com presunto

Esta é uma entrada muito simples mas deveras saborosa.
pêra-melão com presunto

Sorvete de maracujá e manga sem intenção

sorvete de maracujá e manga

Quando congelei os ingredientes desta receita, estes destinavam-se a um smoothie. A intenção primeira era tê-los prontinhos no congelador para servirem o propósito de um pequeno-almoço diferente. É interessante que nestas coisas da culinária, tal como acontece na vida, tanta coisa muda de rumo de um momento para o outro. E foi a consistência dos ingredientes, depois de triturados, que me levou a pensar na condição de sorvete. Ainda bem que assim aconteceu.

 sorvete de maracujá e manga

Ingredientes

9 cubos de polpa de maracujá (sem sementes) congelada

7 cubos  manga cortada congelada

2 iogurtes de aroma de banana (um deles congelado em cuvetes)

5 maracujás para guarnecer

Preparação

Colocar todos os ingredientes no copo da Bimby (ou outro robot de cozinha), com exceção do maracujá para guarnecer, e marcar a tecla turbo até a consistência do gelado ser do nosso agrado.

Servir de imediato em taças ou pratos decorando com polpa de maracujás.

sorvete de maracujá e manga

Nota.

Nesta receita não há a adição de açúcar devido ao facto de a manga comprada estar bem madura. Poderá adoçar com uma colher de sopa de mel.

Tarteletes de Lemon Curd

Estas tarteletes foram feitas o mês passado, quando as hortênsias estavam no seu auge de beleza. Não resisti a contrastar o azul magnífico deste símbolo açoriano com o amarelo-sol do lemon curd. Em termos de sabor, a massa sablé da base, ligeiramente mais adoçada do que o habitual, combinou perfeitamente com a leve acidez do citrino.

 tarteletes de lemon curdlemon curd

hortênsias tarteletes de lemon curd

Ingredientes para a massa sablé

  • 300 g farinha
  • 150 g manteiga
  • 100 g açúcar em pó
  • 2 gemas de ovo
  • 1 pitada de sal

Preparação na Bimby

1. Coloque no copo os ingredientes e bata 15 seg/vel 6.

2. Estenda a massa com a ajuda de um rolo. Consoante a finalidade, forre uma tarteira grande ou várias formas de tarteletes e recheie a gosto e leve ao forno pré-aquecido até a massa estar dourada.

3. Deixe arrefecer e recheie com o lemon curd.

tarteletes de lemon curd

Ingredientes para o lemon curd

160 g de açúcar

2 limões

60 g de manteiga

2 ovos

Preparação na Bimby

Coloque no copo o açúcar e pulverize 20 Seg/Vel. 9

Junte as cascas de limão (só a parte amarela) e rale 15 Seg/Vel.9.

Adicione a manteiga, o sumo dos limões e marque 1Minuto/Vel.2.

Junte os ovos e misture 10 Seg/Vel.4.

De seguida, programe 7 Minutos/80ºC/Vel.2. Retire, deixe arrefecer e guarde em frascos esterilizados, no frigorífico.

Nota. A quantidade de curd desta receita é suficiente para rechear uma torta, cobrir um bolo ou um cheesecake. Rendeu dois frascos pequenos.

tarteletes de lemon curd

 

Outro petisco…Gostam de sapateira?

Como disse  no post anterior, as nossas refeições deste verão têm sido mais entradas do que pratos principais. Quem precisa destes depois de petiscar uma sapateira e de bebericar algo fresco (de preferência descendente das uvas) ou de acompanhar umas fatias de pão com presunto ou queijo e de terminar as refeição com umas amoras com açúcar ou com meia meloa aromatizada por vinho do Porto? Os dias bons são os que se caracterizam por ser  saborosamente desgovernados.

sapateira cozida

Ingredientes para duas pessoas

2 sapateiras
3 dentes de alho
1 cebola grande
2 malaguetas secas
1 folha de louro
água até cobrir as sapateiras
uma mão fechada de sal

Preparação

1. Coloca-se a água no lume com todos os ingredientes acima descritos, exceto as sapateiras.
2. Quando a água estiver a ferver, mergulham-se os crustáceos. Contabilizam-se 15 minutos. E estão prontos.Retiram-se da água da cozedura.
3. Deixar arrefecer totalmente antes de servir.

Como cá em casa somos muito apreciadores de ovas, escolhemos sempre sapateiras fêmeas.

No blogue O Fogão do Kuka são explicadas muito bem as diferenças entre os machos e as fêmeas, se tiverem interesse em saber.

Deliciem-se!

sapateira cozida

A craca dos sete bicos

A craca dos sete bicos fez parte de um jantar que se compôs apenas de petiscos. A verdade é que, com o calor não há vontade para pratos quentes e muito elaborados. Este marisco, que foi acompanhado por um Lambrusco rosé,  trouxe-nos o mar à mesa e soube-nos sublimemente.

 
Cracas dos Açores
Cracas dos Açores

Cracas dos Açores

A craca é uma formação calcária incrustada na rocha dos litorais marinhos. Existe em todas as ilhas do arquipélago dos Açores. É apanhada  em mergulho de apneia, entre os três e os dez metros de profundidade, com recurso a pequenos machados metálicos, para separar a formação calcária do crustáceo da rocha de residência, onde vivem em formações do tipo colónia ou isoladamente.

Ingredientes

Cracas, alho, pimenta malagueta, salsa e água do mar.

Preparação

Devem ser cozidam em água do mar para que mantenham o verdadeiro sabor.

Numa panela, cobrem-se as cracas de água, junta-se alho, salsa e pimenta malagueta q.b.; ferve 15 minutos. Retira-se para uma travessa e deixa-se arrefecer.

Na degustação, após remover o crustáceo do interior do habitat, o que se faz utilizando um pequeno gancho, tipo espeto, aconselha-se beber a água do interior do nicho onde se encontrava o crustáceo. Uma delícia!

Cracas dos AçoresCracas dos Açores

As cracas não são vendidas aos peso mas aos bicos. Por isso, convém escolher os crustáceos maiores. O preço difere se as comprarmos cruas ou cozidas, mas caracteriza-se por ser acessível.

Batido de Abacaxi e cereja amarela em calda

As férias são sempre sinónimo de excessos. Estas não fugiram à regra. Por isso, regresso com um batido bastante fresco e saudável. Aliei o abacaxi à cereja amarela em calda e com a ajuda do iogurte e do leite magro o liquidificador uniu todos os ingredientes.

batido de abacaxi e cereja amarela em calda

Ingredientes para dois copos

1 rodela e meia de abacaxi

10 cerejas em calda

120 g de iogurte natural (com aroma de banana fica também uma delícia)

80 ml de leite magro

batido de abacaxi e cereja amarela em calda

 

batido de abacaxi e cereja amarela em calda

 

Modo de Preparação

1. Descasque o abacaxi (refrigerado) e corte-o em pedaços. Retire o meio. Coloque no copo do liquidificador.

2. Adicione as cerejas em calda, descaroçadas.

3. Junte o iogurte e o leite. Triture muito bem.

Sirva de imediato.

 

batido de abacaxi e cereja amarela em calda

Experimentem substituir o iogurte natural por iogurte com aroma de banana. É também delicioso.

E com esta receita, participo na iniciativa Dia Um…Na Cozinha, subordinada este mês ao tema batidos.

Logotipo Dia Um... Na Cozinha Agosto 2014

batido de abacaxi e cereja amarela em calda

Deliciem-se e tenham um ótimo fim de semana!

Patrícia

O melhor lugar do mundo

O melhor lugar do mundo é a nossa casa, vi ainda há pouco num outdoor enquanto conduzia em direção a uma zona balnear. Concordei. É a nossa casa. Acrescentei: se ela se situar no sítio certo. E quando o sítio certo é uma ilha, ou ilhota, no meio do atlântico, esta aceção torna-se para muitos algo incompreensível. E sê-lo há. E respeito tais opiniões, pois aceito alguns dos fundamentos. Desde logo, vem à tona a insularidade e os preços mais elevados em quase tudo. Estes são factos relevantes, pois bastam algumas visitas ao continente português ou a sites online para chegarmos a essa conclusão. Ficarmos longe da confusão e do consumismo e estarmos com um pé no mar e outro no campo são para mim a razão pela qual escolhemos este lugar como o melhor do mundo. As empresas de turismo não se cansam de enaltecer os Açores como destino de eleição, apesar de para muitos estrangeiros e até para os cidadãos do continente português ficar mais em conta visitas a países mais longínquos do que à nossa região. São os voos low-cost e as estadias em resorts e hotéis de gabarito apregoados pelas agências que fazem divergir muitos turistas das nossas ilhas. Mas nós estamos aqui sempre com um sorriso hospitaleiro para quem nos visita. Nós criamos memórias felizes. Estejam certos disto.
Hoje não há receita mas uma mostra de produtos regionais em forma de arte, uma iniciativa singular há semanas exposta no Hotel Terceira Mar, aqui na cidade de Angra do Heroísmo.

Apreciem o que o artista decidiu distinguir de cada ilha recorrendo a molduras de madeira e decorando o interior com produtos de produção regional.

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